Google

Há centenas de programadores que lêem os emails que milhões de pessoas escrevem no Gmail

Uma investigação do The Wall Street Journal concluiu que há centenas de programadores externos à Google que acedem aos emails trocados por milhões de pessoas no serviço de email da empresa.

A investigação do jornal teve por base entrevistas a mais de duas dúzias de funcionários (antigos e atuais) de empresas de apps móveis e de análise de dados

MIGUEL RODRIGUES / OBSERVADOR

Os emails trocados por milhões de utilizadores do Gmail estão a ser lidos por outras empresas, avançou o Wall Street Journal na segunda-feira. Apesar de há um ano a Google ter garantido que tinha parado de aceder às caixas de entrada deste serviço de email, a tecnológica continua a deixar que centenas de programadores de software externos à empresa o façam, através de programas de computador ou dos próprios funcionários.

Uma das empresas que tem acedido às mensagens trocadas por utilizadores do Gmail é a Return Path Inc., que recolhe dados para entregar a marketeers. Para isso, só esta empresa acede aos emails de mais de dois milhões de pessoas que utilizaram a sua conta de email da Google, Microsoft ou Yahoo para se registarem numa das apps gratuitas que existem na rede de parceiros da empresa. Como está, há outras empresas.

No caso da Return Path, há programas que analisam cerca de 100 milhões de emails por dia sem pedirem permissão aos utilizadores, explica o The Wall Street Journal. A empresa alega que a prática está abrangida pelo acordo que estabelecem com utilizadores. A Google, por sua vez, afirma que apenas cede dados aos programadores externos que foram autorizados e a quem os utilizadores deram explicitamente permissão para aceder aos emails.

Em reação à investigação, a responsável pela segurança e privacidade da Google Cloud, Suzanne Frey, escreveu um texto no blogue da empresa, no qual explica que a empresa permite que outros programadores integrem a plataforma do Gmail para que os utilizadores tenham mais opções sobre como aceder e usar o email e reafirma que não é prática da empresa ler a correspondência trocada pelos utilizadores.

Trabalhamos continuamente para avaliar os programadores e as aplicações que se integram no Gmail antes de lhes darmos acesso geral, e oferecemos aos administradores de empresas e aos utilizadores empresariais transparência e controlo sobre como os seus dados estão a ser utilizados”, afirmou.

Depois, a responsável explica que os utilizadores podem verificar que permissões deram às aplicações que não pertencem à Google e cancelá-las, se assim o entenderem. “Manter os vossos dados seguros é a nossa máxima prioridade, por isso queremos explicar como funciona o nosso processo de admissão e controlo das contas das empresas e utilizadores”, lê-se.

Garantindo que não processam conteúdo de emails para para a indústria da publicidade e que não são compensados pelo programadores que acedem à plataforma, Suzanne Frey explica que a publicidade que é mostrada a cada utilizador do Gmail não está baseada no conteúdo dos emails

A prática do processamento automático tem causado alguma especulação de que diz de forma errada que a Google “lê” os vossos emails. Para ser absolutamente clara: ninguém na Google lê o vosso Gmail, exceto em casos muito específicos em que nos é pedido ou dado esse consentimento, ou para questões de segurança, como investigações a erros ou abusos que foram cometidos”, diz.

O Gmail é o principal serviço de correio eletrónico, com mais de 1,4 mil milhões de utilizadores. Quase dois terços dos utilizadores de email ativos do mundo têm conta no serviço de email da Google. O acordo que os programadores têm de aceitar para aceder à plataforma proíbe a exposição dos dados privados de um utilizador “sem consentimento explícito desse usuário”.

As polémicas com o serviço de Gmail começaram com o programa da empresa que acedia às mensagens dos utilizadores e vendia publicidade de acordo com o conteúdo. Em 2004, 31 grupos de utilizadores enviaram uma carta para os fundadores da empresa, Larry Page e Sergey Brin, na qual escreviam que esta prática “violava a confiança implícita de um servidor de email”.

Entre 2010 e 2016, a gigante enfrentou pelo menos três processos judiciais: foi acusada de violar a legislação das escutas telefónicas. Num deles, chegou a acordo e os outros dois foram retirados. A investigação do jornal teve por base entrevistas a mais de duas dúzias de funcionários (antigos e atuais) de empresas de apps móveis e de análise de dados.

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