Começa esta segunda-feira mais um Mobile World Congress (MWC), a maior feira de telemóveis do mundo que é um local de grandes promessas. Ao longo dos anos foram várias as ideias que subiram ao palco e que foram prometidas como uma grande inovação mas, a verdade é que muitas dessas ideias acabaram por ficar a meio caminho. Reunimos alguns exemplos (a ordem é aleatória).

LG G5 (2016)

Os módulos ainda são um problema

A LG foi a primeira marca de topo a criar um smartphone diferente daquele a que as pessoas estão habituadas. O G5 foi apresentado no MWC no ano passado e prometia revolucionar o mercado, uma vez que permitia encaixar determinados componentes externos no smartphone para lhe proporcionar características mais elevadas: um módulo que lhe acrescentava mais bateria, melhor ergonomia e um botão de zoom e disparo semelhante ao de uma câmara fotográfica; e um outro que melhorava a qualidade de áudio através dos auriculares.

https://www.youtube.com/watch?v=3zMKsZH5g9A

Além destas características, era dos poucos topo de gama que continuava a apostar nas baterias removíveis, sendo que, cada vez que o utilizador queria trocar um módulo tinha de retirar a bateria e, por sua vez, desligar o smartphone. O G5 tinha ainda duas câmaras que funcionavam em separado: uma de 16 megapixeis e outra de oito megapixeis, que permitia captar uma área maior da fotografia por ter um wide angle.

Este produto tinha muito para oferecer, o problema é que não foi capaz de se destacar no mercado. Talvez devido à maneira pouco convencional de colocar os módulos – através de um encaixe na parte inferior – ou, porventura, à pouca importância ou diferenciação dos dois módulos disponíveis, o que é certo é que não cativou utilizadores.

HP Elite x3 (2016)

Um projeto com o destino traçado

Não é novidade que o Windows Phone não foi um produto que tenha tido sucesso – tem menos de 1% da cota de mercado. A Nokia tentou, a Microsoft também, mas simplesmente faltou desenvolvimento (e marketing) para poderem competir com a Google e com a Apple. Portanto, este HP Elite x3, ao ser lançado com o sistema operativo Windows, estaria destinado a não ser relevante para o mercado.

https://www.youtube.com/watch?v=BV9Ea70d7jI

A ideia principal era criar um smartphone que, através de uma ligação especifica, seria capaz de se tornar num computador. Até podia ser algo bom e prático para muitos utilizadores, mas ter um smartphone com poucas apps é algo que ninguém quer. A oferta da HP prometia ser um três em um – o poder de um computador, a versatilidade de um tablet e as capacidades de um smartphone de topo – infelizmente, isso não se verificou e, depois da apresentação, quase caiu no esquecimento.

MeeGo (2010)

O concorrente do Android e iOS que nunca teve hipóteses

Numa tentativa da Nokia para concorrer com os sistemas Android e iOS e, numa tentativa lançar um produto diferente, surgiu o sistema operativo MeeGo. Unindo forças com a Intel, foi desenhado para ser um sistema operativo em notebooks, desktops, tablets, smartphones e até para ser integrado em smartTVs. A verdade é que apenas o Nokia N9 recebeu o MeeGo e, em 2011, foi anunciado que o projeto seria descontinuado.

O preço elevado do hardware da Intel, aliado à falta de interesse demonstrada por outras marcas de smartphones, levou a que o MeeGo não chegasse muito longe, apesar do entusiasmo com que foi apresentado. A Nokia acabou, mais tarde, por passar a ser parte da Microsoft e a Intel dedicou-se ao Android e ao Tizen da Samsung.

LG Optimus 3D (2011)

A ideia estava lá, faltou a performance

Um smartphone capaz de reproduzir e gravar conteúdos em 3D sem óculos especiais. A ideia chamou a atenção de muitas pessoas e parecia ser um projeto promissor, mas não correu bem. O Optimus 3D tinha uma performance muito baixa, ângulos de visão restritos e pouca autonomia. Três fatores que fizeram com que o smartphone não se tornasse um sucesso de vendas ou inspirasse outras marcas a seguir o exemplo.

A marca ainda chegou a lançar o LG Optimus 3D Max, mas a ideia acabou por ser abandonada apenas dois anos após a apresentação.

Firefox OS (2013)

Mais um sistema operativo que ficou pelo caminho

Na apresentação do Firefox OS a Mozilla prometeu smartphones baratos e com um sistema alternativo ao das grandes empresas. A ideia seria oferecer a possibilidade de qualquer pessoa conseguir ter um smartphone, já que o preço seria reduzido e as características técnicas, também.

Três anos após o seu lançamento, a marca informou os programadores sobre os planos para terminar com o suporte do sistema operativo. A ideia era boa, mas o interesse foi pouco.

Blackberry PlayBook (2011)

O primeiro e último

Num altura em que a Blackberry ainda tinha uma certa influência no mercado, a empresa decidiu arriscar e lançar um tablet com um sistema operativo próprio. Prometeram um poder de processamento elevado, funcionalidades multitasking, câmara traseira e frontal (uma novidade, à época, num tablet) e esperava conseguir alcançar grandes números de vendas.

Depois de chegar às mãos de consumidores, a Blackberry viu um grande número de pessoas a dar um feedback pouco positivo ao PlayBook. As queixas prendiam-se na falta de um cliente de email e da fraca autonomia da bateria. A empresa apresentou valores superiores a um milhão de dólares em equipamentos que não foram vendidos, desistindo então do mercado dos tablets.

ASUS PadFone (2012)

Tanta potencialidade que ficou pelo caminho

A ASUS quis fazer um tudo-em-um. O conceito do PadFone era um misto de equipamentos: o smartphone contava com um encaixe especifico num ecrã melhor, transformando-o num tablet de 10.1 polegadas capaz de interagir com uma caneta própria. Por sua vez, esse “tablet”, poderia ser encaixado num teclado que lhe proporcionava uma autonomia maior e o transformava num género de computador portátil com sistema Android.

https://www.youtube.com/watch?v=Rrh_EwFaZ7I

Chegaram a existir outras versões: PadFone 2 (2012), PadFone Infiniti (2013), PadFone X e S(2014), no entanto, depois de 2014 a marca não voltou a lançar mais nenhum modelo deste três-em-um. Um grande problema, além do preço (500€), era que não se conseguia utilizar os acessórios em separado. Ou seja, o tablet só existia se o smartphone estivesse encaixado, ou seja, o consumidor parecia estar a comprar dois produtos quando era apenas um.