De um lado, o Conselho Diretivo diz que tem uma Assembleia Geral marcada para dia 17 e que a outra, de dia 23, não existe; do outro, a Mesa demissionária garante que tem uma Assembleia Geral marcada para dia 23 e que a outra, de dia 17, não é legal. Pelo meio, surgiu um dos poucos pontos que ninguém pode colocar em causa: a apresentação do orçamento, algo que, de acordo com os estatutos, tem de ser apresentado e votado até dia 30 de junho. E o documento, que o Observador consultou, feito pela Direção liderada por Bruno de Carvalho, traz algumas surpresas, nomeadamente o crescimento das receitas a nível de quotização (sócios), bilhética (gamebox e entradas individuais no Pavilhão) e patrocínios no Sporting para o exercício de 2018/19 num contexto de grave crise institucional que está a assolar não só o clube mas também, ou sobretudo, SAD.

“Este orçamento prevê para o clube um resultado operacional positivo de 1.165.591€, com um resultado líquido igualmente positivo de 38.213€. Em termos de cash flow operacional é estimado um saldo anual negativo de 839.521€ e um cash flow líquido também negativo de 2.828.279€. Este cash flow negativo é fruto do investimento previsto nas modalidades e do reforço do património do Sporting Clube de Portugal coberto pelos valores disponíveis em caixa”, resume o documento, assinado com a data de 30 de maio pelos sete membros da Direção, no seu início, antes da apresentação do programa de atividades.

Logo na apresentação das receitas operacionais para o exercício, são referidos os três grandes pontos de crescimento: as quotizações, com um aumento estimado a rondar os 10% perante uma percentagem global de sócios pagantes de 54%; as inscrições para as modalidades, “uma vez que se considera que esta é uma área com potencial de crescimento”; e a publicidade e patrocínios que, contrariando as saídas de alguns parceiros que estavam ligados às modalidades durante a crise institucional que o clube atravessa, também vai crescer com “patrocínios angariados e por angariar”, de acordo com o documento.

Em termos práticos, e nos cerca de 3,2 milhões de euros previstos de crescimento da receita, a quotização tem o maior peso (cerca de 1,2 milhões a mais ao último exercício), seguido da publicidade e patrocínios (subida de quase um milhão de euros) e da recuperação de gastos (610 mil euros). O ponto “Visitas e eventos” vai também subir mais do dobro em relação a 2017/18, passando de 200 mil para 410 mil euros. Apenas duas rubricas descem a nível de entradas no orçamento que será apresentado aos sócios no próximo domingo: as vendas e assinaturas do Jornal Sporting e os subsídios.

Em paralelo, e no que toca aos gastos, também quase todos os pontos vão subir, com especial destaque para os honorários (que passam de 8,4 milhões para quase 9,8 milhões de euros) e para as rubricas “Recuperação de gastos do Grupo” (mais 570 mil euros, que dizem respeito a “gastos recuperados junto do SCP relativos a contrapartidas de patrocínios obtidos pelo clube, 665.710€, e a equipamentos desportivos das diversas modalidades, 70.183€, tendo ainda uma parcela de valores referentes a gastos clínicos) e “Deslocações e Estadas” (mais 505 mil euros). Aqui, apenas três divisões vão baixar nos custos: a organização de jogos, a limpeza e os outros fornecimentos e serviços externos.

O documento acaba com o parecer da Comissão de Fiscalização liderada por Subtil de Sousa, que foi indicada pela Comissão Transitória da Mesa presidida por Elsa Tiago Judas, que por sua vez foi escolhida pelo Conselho Diretivo chefiado por Bruno de Carvalho. E aqui voltamos ao problema com que começámos o texto: confirmando-se o que ficou expresso na providência cautelar apresentada pela Mesa que foi indeferida na passada sexta-feira, Jaime Marta Soares é o presidente demissionário do órgão, pelo que a Comissão de Fiscalização “válida” é aquela que nomeou tendo Henrique Monteiro como coordenador. No meio disto, também a votação do orçamento do Sporting ficará dependente de ratificação ou não dos tribunais.