Pizzi teve a melhor temporada da carreira em 2016/17: fez 52 jogos, marcou 13 golos, ganhou Primeira Liga e Taça de Portugal, foi eleito o Melhor Jogador do Campeonato. Mas nem teve tempo para respirar: foi para a Seleção, casou com Maria Luís Barros num dia de folga, fez a Taça das Confederações na Rússia, partiu de lua-de-mel para a Tailândia e voltou na semana passada aos trabalhos com o restante plantel do Benfica.

Ficha de jogo

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Arsenal-Benfica, 5-2

1.ª jornada da Emirates Cup (competição particular)

Emirates Stadium, em Londres (Inglaterra)

Arsenal: Ospina; Holding (Chambers, 46′), Mertesacker, Kolasinac; Nelson (Oxlade-Chamberlain, 73′), Coquelin (El Nenny, 35′), Xhaka, Maitland-Niles (Monreal, 73′); Walcott (Özil, 73′), Giroud e Iwobi (Lacazzette, 73′)

Treinador: Arsène Wenger

Benfica: Júlio César; Aurélio Buta, Luisão, Jardel (Lisandro López, 46′), Eliseu (Grimaldo, 60′); Filipe Augusto, Pizzi (Rúben Dias, 73′), Salvio, Cervi (Rafa, 60′); Jonas (Chrien, 60′) e Seferovic (Raúl Jiménez, 73′)

Treinador: Rui Vitória

Golos: Cervi (11′), Walcott (24′ e 33′), Salvio (39′), Lisandro López (51′, p.b.), Giroud (64′) e Iwobi (70′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Eliseu (28′)

Bastaram 45 minutos do jogo com o Arsenal para se perceber o que não era complicado ver: há uma linha que separa o Benfica desta pré-temporada e o melhor Benfica. E é uma linha curta, com cinco letras. Chama-se Pizzi. Que enquanto existe, mantém a equipa no melhor; e que quando deixa de existir, sobretudo contra uma equipa de maior valia, desequilibra por completo o onze e leva mesmo à goleada, como aconteceu.

O internacional português é um autêntico pêndulo que consegue estabilizar o meio-campo e potenciar a frente de ataque. Mesmo tendo Filipe Augusto e não Fejsa como ‘6’ (sendo que o brasileiro é mais forte a construir de trás mas perde para o sérvio a nível de recuperações e posicionamento), mesmo tendo de atuar em zonas mais recuadas face ao que é normal pelas linhas mais altas dos gunners, tudo passou pelos seus pés. E foi também daí que nasceu o primeiro golo encarnado, na primeira iniciativa com perigo dos encarnados.

Giroud, aos quatro minutos, tinha deixado o primeiro aviso na área do Benfica, com Júlio César a fazer uma saída pouco ortodoxa mas eficaz a evitar o golo do francês. Na resposta, foi a equipa nacional a marcar: grande passe de Pizzi para as costas da defesa londrina (a jogar com apenas três defesas), amortecimento de cabeça de Jonas para trás e remate certeiro de Cervi, ainda a tocar nos pés de Mertesacker (11′).

https://www.youtube.com/watch?v=bL0gSCooaSg

O Benfica jogava bem e ia conseguindo controlar as investidas do Arsenal. Nem sempre conseguia sair em transições rápidas como está no ADN da equipa desde que Rui Vitória assumiu o comando, em 2015, mas tinha o setor defensivo estabilizado. Até que, apenas em dez minutos, os gunners passaram para a frente com um bis de Walcott: primeiro, aproveitando um erro de Pizzi a proteger a bola na linha de fundo, Kolasinac cruzou rasteiro e o internacional inglês só teve de encostar (24′); depois, na melhor jogada do encontro, a empurrar sozinho na área para o 2-1 no seguimento de um passe de Coquelin pelo lado direito da defesa encarnada (33′).

https://www.youtube.com/watch?v=xX9dd7U_SWk

https://www.youtube.com/watch?v=6ohiSKzR4Ho

Mas o jogo estava mesmo frenético. Não foi sempre um hino ao futebol, mas tinha intensidade, qualidade, verticalidade. E o Benfica não demorou até chegar ao empate com que se iria atingir o intervalo: já depois de uma grande defesa de Ospina a remate de Pizzi (35′), os encarnados voltaram a conseguir pressionar alto junto da defesa contrária, Pizzi roubou a bola, Jonas assistiu (a meias com Mertesacker) e Salvio apontou o 2-2 (39′).

https://www.youtube.com/watch?v=YO_ewVwpNAg

No segundo tempo, mantiveram-se a chuva e os golos, mas acabou Pizzi. E acabando Pizzi, acabou o Benfica, que começou a somar uma série de erros defensivos até ser goleado pelo Arsenal por 5-2.

Lisandro López, aos 52′, voltou a recolocar os gunners na frente com um lance infeliz onde desviou para a própria baliza um cruzamento de Walcott. Mas esse seria apenas um dos vários erros que a defesa encarnada iria somar nos derradeiros 45 minutos, numa fase onde se começava a sentir o desgaste físico do internacional português a meio-campo, sendo incapaz de carregar jogo como tinha feito na primeira parte.

https://www.youtube.com/watch?v=SuavIrSuWEQ

A quebra dos encarnados era evidente (Walcott falhou o hat-trick sozinho na área, aos 57′) e Rui Vitória, tentando potenciar o melhor jogador da equipa, colocou Chrien para voltar a ganhar o meio-campo ao lado de Filipe Augusto e soltar Pizzi para terrenos um pouco mais adiantados. No entanto, pouco depois, seria o Arsenal a alargar a vantagem no marcador, com Giroud a responder da melhor forma ao segundo poste a um cruzamento de Nelson (64′).

Pizzi, quem mais, ainda conseguiu ameaçar duas vezes a baliza de Ospina, mas os jogadores encarnados já preferiam jogar na expetativa para tentar evitar o erro e foi perante essa passividade que surgiu o último golo do encontro, por intermédio de Iwobi, numa jogada onde nenhum defesa foi capaz de sair na bola (70′).

https://www.youtube.com/watch?v=wKI2OLHCmYI

https://www.youtube.com/watch?v=nrrb5Yn49r4