A conferência de imprensa de Rui Vitória tinha acabado poucos minutos antes quando Luís Filipe Vieira ocupou o lugar principal na sala de imprensa do estádio da Luz. O semblante era carregado, antes de um pequeno aparte sorrindo para os jornalistas enquanto dizia que tinha de beber água para, depois sim, começar a falar. Foi assim que aconteceu, mas rapidamente o tom mudou: na sequência de todas as notícias que têm vindo a público, desta vez a propósito sobretudo da operação e-toupeira, o presidente do Benfica deu um murro na mesa.

“Quero fazer uma pequena comunicação a todos os benfiquistas e dizer a todos que nunca, mas nunca, nunca, tanto eu como a minha direção manchámos a honra ou a dignidade do Benfica. Aquilo que se tem passado nos últimos tempos, e que é sobejamente conhecido, é um ataque sem precedentes em Portugal de que fomos vítimas. Violaram todo o nosso espaço e privacidade, violaram anos e anos de uma empresa com dimensão mundial e infelizmente, até hoje, nada sucedeu e nada sabemos”, começou por apontar o número 1 encarnado.

“Quero também dizer que as denúncias anónimas funcionaram para o Benfica com um aparato muito especial. Fomos vítimas de visitas às nossas casas, tanto eu como mais algumas pessoas, que tenho alguma dificuldade em compreender… É um aviso para todos os benfiquistas, que devem ter noção exata daquilo que nos fizeram pela incompetência que tiveram. Ou seja, não nos conseguem defrontar pela competência que todo o Benfica e a sua estrutura profissional têm e a única maneira para nos vencer foi manchar o nosso nome. O principal objetivo é recuperar toda a credibilidade, somos ou éramos uma referência no mundo do futebol mas temos a nossa marca manchada. Manchada porque, neste país, não há algo que permita a que as pessoas se defendam. O direito do sigilo não houve para o Benfica, havia casos até que chegavam antes do que as próprias autoridades”, lamentou Luís Filipe Vieira, a propósito das buscas nos casos dos emails, da operação Lex e da operação e-toupeira.

“Os benfiquistas devem estar unidos, muito, muito unidos porque alguns têm feito o jogo dos adversários. Estou muito determinado, nada tememos e vamos enfrentar tudo até às últimas consequências. Não posso pensar que alguma vez possa haver na justiça ‘clubite’, nunca poderei pensar nisto. Quem nos fez mal está identificado, exigimos um tratamento igual e exigimos que vão às casas de quem têm de ir e é bom que o façam definitivamente. Não queremos o nosso nome manchado, queremos libertar-nos rapidamente do que está a suceder e a única coisa que pedimos à justiça é que seja célere porque todos aqueles que mancharam o nosso nome têm de ser criminalmente bem penalizados. O Benfica hoje é um clube super invejado em Portugal, é o único que tem futuro e projeto em todas as vertentes. Ao longo dos últimos 18 anos, o Benfica cumpriu com todo o sistema financeiro, com os seus atletas, com os seus fornecedores, respeitou os prazos sempre. Sempre disse que, quando saísse, entregava o clube aos benfiquistas com orgulho para as novas gerações que o iam receber”, prosseguiu o presidente encarnado.

“Quem colocar mais em causa o nome do Benfica, vamos agir criminalmente, seja contra administradores, seja contra jornalistas, seja contra a marca. Acabou a paródia que tem sido instalada neste país à conta do Benfica. Venderam-se muitos jornais, tiveram muitas audiências mas a partir de segunda-feira o Benfica tem um gabinete de crise montado para responder a estes ataques, venham de onde vierem. É inconcebível o que fizeram à marca do Benfica. Que os benfiquistas se unam à volta do clube e os que fazem o jogo dos nossos adversários tenham vergonha porque no dia certo também vamos desmascarar alguns deles. O Benfica é de todos nós e, numa altura de crise, todos nós temos de estar juntos no Benfica. Não é o Luís Filipe, não é o Paulo, não é o António nem é o Joaquim, é o Benfica”, concluiu o presidente encarnado, na fase mais exaltada da conferência.