O ano de 2017 está a ser marcado pelos smartphones com ecrãs grandes em corpos pequenos e por topos de gama com duas câmaras fotográficas. Um grande ecrã é sempre bem-vindo, ainda para mais quando está num corpo mais pequeno que o normal, mas as duas câmaras nem sempre se mostram úteis numa utilização diária, já que os megapíxeis a mais pouco ou nada importam e o zoom não é algo que pareça, para já, justificar uma câmara extra.

A LG tinha muito a provar este ano, depois do “flop” que foi o seu último topo de gama, o G5. Eis que, sem fugir da rotina, surge o esperado G6, um smartphone elegante, com um corpo de vidro (olá, dedadas), um ecrã que ocupa quase a totalidade da parte frontal do smartphone, duas câmaras traseiras e um design que encaixa perfeitamente na mão.

Características gerais

Começando pelo básico, o LG G6 deixou de lado o conceito modular do G5 e passou a ser um smartphone “fechado” (que não dá acesso à bateria) feito de vidro e metal. O ecrã cresceu, para cima, contando agora com um formato 18:9 (diferente do habitual 16:9), com 5.7 polegadas, e que ocupa cerca de 80% da parte frontal do smartphone, podendo o corpo manter dimensões inferiores quando comparado, por exemplo, ao Huawei P10 Plus e ao Galaxy S7 Edge, ambos com um ecrã de 5.5 polegadas. Melhor só mesmo se fosse um ecrã AMOLED.

O processador Snapdragon 821 não é o mais recente, mas ser o primeiro topo de gama do ano tem destes inconvenientes. No entanto, não é algo que prejudique a performance do equipamento. A bateria é de 3.300 mAh, tem uma RAM de 4GB e a memória interna começa nos 32 GB, podendo ser aumentada através de um cartão de memória.

Um corpo elegante, fácil de ter nas mãos. As duas câmaras são o principal foco do equipamento

O G6 tem duas câmaras principais de 13 megapíxeis cada e uma frontal de cinco megapíxeis. É aqui que ganha pontos, já que a segunda câmara traseira é uma grande angular, que permite captar uma área maior sem termos de nos afastar do que queremos fotografar – por isso dizemos que é uma segunda câmara que faz sentido. Mas já lá vamos.

O sensor de impressões digitais, situado na traseira do equipamento, é extremamente rápido e desbloqueia o smartphone com um rápido encostar do dedo. Como não podia deixar de ser, este é um equipamento resistente à água e poeiras, com certificado IP68.

Viver com o G6

Espera-se de um topo de gama ser capaz de responder a todas as necessidades do dia a dia, seja para tirar fotografias ou fazer vídeos, jogar ou trabalhar. O G6 mostrou estar à altura do desafio. O processador é mais do que suficiente para qualquer jogo e tarefa em modo multitasking.

As câmaras são um ponto de destaque neste equipamento. O sensor de impressões digitais é muito rápido e está bem posicionado

Este é um equipamento muito confortável, encaixa muito bem na mão e, para quem manda muitas mensagens, é “um mimo” – assim que trocar o teclado original que não se mostrou muito capaz de acompanhar uma escrita rápida. Recomendamos o Gboard, da Google.

O ecrã QHD, apesar de não ser AMOLED, conta com grandes contrastes e cores vibrantes conseguindo resultados muito bons no que toca à reprodução multimédia. É pena que exista apenas uma coluna, na parte inferior, o que torna a experiência menos imersiva.

Duas câmaras que valem a pena

Este é o ponto onde o LG G6 se destaca de muitos smartphones da concorrência. As duas câmaras traseiras de 13 megapíxeis foram bem pensadas para oferecer mais opções ao utilizador. A principal tem um ângulo de captura de 71º e uma abertura f/1.8. A segunda aumenta o ângulo de captura para os 125º mas perde na abertura, que passa a ser f/2.4. Apesar desta diferença, os resultados pouco ou nada diferem.

11 fotos

A câmara frontal é outra surpresa presente no G6. Apesar de ser apenas uma tem também a possibilidade de fotografar em modo wide angle. Assim, a LG permite que o utilizador inclua mais informação do local onde se encontra ou que tire uma selfie com um grande grupo de amigos, sem deixar ninguém de fora.

Uma bateria generosa

Os smartphones topo de gama têm a fama de se aguentarem apenas um dia sem precisarem de carga. Na nossa experiência com o G6, numa utilização moderada, conseguimos alcançar dia e meio sem grandes problemas.

Os 3.300 mAh foram muito bem geridos pela LG de forma a que o smartphone não gaste demasiada energia. Neste caso, apesar de a utilização ser moderada, estivemos com o Always On Display sempre ligado – funcionalidade que permite ter alguma informação sempre presente no ecrã de bloqueio.

Em baixo podemos encontrar um microfone, uma entrada USB-C e a coluna

O G6 vem equipado com carregamento rápido, indo dos zero aos 100% em cerca de 1h40 – o tempo de carregamento varia consoante a utilização do equipamento durante o processo de carga.

Veredito

Sem dúvida que a LG conseguiu redimir-se do “flop” que foi o G5. Este é um equipamento grande mas que fica bem na mão, pensado para tirar um maior proveito do grande ecrã, com duas câmaras muito bem conseguidas e que está preparado para ser utilizado um dia inteiro sem grandes problemas.

O ecrã ocupa cerca de 80% da parte frontal do equipamento, deixando muito pouco espaço para que existam bordas laterais

As câmaras conquistaram-nos por completo. A grande angular permite fotografias diferentes e com resultados muito bons. A principal consegue resultados de topo, com cores saturadas e excelentes contrastes.

Curiosamente, este equipamento deixou-nos a pensar se, de facto, iríamos preferir ter um Samsung Galaxy S8 ou um LG G6 como smartphone pessoal, o que diz muito daquilo que a LG nos apresentou este ano.

Parece que a LG aprendeu com os seus erros e chegou ao mercado, de novo, com toda a força para se destacar da concorrência pela positiva.

O preço do LG G6 é de 750 euros.