Milhares de pessoas voltaram a sair à rua em Espanha para protestar contra a sentença judicial decretada para cinco jovens que se identificavam como “A Manada” e que violaram uma jovem de 18 anos nas festas de San Fermín. Este sábado foi o terceiro dia consecutivo de protestos, tendo a manifestação em Pamplona, cidade onde ocorreu o crime, reunido cerca de 35 mil pessoas.

O tribunal decidiu condenar os cinco jovens pelo crime de abuso sexual e não pelo crime de agressão sexual (que inclui a condenação por violação), tendo inclusivamente um dos juízes votado pela absolvição. A justificar a decisão, os magistrados de Navarra consideraram que os arguidos, com idades entre os 27 e os 29 anos, não atuaram com violência nem intimidação — condição necessária para condenar pelo crime de agressão sexual, segundo o Código Penal espanhol.

A indignação generalizada com a sentença tem levado a uma série de protestos por toda a Espanha, que levaram inclusivamente o Governo de Mariano Rajoy a admitir rever a legislação sobre casos de violação.

As críticas à decisão judicial — os cinco homens foram condenados a 9 anos de prisão e ao pagamento de 50 mil euros de indemnização à vítima — têm surgido de todo o lado, inclusivamente de onde menos se espera. Esta semana, 16 freiras Carmelitas de um convento em Hondarribia, no País Basco, deram conta da sua solidariedade para com a vítima: “Vivemos em reclusão, vestindo um hábito que nos tapa até aos tornozelos. Não saímos à noite, não vamos a festas, não bebemos álcool e fizemos um voto de castidade. E porque esta foi uma escolha nossa livre, defendemos o direito a todas as mulheres poderem fazer o contrário de FORMA LIVRE, sem serem julgadas, violadas, ameaçadas, mortas ou humilhadas”, escreveram as religiosas numa publicação no Facebook.

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Nosotras vivimos en clausura, llevamos un hábito casi hasta los tobillos, no salimos de noche (más que a Urgencias), no…

Posted by Patricia Carmelitas Hondarribia Noya on Thursday, 26 April 2018