O Santander Totta obteve um aumento de 16,7% dos lucros no primeiro semestre, para 228,9 milhões de euros. O banco liderado por António Vieira Monteiro ganhou mais 5% em comissões — 166,5 milhões –, “fruto da maior vinculação e transacionalidade dos clientes”. O produto bancário e a margem financeira caíram, fruto de “reajustamentos ocorridos na carteira de títulos de dívida pública”.

A informação foi apresentada esta terça-feira por António Vieira Monteiro e pela equipa de administradores do banco. O banco destacou a redução dos custos operacionais em 9% e a melhoria do rácio de crédito em risco, que baixou para 4,46%.

A travar os resultados estiveram os lucros menores com negociação de dívida pública (menos 40% para 53,6 milhões de euros, neste semestre), que contribuíram para que a margem financeira do banco tenha descido 8,3% para 338,4 milhões de euros. Vieira Monteiro explicou que houve menos venda de dívida pública, o que fez com que os resultados tenham sido menores, nas condições de mercado existentes.

“Temos um banco que está a fazer o seu percurso, um percurso cada vez mais pensado nos clientes”, afirmou António Vieira Monteiro, adiantando que os clientes já receberam um total próximo de 10 milhões de euros em cashbacks no novo programa “1,2,3”, que quer facilitar pagamentos como de compras impostos, via verde etc.

O crédito sobe apenas 0,6%, para uma carteira de 33 mil milhões de euros no segundo trimestre de 2017, com menos atividade na área empresarial, sobretudo. “Os pedidos de crédito não têm sido muitos”, diz Vieira Monteiro, lembrando que o crescimento do crédito foi baixo ou negativo em todos os bancos do sistema. Mas “é natural que no próximo trimestre a situação possa ser diferente”, adianta o presidente executivo do Santander Totta.

Quem quer crédito? A banca tem os “cofres cheios”

O Santander Totta, questionado sobre o processo de venda do Novo Banco, defende que “as várias soluções que têm sido apresentadas para o Novo Banco e que pesam no Fundo de Resolução, gostaríamos que pesasse menos”, diz Vieira Monteiro, repetindo que gostaria que a Lone Star tivesse comprado 100% do Novo Banco e o Fundo de Resolução não ficasse como sócio”.

Sobre a compra do Banco Popular, Vieira Monteiro lembra que o banco espanhol foi comprado pelo Santander espanhol e que há uma série de autorizações (Concorrência Europeia, BCE, com parecer favorável) que têm de chegar antes de haver uma fusão. “Até lá, vamos entrando no banco à medida das várias autorizações que hão de vir”, diz Vieira Monteiro, adiantando que provavelmente irão encontrar “algumas imparidades” na operação do Banco Popular e, aí, haverá uma política de “provisionamento robusto” e vendas de crédito.

António Costa diz que lesados do Banif confiaram num sistema que os aldrabou

Vieira Monteiro indignou-se, também, com a questão dos hoje chamados “lesados do Banif”: “aquando da apresentação de propostas do Banif, que pressupunha a compra de 100%, o Santander previa o pagamento aos obrigacionistas. Mas, depois, por decisão pública, esses clientes ficaram no Banif. E o Estado tinha 60% do banco, tinha lá administradores, porque é que o Banif há de pagar por aquilo que não decidiu?”