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Na terça-feira, a última ronda feita por militares aos 20 paióis de Tancos foi feita perto das 20h00 e a primeira de quarta-feira só aconteceu às 16h00. Ao todo, foram 20 as horas que os paióis estiveram sem ser vigiados, precisamente na noite e madrugada em que o roubo de material de guerra teve lugar, noticia, este domingo, o jornal Público.

No sábado, em entrevista à RTP, o Chefe do Estado-Maior do Exército, Rovisco Duarte, garantiu que entre rondas passaram “seguramente” menos de 24 horas, sem detalhar o lapso temporal que as mediou.

O responsável explicou ainda que as normas existentes “não referem a periodicidade das rondas”. “Sabe-se de quanto em quanto tempo são feitas no final de cada turno de serviço quando é feita a passagem do serviço. Fica ao critério do comandante de secção fazer o seu planeamento ao longo das 24 horas.”

O General Rovisco Duarte assumiu que esse é um ponto que tem de ser alterado, no sentido das normas mencionarem a periodicidade das rondas. Apesar dessa correção que será feita, o responsável do Exército garantiu que “o grau de ameaça prevista não nos impunha nenhum reforço da segurança. O Exército achava suficiente a equipa que fazia rondas periódicas”, mesmo com um sistema de videovigilância que não funcionava há dois anos e uma vedação deteriorada.

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O Observador enviou perguntas ao Ministério da Defesa e ao porta-voz do Exército mas não obteve respostas até ao momento.

Vedação esteve a ser reparada por uma empresa privada há um mês

Também a edição deste domingo do DN dá conta de um outro aspeto relacionado com o tema: uma empresa privada esteve a trabalhar até ao mês passado na vedação em torno dos paióis de Tancos. A empresa de construção civil em causa é a Corifa e a data do contrato é de dia 30 de novembro do ano passado.

Uma fonte política, que pediu anonimato, disse ao DN que a adjudicação daquela obra a uma empresa privada foi logo vista pelo Exército como “uma quebra de segurança”. A oposição vai aproveitar as idas do ministro da Defesa e do Chefe de Estado Maior do Exército ao Parlamento para esclarecer esta e outras questões.

O Chefe do Estado-Maior do Exército, Rovisco Duarte, avançou na noite de sábado que decidiu exonerar cinco comandantes para que não houvesse “entraves às averiguações”, mas este domingo o porta-voz do Exército já veio esclarecer que essas exonerações são temporárias, até haver uma conclusão das três averiguações lançadas na sequência do roubo.

Foram ainda tomadas medidas de reforço à segurança física dos paióis, como, por exemplo, o aumento do número de militares envolvidos na segurança física das instalações e o aumento da frequência das rondas móveis motorizadas e apeadas, informou o porta-voz do Exército, Vicente Pereira, através de comunicado, na noite de sábado.

O Exército anunciou, na quinta-feira, que tinha sido detetada na quarta-feira a violação dos perímetros de segurança dos Paióis Nacionais de Tancos e o arrombamento de dois ‘paiolins’, tendo desaparecido 44 lança-granadas, quatro engenhos prontos a detonar, 120 granadas e 1.500 munições de 9 mm.

O Correio da Manhã detalha que entre o material roubado há lança-granadas foguete LAW, com capacidade para abater helicópteros, e ainda 57 quilos de explosivo plástico PE4A.