O escândalo nacional em torno do sistema de doping nacional implementado na Rússia, que foi denunciado pelo ex-diretor do Centro Anti-Doping em Moscovo, Grigory Rodchenkov, e negado pelas autoridades governamentais do país, continua a dar que falar. “Os futebolistas da seleção russa também beneficiaram da maquinaria da dopagem estatal”, admitiu James Walden, advogado e porta-voz de Rodchenkov ao El Confidencial.

Com Rodchenkov ao abrigo de um programa de proteção de testemunhas nos Estados Unidos, as declarações de Walden, uma das poucas pessoas que conhece o paradeiro do químico, têm um peso especial numa altura em que a FIFA tenta apurar se, no seguimento da exclusão de atletas russos dos Jogos Olímpicos de Verão no Rio de Janeiro, em 2016, e do Comité Olímpico da Rússia dos Jogos Olímpicos de Inverno, em fevereiro, também haveria alguma ligação com a equipa anfitriã do próximo Campeonato do Mundo de futebol.

FIFA diz que teve acesso a novas revelações sobre doping russo

Recorde-se que, depois das revelações de Rodchenkov (que teve de deixar o país), a Agência Mundial Anti-Doping caracterizou o sistema descrito como algo “sem precedentes pelo seu alcance, com uso sistemático e centralizado”, uma ideia sempre negada pelas autoridades governamentais russas incluindo o presidente Vladimir Putin. Vitaly Mutko, atual vice-primeiro ministro para o Desporto, foi descrito como um dos elementos que sabia tudo o que se passava, tal como os próprios serviços secretos.

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“Creio que o Comité Olímpico Internacional e a Rússia fecharam um acordo privado que pareceu sério visto de fora, mas que foi mais do que aceitável por parte do país”, referiu Walden a propósito da exclusão russa dos próximos Jogos Olímpicos de Inverno.

“O nome que vai ser atribuído não é absolutamente neutral e é muito provável que se conceda a possibilidade de participarem na cerimónia [de abertura] debaixo da bandeira do país”, comentou ainda, a propósito do nome de “Atletas Olímpicos da Rússsia” que será utilizado em Pyeongchang.

Grigory Rodchenkov. O químico que virou “Garganta Funda” e tramou o desporto russo

Apesar das declarações do presidente Gianni Infantino, que defendeu que “o doping russo nunca manchará o Mundial”, a verdade é que a FIFA começa também a seguir o assunto. “Constou-me que a Agência Mundial Anti-Doping acaba de nomear um advogado para gerir as relações entre nós e as federações desportivas, incluindo a FIFA, e que esta instituição tem várias perguntas”, referiu, confirmando uma primeira tentativa de contacto recente por parte do órgão que tutela o futebol mundial.