Cinema

Filho de Woody Allen volta a falar sobre o pai — e menciona Donald Trump

Ronan Farrow, jornalista e filho biológico de Woody Allen, acredita que a eleição de Donald Trump foi vista como um regresso ao tempo em que as histórias sobre abuso sexual não eram ouvidas.

Stephen Lovekin/Getty Images for HBO

“Ele é o meu pai, casado com a minha irmã e isso faz de mim o seu filho e o seu cunhado. É uma enorme transgressão moral.” Foi assim que Ronan Farrow, o filho biológico do cineasta Woody Allen e Mia Farrow, voltou a falar sobre o caso do alegado abuso sexual de Allen a Dylan Farrow, filha adotada do casal.

Numa entrevista para o jornal britânico The Guardian, no âmbito do lançamento do seu livro War on Peace, onde aborda a diminuição da influência diplomática norte-americana, Farrow diz que existem várias provas de que Woody Allen esteve “envolvido num padrão em relação a mulheres menores de idade” e que essas provas estão nos documentos descobertos pelo jornal Washington Post.

Woody Allen nunca foi formalmente acusado de qualquer crime. Na altura das acusações, um grupo de especialistas indicados pela justiça realizou uma investigação, mas não encontrou evidências que confirmassem os alegados abusos sexuais por parte do cineasta. Ronan Farrow relembrou que a irmã “avançou com uma alegação muito difícil contra um homem poderoso, que guardou consigo durante anos, mas que sentiu a necessidade de falar”.

O jornalista referiu também que a eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos foi vista por algumas pessoas, especialmente mulheres, como um “regresso a um tempo em que este tipo de histórias não eram ouvidas” e afirmou que, ao mesmo tempo, o cenário político atual “aumentou a frustração dos sobreviventes que finalmente sentiram que tinham de falar”, acrescentou ao jornal britânico.

Além de estar do lado da sua irmã em relação a Woody Allen, Ronan Farrow esteve também envolvido numa investigação sobre Harvey Weinstein, um dos mais conhecidos produtores de cinema, no âmbito de uma acusação de mais de uma década de assédios sexuais em Hollywood. A história resultou num prémio Pulitzer e despoletou o movimento #MeToo.

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