Os maiores construtores de automóveis japoneses decidiram fazer uma tréguas na batalha sem quartel a que tradicionalmente se entregam para comercializar mais carros do que o vizinho. Mais do que isso, em vez de gastar milhões a desenvolver uma tecnologia que os colocasse em vantagem face aos concorrentes, optaram por fazer uma “vaquinha” para ajudar a desenvolver o mais rapidamente possível um novo tipo de bateria, mais eficaz do que as actuais, conhecidas como iões de lítio.

A tecnologia em causa é a das baterias sólidas, solução que apresenta vantagens brutais face às que todos os eléctricos utilizam hoje em dia e que passa por oferecerem maior densidade energética, ou seja, mais capacidade de acumular energia por unidade de volume. Como se isto não bastasse, são ainda mais baratas, têm menos peças e são mais simples de fabricar, além de não utilizarem electrólito líquido, mas sim sólido, o que evita as fugas em caso de acidente grave,com forte deformação do veículo, que podem provocar incêndios.

Em vez do electrólito líquido das baterias tradicionais, as baterias sólidas recorrem a um electrólito sólido, potencialmente um vidro

Segundo o Nikki Asian Review, a Nissan, a Honda e a Toyota vão juntar os seus esforços aos fabricantes de baterias nipónicos, como a Panasonic e a GS Yuasa, e trabalhar em conjunto no Lithium-Ion Battery Technology and Evaluation Center (LIBTEC), para apressarem a produção em série das baterias sólidas, conscientes que isso lhes pode dar uma vantagem competitiva face aos restantes. E o Governo japonês junta-se ao LIBTEC, patrocinando a pesquisa com o equivalente a 12,2 milhões de euros.

Segundo os responsáveis do LIBTEC, é perfeitamente possível ter uma bateria que garanta 550 km de autonomia já em 2025, valor que pode ascender a 800 km cinco anos mais tarde. O LIBTEC recorda ainda que o investimento em novas tecnologia é determinante, pois se as empresas japonesas controlavam cerca de 70% do mercado dos automóveis alimentados por bateria em 2013, em 2016 detinham apenas 41%, tendo sido ultrapassados pela China e Coreia do Sul, situação que não melhorou desde então, bem pelo contrário.