O realizador iraniano Asghar Farhadi disse este sábado que o novo filme, “Todos lo Saben”, foi realizado em Espanha porque precisava de se “desafiar, testar o gosto e as capacidades” depois de várias obras rodadas no Irão.

Em Espinho a participar no FEST — Festival Novos Realizadores Novo Cinema, o cineasta de 46 anos tem estado a apresentar o novo filme, “Todos lo saben”, com Penélope Cruz, Ricardo Darín e Javier Bardém a liderar o elenco. A história segue Laura, uma mulher espanhola que regressa ao país após morar em Buenos Aires com o marido e os filhos antes de a viagem sofrer “um revés que abre a porta a segredos inesperados”.

Segundo Farhadi, que esteve em Espanha 13 meses para rodar o novo filme, além de várias viagens, há um “tabu” sobre “quando um realizador vai trabalhar com outras culturas e outras línguas”.

Eu preciso deste desafio, de testar o meu gosto e as minhas capacidades. Tentei fazer este filme como os meus outros anteriores. (…) Por vezes, encontro uma boa história e decido que tenho de lá ir”, explicou o realizador, em entrevista coletiva a vários órgãos de comunicação social.

O filme nasceu em visitas a Málaga e Las Palmas, e foi “uma sorte” ter sido realizado em solo espanhol, uma vez que isso só aconteceu “10 anos depois” de ter tido “a centelha” que acabou por originar a ideia. O realizador de 46 anos já recebeu dois Óscares de Melhor Filme Estrangeiro, primeiro em 2012, por “Uma Separação”, e depois em 2017, por “O Vendedor”.

Farhadi é um dos nomes mais premiados entre os convidados e intervenientes do festival, que conta ainda com o norte-americano Roman Coppola ou a italiana Gabriella Cristiani na 14.ª edição, que arrancou na segunda-feira e se estende até à próxima segunda. Estes nomes estiveram envolvidos no programa de formação “Training Ground” com o realizador iraniano a considerar este um certame “muito especial”.

Este tipo de festivais está muito próximo do que é o cinema. Os outros, os grandes festivais, são muito bons para promover filmes, mas estes eventos, que funcionam quase como uma pequena universidade, com jovens estudantes, são muito bons para os cineastas”, considerou.

Farhadi saltou para a proeminência fora de portas com “About Elly”, filme de 2009 antes de se tornar o primeiro iraniano a vencer o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2012, por “Uma Separação”, também nomeado para Melhor Argumento.

Seguiu-se “The Past”, em 2013, antes de “O Vendedor”, de 2016, lhe ter dado um prémio em Cannes, festival em que estreou, para Melhor Argumento, além de um segundo Óscar, que não recebeu em pessoa, estando ausente da cerimónia em protesto.

O iraniano recusou-se a comparecer na 89.ª gala da Academia devido ao então recente anúncio de uma ordem executiva por parte do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que visava impedir a entrada de cidadãos de países do Médio Oriente, entre eles o Irão, medida entretanto revogada e substituída pela administração norte-americana.