Caso José Sócrates

Escutas a Vara. Mais revelações sobre plano para controlar os media

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Escutas feitas em 2009, quando Vara era administrador do BCP e Sócrates primeiro-ministro, divulgadas pelo jornal Sol, mostram tentativas de influenciar linha editorial e negócios no setor dos media.

As escutas publicadas pelo Sol são de conversas que Armando Vara teve com Joaquim Oliveira em setembro de 2009

MIGUEL A. LOPES/LUSA

Escutas feitas a Armando Vara, quando era administrador do BCP em 2009, revelam novos pormenores sobre um alegado plano de pessoas próximas de José Sócrates, então primeiro-ministro, para controlar a comunicação social.

O jornal Sol divulga novas escutas feitas em setembro de 2009, quando estava no auge a polémica sobre a tentativa de compra da TVI pela Portugal Telecom. O jornal recorda que as escutas intercecionadas na investigação do caso Face Oculta, pela qual Vara foi condenado, relativas a negócios na área dos media, acabaram por não conduzir à abertura de um inquérito, por decisão do então Procurador-Geral, Pinto Monteiro. Agora, acrescenta o Sol, estas escutas podem ajudar os procuradores da Operação Marquês a provar a capacidade de influência do ex-primeiro ministro, através de pessoas da sua confiança, como Armando Vara.

Uma das escutas centra-se em outro grupo de comunicação Social, a Controlinveste, então dona do Diário de Notícias, JN e TSF. O Sol publica um excerto de uma conversa entre Armando Vara e Joaquim Oliveira, presidente da Controlinveste, em que o ex-dirigente do PS mostra descontentamento em relação a uma manchete prejudicial ao então primeiro-ministro.

“Bela manchete para a causa… F…-se. Pá”, é uma das frases atribuídas a Armando Vara, que reagia a um título, feito com base num relatório da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico), onde se dizia que Portugal era um dos países que menos investiam em crianças. Nesta conversa realizada pouco antes das eleições legislativas, Joaquim Oliveira terá garantido que o jornal era favorável ao Governo de José Sócrates. E quando Vara sugere o afastamento do então diretor do DN, João Marcelino, o dono da Controlinveste lembra que tal ficaria muito caro.

À data desta conversa, Armando Vara era vice-presidente do BCP, o principal credor bancário de Joaquim Oliveira.

Para além da tentativa da PT de comprar 30% da TVI — numa altura em que a estação era considerada hostil a José Sócrates por causa da cobertura do caso Freeport — o Sol refere mais conversas em que Armando Vara discute outros grupos de comunicação social. Do outro lado estava Rui Pedro Soares, então administrador da Portugal Telecom, e um dos homens envolvidos no negócio da TVI.

São feitas referências ao papel que a Ongoing de Nuno Vasconcellos poderia assumir como investidora em empresas do setor, como o reforço da posição na Impresa de Pinto Balsemão, dona do Expresso e da SIC, e até a compra do jornal Público.

A Ongoing, que iria a entrar em conflito com Pinto Balsemão por causa da Impresa, ainda chegou a fazer um acordo com a Prisa para comprar 30% da Media Capital, depois da PT sair de cena. O negócio não foi para a frente porque o grupo de Vasconcellos não conseguiu vender as ações que tinha na empresa concorrente, dona da SIC. A dona do Diário Económico acabou por ir para a insolvência em 2015, depois do colapso do banco e grupo Espírito Santo, um dos seus maiores financiadores.

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