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Mundial 2018

O bigode que virou talismã, o extintor que deixou Deschamps de pijama e uma namorada saída dos filmes: a história de Rami

Rami não jogou qualquer minuto no campeonato do mundo ganho pela França, mas saiu da Rússia cheio de histórias para contar, com um bigode que tão depressa não lhe sairá da cara e... Pamela Anderson.

AFP/Getty Images

Autor
  • Fábio Ferreira Lima

A França sagrou-se campeã do mundo, 20 anos depois, com várias figuras a assumirem um papel preponderante na conquista gaulesa, desde Griezmann, dono de golos e assistências indispensáveis ao triunfo, ao jovem Mbappé, revelação da prova e desequilibrador francês por natureza, até Lloris, autor de defesas que quase valeram mais do que alguns golos. Mais discreto para o espetador comum, mas também com uma palavra a dizer neste título, é Adil Rami: o central do Marselha não realizou qualquer minuto no Mundial, mas, de certa forma, foi peça importante da conquista francesa.

Tudo começou com Griezmann e aquele que se viria a tornar o bigode mais famoso de França — o de Rami, pois claro. Terminada que estava a fase de grupos, a Argentina era o adversário dos oitavos e toda a sorte do mundo era bem vinda. Vai daí, Griezmann puxou dos galões da superstição e arranjou o seu próprio amuleto da sorte: antes de todas as partidas, iria mexer no bigode de Rami. O ritual deu sorte ao avançado do Atlético de Madrid, uma das estrelas da competição, com quatro golos apontados.

Griezmann, Rami e um ritual que se repetiu até à conquista do campeonato do mundo. Ninguém acredita em bruxas, mas que as há… (Créditos: Getty Images)

Didier Deschamps não quis ficar atrás e seguiu o gesto de Griezmann, dando o mote para que todo o plantel participasse num ritual tão simples quanto supersticioso. “O Griezmann tocava no bigode antes dos jogos e até o treinador o fazia só para dar sorte”, confessou Rami em declarações à francesa TF1, já com o troféu de campeão do mundo nas mãos. “Já é o bigode mais famoso de França. Vou mantê-lo”, atirou o central do Marselha, que, aos 32 anos e após 35 internacionalizações anunciou o abandono da seleção gaulesa, com zero minutos cumpridos no Mundial, mas um título de campeão no bolso.

E a estadia de Rami na Rússia até esteve perto de terminar mais cedo devido a uma brincadeira que correu mal e acabou por deixar Didier Deschamps de pijama na rua, a meio da noite. O episódio remonta a 30 de Junho, dia em que os franceses levaram a melhor sobre a Argentina (4-3) e carimbaram o acesso aos quartos da prova, onde defrontariam o Uruguai, e tem como protagonistas Adil Rami, um extintor de incêndio e toda a restante comitiva francesa.

“Estávamos num restaurante e acabámos por voltar ao hotel, cerca das quatro da manhã. Éramos uns quinze e começámos a cantar pelo hotel. Estava um ambiente de total loucura”, começa por revelar Adil Rami, que, a certo ponto, decidiu abandonar a festa: “Fui mais cedo para o meu quarto, meti os headphones e comecei a jogar Fortnite. Entretanto, percebi que, nos corredores, os meus companheiros andavam a cantar e a entrar nos quartos para virar os colchões ao contrário. Percebi que se estavam a aproximar de onde eu estava, olhei para o lado e vim um extintor“, conta o central.

Daí para a frente, a brincadeira descontrolou-se e Rami acabou a fazer de bombeiro com pouco jeito. “Abri a porta e o Mendy bloqueou-a com o pé, enquanto chamava os restantes jogadores. Aí, saí a correr, fui direito ao extintor e armei-me em ‘caça-fantasmas’. De repente, havia um fumo branco por todo o lado e eu fiquei com medo porque comecei a perceber a gravidade da parvoíce que tinha feito. ‘Vou ser despedido’, pensei”, conta Rami, em declarações à TF1.

Adil Rami não contabilizou qualquer minuto no Mundial da Rússia, mas contou com um bigode que fez o seu papel e levou a França ao título (Créditos: Getty Images)

A continuidade do central na comitiva francesa não foi posta em causa, mas Rami não ganhou para o susto. “Foi uma loucura. Não sabia como funcionavam os extintores, foi preciso chegarem os seguranças e dizerem-nos que aquele fumo era tóxico. Tivemos de sair todos dali a correr, tiraram as pessoas dos quartos e fomos todos para a rua. Até os empregados do hotel lá estavam. E Didier Deschamps também, de pijama. Quando olhei para ele a vir na minha direção pensei ‘Ah, me***'”.

Talvez porque o seu bigode se tivesse tornado demasiado valioso para dispensar, Rami saiu impune deste incidente e pôde permanecer na Rússia. Ele e a sua namorada, a famosa atriz Pamela Anderson, com quem, aparentemente, se irá casar. A canadiana que saltou para as bocas do mundo depois da célebre série Baywatch, foi presença assídua na Rússia, onde assistia às atuações francesas… sem Rami em campo. Ainda assim, a atriz de 50 anos que se mudou recentemente para Marselha, assumindo a relação com o central, foi um apoio precioso do central francês que se portou mal durante o estágio mas chegou ao fim da prova como um precioso talismã. E ainda teve a oportunidade de agarrar num dos troféus mais desejados do mundo.

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