Amor

Há séculos que o coração (e o amor) se desenha assim

113

A investigadora Marilyn Yalom foi à procura das origens do formato do coração. Descobriu que a forma como o desenhamos hoje surgiu na Idade Média com o mesmo propósito: simbolizar o amor.

Getty Images/iStockphoto

É a casa do amor. Quer seja desenhado, esculpido ou ganhe forma com o modo como colocamos as mãos. Quando aparece, ninguém duvida do que significa: desde a Grécia e da Roma Antiga que o desenho do coração simboliza o amor. Mas como chegou ao formato simétrico que conhecemos e desenhamos?

Hoje, todos sabemos qual é o formato do coração humano, mas no século II ninguém fazia ideia. Nessa altura, o médico grego Galen chegou à conclusão de que o coração — órgão do corpo humano que batia mais depressa quando as pessoas se apaixonavam — tinha o formato de uma pinha, conta a investigadora Marilyn Yalom, da Universidade de Stanford, no Wall Street Journal, que escreveu o livro “O coração amoroso: uma história não convencional de amor”.

Esta visão da pinha durou até à Idade Média, altura em que o desenho do coração começou a representar visualmente o que era o amor (e o que era amar).

As primeiras ilustrações do coração surgiram por volta do ano 1250, numa alegoria francesa chamada “O Romance da Pêra”. Nesta alegoria o coração aparecia com uma forma parecida à de uma pinha, de uma beringela ou de uma pêra, com a extremidade estreita apontada para cima e a parte mais larga apoiada numa mão humana.

Noutra ilustração esculpida em marfim num espelho, por volta de 1.300, aparece um homem a ajoelhar-se perante uma mulher e a oferecer-lhe o coração enquanto levantava um aro grande acima da sua cabeça. Cinco anos depois, o artista italiano Giotto também pintou a virtude teológica da “caridade” ou do “amor” numa capela em Pádua, desenhando uma mulher a levantar o seu coração em direção a uma figura de barba que se acredita ser Cristo ou Deus.

Apesar de simbolizarem o amor, os desenhos destes corações ainda não tinham a forma que conhecemos hoje. Só no início do século XIV é que evoluíram e é no livro “Documento do Amor” que vemos, pela primeira vez, corações simétricos amarrados ao pescoço de um cavalo, explica a investigadora. Em cima do cavalo está a figura do Cupido, com as setas numa mão e um ramo de rosas na outra. O Cupido corre vitorioso com os corações em que acertou, deixando para trás uma fileira de indivíduos que foram atingidos pelo amor.

Em 1340, num manuscrito que se chama “O Romance de Alexander”, uma mulher levanta um coração simétrico com dois lóbulos claramente desenhados, que recebeu de um homem que está à sua frente. Desde esta altura que o coração estilizado se impôs em páginas de manuscritos, mas também em tapeçarias ou peças de joalharia. Mesmo quando os primeiros médicos conseguira ver qual era a verdadeira forma do coração humano, os artistas e artesãos permaneceram fiéis à forma simétrica com os dois lóbulos, a mesma que conhecemos hoje.

Dr. Yalom, investigador da Universidade de Stanford que escreveu o livro “O coração amoroso: uma história não convencional de amor”, diz que a durabilidade do desenho do coração se pode dever à sua forma:o facto de duas metades formarem uma figura apenas traduz na perfeição a ideia platónica do amor e da busca pela alma gémea.

Mais inconscientemente, e a um nível menos etéreo, talvez o seu sucesso tenha a ver com a evocação subtil que faz aos peitos e nádegas do corpo humano”, lê-se no ensaio publicado no Wall Street Journal.

Os séculos vão passando, mas o formato do coração mantém-se como símbolo do amor. “Hoje, o coração estilizado que simboliza o amor reina supremo no mundo todo. Pode ser apenas uma metáfora, mas também serve bem como símbolo universal daquilo que é o mistério do amor”, explica a investigadora.

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Mar

Bruno Bobone: «do medo ao sucesso»

Gonçalo Magalhães Collaço

Não, Portugal não é uma «nação viciada no medo» - mas devia realmente ter «medo», muito «medo», do terrível condicionamento mental a que se encontra sujeito e que tudo vai devastadoramente degradando.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)