G7

Presidente do Conselho Europeu rejeita regresso da Rússia ao G7 e critica Trump

O líder europeu afirmou que a ordem mundial "é desafiada não pelos suspeitos do costume, mas, de forma surpreendente, pelo seu principal arquiteto e garante, os Estados Unidos".

VASSIL DONEV / POOL/EPA

Autor
  • Agência Lusa

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, rejeitou esta sexta-feira a ideia de Donald Trump de fazer regressar a Rússia ao grupo das sete nações mais industrializadas (G7), criticando também o presidente dos EUA por “desafiar” a ordem mundial.

“É isso que me inquieta mais, é ver que a ordem mundial, baseada em regras comuns, é desafiada não pelos suspeitos do costume, mas, de forma surpreendente, pelo seu principal arquiteto e garante, os Estados Unidos”, disse o líder europeu.

Tusk, que participa na reunião que decorre esta sexta-feira e sábado no Canadá, sinalizou também o desacordo com a proposta de Donald Trump de fazer regressar a Rússia ao G7, criticando-o por desafiar a ordem mundial.

Pelo contrário, o novo primeiro-ministro de Itália, Giuseppe Conte, concordou com a proposta, escrevendo no Twitter: “Concordo com o Presidente Donald Trump. A Rússia devia voltar ao G8, no interesse de todos”.

A coligação populista de Conte em Itália inclui o partido de extrema-direita La Liga, que diz que as sanções à Rússia por causa da Ucrânia prejudicam as exportações italianas, e o seu presidente, Matteo Salvini, classificou o líder russo como um grande estadista.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu esta sexta-feira o regresso da Rússia ao encontro anual do G7, introduzindo mais um fator de tensão às reuniões.

“Porque é que estamos a ter uma reunião sem a Rússia na reunião”, questionou o líder norte-americano, acrescentando: “Eles deviam deixar a Rússia voltar porque devíamos ter a Rússia na mesa de negociações”. A proposta de Donald Trump introduz mais um fator de tensão numa reunião que já está marcada pelos comentários críticos feitos pelos líderes da França e do Canadá sobre as medidas protecionistas avançadas pelos EUA.

A Rússia foi afastada destas reuniões no seguimento da anexação da Crimeia, em 2014, sendo que a investigação sobre a existência de ligações entre a equipa de Donald Trump e as autoridades russas que possam ter influenciados as eleições de 2016 continua em curso nos EUA.

O Presidente de França, Emmanuel Macron, ameaçou esta sexta-feira deixar os EUA de fora do tradicional comunicado final da reunião do G7 devido à guerra comercial provocada pela imposição norte-americana de tarifas. “O Presidente dos Estados Unidos pode não se importar de ficar isolado, mas nós também não nos importamos de assinar um acordo a seis países se for preciso”, disse Macron durante uma conferência de imprensa conjunta com o primeiro-ministro canadiano, anfitrião da reunião do G7.

As declarações de Macron são o mais recente episódio na guerra comercial lançada por Donald Trump com o propósito de proteger a produção norte-americana, nomeadamente no aço e alumínio, cujas tarifas aduaneiras foram aumentadas, motivando uma retaliação de vários países.

Na conferência de imprensa, o primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau, disse que as medidas restritivas às importações vão prejudicar, não só os canadianos, mas também os trabalhadores norte-americanos: “Se eu conseguir fazer o Presidente [dos EUA] realmente perceber que o que ele está a fazer é contraproducente aos seus próprios objetivos, talvez possamos prosseguir de forma mais inteligente”, vincou Trudeau.

A participação de Donald Trump no G7, a sua segunda nesta reunião anual que decorre desde 1975, é o ponto alto do encontro, que começou com a habitual reunião preparatória dos ministros das Finanças dos sete países, e que foi descrita pelo ministro das Finanças de França como “uma reunião mais do G6 mais um do que propriamente do G7”.

Donald Trump vai chegar à estância canadiana esta sexta-feira, mas deixará o país logo no sábado de manhã, antes de o encontro terminar, para rumar a Singapura, onde na terça-feira deverá encontrar-se com o seu homólogo norte-coreano, Kim Jong-un, tendo anunciado a sua saída precoce da reunião depois de Macron e Trudeau terem sinalizado que vão usar o encontro para criticar a política protecionista de Trump.

“Estou ansioso por corrigir os Acordos Comerciais injustos com os países do G7”, respondeu Trump numa mensagem na rede social Twitter esta manhã, acrescentando: “Se isso não acontecer, ainda nos saímos melhor”.

Na resposta às críticas de Trudeau e Macron na conferência de imprensa, Trump escreveu: “Por favor digam ao primeiro-ministro Trudeau e ao Presidente Macron que estão a cobrar tarifas massivas e a criar barreiras não monetárias. O excedente comercial da UE face aos EUA é de 151 mil milhões de dólares, e o Canadá mantém os nossos agricultores, e outros, de fora. Estou ansioso por vê-los amanhã [hoje]”.

Esta será a segunda participação de Trump no G7, um encontro informal que acontece todos os anos com uma presidência rotativa do Canadá, França, Itália, Japão, Alemanha, Estados Unidos e Reino Unido, com a presença também da União Europeia, e que tem também previstos encontros bilaterais entre Trump e vários líderes, incluindo Trudeau e Macron.

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