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Samsung Galaxy S8. Um grande ecrã num pequeno corpo

A Samsung lançou para o mercado o Galaxy S8 e S8 Plus, dois topo de gama que conseguem incorporar grandes ecrãs num corpo mais pequeno. Testámos os dois e comparámos com o Galaxy S7 Edge.

HENRIQUE CASINHAS / OBSERVADOR

Autor
  • Miguel Videira Rodrigues

O ano passado não foi fácil para a Samsung. Os problemas com as baterias do Galaxy Note 7 mexeram muito com a empresa sul-coreana, que se viu pressionada a lançar um topo de gama que fosse capaz de surpreender e ganhar de novo a confiança dos consumidores. É dentro deste conceito que surge o Galaxy S8 e S8+ (Plus), os novos topo de gama da empresa que vieram tentar revolucionar o mercado uma vez mais.

Quando comparado com os outros equipamentos que se encontram no mercado, o S8 consegue distinguir-se com um simples olhar graças ao novo conceito “infinity display” que a Samsung usa e que tira proveito dos já conhecidos ecrãs curvos – que agora ocupam quase toda a parte frontal do equipamento.

Samsung dá tudo por tudo para criar um topo de gama

Um topo de gama precisa sempre das melhores características possíveis e, neste ponto, a Samsung não poupou esforços e colocou tudo o que conseguiu num único equipamento. Um ponto muito positivo destes smartphones é que a única diferença, a nível de características, é mesmo na questão do tamanho do ecrã e do equipamento.

No interior podemos encontrar o mais recente processador Exynos 8895 – o primeiro processador de 10nm que, segundo a empresa, permite um desempenho 10% superior ao modelo anterior e mais 20% de economia de energia -, 4GB de memória RAM, leitor de íris e de impressão digital, reconhecimento facial e memória interna a partir dos 32 GB (com capacidade de expansão, através de cartão de memória). A câmara traseira é de 12mp, com tecnologia dual pixel – cada pixel regista o dobro da informação – e com uma abertura de f/1.7, ao passo que a frontal é de 8 mp.

A traseira do equipamento é também em vidro e, apesar de tudo, continua a ser um autêntico íman de dedadas

O ecrã curvo, que é o grande ponto de destaque do equipamento, ocupa quase a totalidade da parte frontal do smartphone e tem 5,8 polegadas, no S8, e 6,2 polegadas, no S8+, com um formato mais esticado de 18,5:9 (o normal é 16:9) que permite ver mais informação sem precisar de fazer scroll. Com o ecrã curvo aperfeiçoado a Samsung deu-lhe o nome de Infinity Display, devido à maior curvatura e à diminuição do aro metálico em torno do smartphone, que acabam por transmitir uma sensação de que o ecrã dá a volta ao equipamento.

Os dois equipamentos são resistentes à água e a poeiras (IP 68) e estão equipados com uma bateria de 3000 mAh (S8) e 3500 mAh (S8+). Como quase não tem rebordos, o tradicional botão home foi substituído por um sensor de pressão, implementado no ecrã, que emite uma pequena vibração quando pressionado.

Os preços mais baixos do S8 e do S8+ são 820 euros e 920 euros, respetivamente.

Um companheiro para o dia a dia

Apesar do tamanho generoso dos dois ecrãs, este equipamento foi desenhado de maneira a tornar-se confortável quando o seguramos e até mesmo para ser utilizado com uma só mão. O ecrã Super AMOLED oferece uma qualidade de imagem superior, já habitual na empresa sul-coreana. O corpo mantém os materiais do modelo anterior, vidro e metal, mas com um aperfeiçoamento que passa a sensação de que é tudo uma única peça.

Os dois equipamentos são bastante confortáveis na mão conseguindo ter um corpo ergonómico apesar dos ecrãs acima da média

O processamento não tem nada que se possa apontar. São equipamentos topo de gama que não podiam falhar e, de facto, estão à altura das expectativas, correndo jogos como o Breakneck sem um único “engasgo”.

Porém, os problemas com as dedadas vieram para ficar e, mesmo sendo um pouco mais resistente, não consegue deixar de ficar completamente marcado com a utilização diária.

Uma nova cara para a TouchWiz

A TouchWiz é a “máscara” desenvolvida pela Samsung que é aplicada por cima do Android e que, ao longo dos anos, não tem sido o ponto que mais agrada aos utilizadores. Nos S8 a empresa decidiu fazer uns quantos ajustes e tornou tudo mais minimalista e polido – ajustado ao sistema.

A interface foi otimizada e apresenta agora um aspeto mais limpo, simples e minimalista

Estes ajustes ajudam a que o processamento de informação se torne mais fluído e, claro, visualmente mais agradável com os novos ícones mais simples.

O som fica para os auriculares

Não se sabe bem porquê, mas a Samsung decidiu manter a saída de som apenas por uma coluna situada na parte inferior do smartphone. Não é que o som seja mau (porque não é) mas continua a ter o mesmo problema que os restantes modelos – é facilmente abafado pela mão quando colocamos o telemóvel na horizontal.

Neste aspeto teria sido bom se a empresa tivesse optado por utilizar a coluna das chamadas para criar um efeito mais envolvente.

No entanto, nem tudo é mau neste campo. A acompanhar o smartphone estão uns auriculares da AKG que conseguem oferecer uma qualidade de som acima do normal neste tipo de acessórios. Não é muito dado aos graves, mas é um toque agradável tendo em conta o preço do equipamento.

A mesma câmara mas com melhores resultados?

Um dos aspetos que mais deu que falar foi o facto de a Samsung ter optado por manter a mesma câmara de 12 mp que já tinha no modelo anterior, o S7. Mas já vimos que não são o megapíxeis que fazem uma câmara e a gigante sul-coreana preferiu dar um toque no sensor em vez de mudar tudo.

As diferenças não são muitas, mas consegue-se perceber que existe uma melhoria nos resultados finais. As cores são um pouco mais vivas quando são o ponto forte da imagem e, por norma, o S8 consegue resultados ligeiramente mais claros.

A câmara frontal foi onde sentimos a maior diferença, com uma resolução maior, graças aos oito megapíxeis, as selfies conseguem um pouco mais de detalhe e, no geral, a qualidade de imagem também foi melhorada. Com as lentes de grande angular é possível enquadrar mais pessoas numa fotografias sem problemas e, mesmo em ambientes mais escuros, os resultados continuam a ser bons.

Mil e uma maneiras de desbloquear o equipamento

A Samsung não quis deixar nada de fora e então implementou no S8 várias maneiras de desbloquear o smartphone: leitor de íris, leitor de impressões digitais, reconhecimento facial e, os já tradicionais métodos do Android – pin, padrão e palavra passe.

O sensor de impressões digitais esteve, até ao momento, implementado no botão home na parte frontal do equipamento e, sem esse mesmo botão, a Samsung teve de o passar para a parte traseira como muitas outras marcas fazem. O local escolhido não foi, de todo, o melhor. O sensor passou a estar situado mesmo ao lado da câmara fotográfica, tornando-se difícil de alcançar (em especial no modelo maior) e levando a que, muitas vezes, o dedo fosse parar em cima da câmara e não do sensor.

O sensor de impressões digitais não está bem situado tornando-se difícil de aceder

Mas, por outro lado, percebemos porque é que a impressão digital não foi uma grande preocupação para a Samsung. O reconhecimento facial mostrou-se bastante capaz e rápido a desbloquear o smartphone, conseguindo reconhecer o utilizador mesmo não estando a olhar diretamente para o equipamento. Fizemos o teste e com várias fotografias e não foi possível desbloquear o equipamento.

O leitor de íris é tão rápido que raramente se consegue ver esta zona da imagem em que indica onde devem estar colocados os olhos do utilizador

O leitor de íris é, a nosso ver, o melhor método de segurança disponível. Além de funcionar muito bem e de forma extremamente rápida, não requer que se tenha o smartphone levantado ao nível da cabeça, basta mesmo olhar para o sensor, seja em locais bem iluminados ou apenas com a luz da televisão. Apesar das recomendações da marca, o sensor não teve qualquer problema em analisar a íris em momentos em que o utilizador estava com lentes de contacto ou com óculos (sendo que os óculos só criavam problemas quando estavam com reflexos).

O maior problema na leitura de íris foi notado nos dias com mais sol que, ao incidir diretamente no equipamento, tornava a leitura difícil ou mesmo impossível.

Hello Bixby!

A empresa sul-coreana decidiu que o S8 seria o equipamento ideal para introduzir a Bixby, a assistente virtual criada pela própria Samsung. Apesar de ainda estar numa fase muito inicial, existe já um botão dedicado na lateral esquerda do equipamento que leva o utilizador diretamente para o painel da assistente.

Esta funcionalidade, de momento, parece apenas um Google Now com uma interface diferente, funcionando também à base de cartões com informações variadas. Os comandos de voz não estavam ainda disponíveis, pelo que esta funcionalidade se tornou apenas mais uma “coisa” para encher a memória.

O botão da Bixby está situado logo abaixo dos botões de volume e, na nossa opinião, ainda é algo desnecessário

Uma funcionalidade associada à Bixby que achamos que pode vir a ter um impacto maior está relacionada com as aplicações de imagens da Samsung. Tanto na câmara como na galeria existe agora um botão dedicado que permite à assistente analisar a imagem, detetar determinado objeto e apresentar sugestões ao utilizador com base no local ou no próprio objeto.

Autonomia dentro do esperado

No campo das baterias a Samsung já se tinha queimado uma vez e agora decidiu jogar pelo seguro. Em comparação ao S7 e ao S7 Edge não houve qualquer melhoria neste campo, o S8 mantém os 3000 mAh e o S8+ desceu de 3600 mAh para os 3500 mAh. No entanto, isto são só números.

Como era esperado, a Samsung apostou no USB-C e mantém o carregamento rápido, capaz de carregar a bateria dos 0 aos 100 em menos de duas horas

Apesar do ecrã maior (que equivale a um consumo de energia superior) a gestão energética foi muito bem feita por parte da empresa sul-coreana, levando os dois equipamentos a aguentar, sem qualquer problema, um dia inteiro de utilização moderada.

Com o mesmo tipo de utilização o S8+ chega sempre ao final do dia com um pouco mais de energia que o modelo mais pequeno.

S8 vs S7 Edge – vale a pena o upgrade?

O Galaxy S7 e S7 Edge foram lançados há um ano e, até há pouco tempo, ainda foram promovidos pela Samsung e continuavam com um preço elevado que correspondia a um smartphone topo de gama. Entretanto, com a chegada do S8, começa a surgir a dúvida: será que vale a pena passar do S7 para o S8?

Como foi possível verificar, a câmara fotográfica não é, de todo, um fator de peso nesta decisão. A memória RAM é a mesma e o aspeto exterior é semelhante – claro que o S8 é mais elegante e tem um aspeto um pouco mais bonito. A grande diferença está no processador, que no S8 recebeu um bom upgrade e consegue velocidades consideravelmente melhores que o S7 Edge. No entanto, não é algo que se note no dia a dia e, por agora, também não afeta os jogos.

O modelo do ano passado não fica muito atrás dos novos S8 e S8+

A autonomia pode ser dos pontos mais fracos nesta comparação, uma vez que o S7 Edge, já com um ano de utilização, tem algumas dificuldades em chegar ao final do dia com bateria suficiente, enquanto que os novos modelos aguentam sem problemas mais umas horinhas.

Contas feitas, o resultado é…

Sem dúvida que estamos perante um equipamento topo de gama. As aplicações voam, o design agrada à vista e o ecrã dispensa comentários – pronto, só um: UAU!. A câmara fotográfica mantém-se muito boa, como já se sabia do modelo anterior, e as novas medidas de segurança não tiveram qualquer problema durante os testes, assim como a bateria que se mostrou bastante capaz.

Um grande destaque para o leitor de íris que, mesmo em ambientes muito pouco iluminados, funcionou sempre sem grandes problemas e com uma grande rapidez, ao ponto de esquecermos que existem outros métodos de desbloqueio.

Claro que nem tudo é perfeito, como é o caso do leitor de impressões digitais que, além de mal colocado, acaba por não ser tão preciso na leitura. Também as dedadas por todo o equipamento fazem com que este perca um pouco a sua elegância, um problema que não vai além das aparências, claro.

O som emitido pelo S8 e pelo S8+ é bom, mas a posição da coluna não favorece o equipamento. Sentimos que, pelo preço que pagamos, a Samsung poderia ter colocado duas saídas de áudio para proporcionar um ambiente mais envolvente ao assistir um vídeo ou durante um jogo. No entanto, os auriculares da AKG são um bom extra oferecido pela marca.

Os três equipamentos apresentam grandes semelhanças entre si mas também diferenças consideráveis

Quanto ao modelo anterior, o S7, continua a ser um excelente equipamento e, na nossa opinião, quem comprou recentemente este equipamento não tem qualquer necessidade em fazer o upgrade para o S8. As diferenças entre os dois modelos não compensam um novo investimento de valor tão elevado. Claro que, se for o caso de ainda estar indeciso sobre qual deles vai comprar (apesar de ficar bem servido com os dois) deve optar pelo modelo mais recente pela simples razão de, a longo prazo, poder conseguir aguentar-se por um pouco mais de tempo.

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