O distrito de Beja vai ter a partir de novembro uma resposta estruturada de acompanhamento e alojamento de emergência para pessoas em situação de sem-abrigo, até agora inexistente, revelou a associação Estar, a entidade promotora.
Em comunicado, a associação Estar, sediada em Beja, indicou que a decisão resulta da aprovação da candidatura do projeto “Viver” ao Programa Regional Alentejo 2030, num investimento superior a 610 mil euros.
De acordo com esta instituição particular de solidariedade social (IPSS), a nova resposta de acompanhamento e alojamento de emergência para pessoas em situação de sem-abrigo vai permitir “colmatar (uma) lacuna há muito identificada no distrito”.
“O distrito de Beja encontra-se, hoje, entre os territórios do país com maior taxa de incidência de pessoas em situação de sem-abrigo e, simultaneamente, entre aqueles em que a resposta pública de alojamento de emergência é mais limitada”, realçou a associação.
Segundo a presidente da Estar, Madalena Palma, citada no comunicado, a “aprovação do ‘Viver’ é, sobretudo, uma boa notícia para o território”, sendo “um passo que o distrito há muito pedia”.
“Durante anos, a nossa equipa de rua identificou e acompanhou pessoas em situação de sem-abrigo no distrito que, à noite, não tinham para onde ir. Agora teremos, finalmente, a possibilidade de fechar essa cadeia”, assegurou a responsável.
Para Madalena Palma, a partir do mês de novembro, será possível “identificar, acompanhar e, quando necessário, acolher com dignidade” quem se encontra nestas condições.
O projeto, que será comparticipado em 85% pelo Fundo Social Europeu Plus, terá a duração de 36 meses, iniciando-se no próximo mês e terminando em dezembro de 2029.
Segundo a Estar, o “Viver” vai permitir a constituição de equipas pluridisciplinares que assegurarão um “acompanhamento próximo e continuado de cada pessoa”, com a colocação em prática de “planos individuais de intervenção”, além de possibilitar a criação de uma Residência de Emergência e Desenvolvimento – REDE.
Esta valência irá assumir-se como uma “estrutura de acolhimento temporário com condições dignas de habitação, segurança e apoio técnico-social, enquanto se constroem, caso a caso, os percursos de autonomização dos beneficiários”, assinalou a associação.
Sem adiantar o local escolhido para albergar a REDE, a Estar afirmou que, “nas próximas semanas”, dará “início à contratação formal da operação com a Autoridade de Gestão do Alentejo 2030 e à operacionalização das equipas que executarão o projeto no terreno”.
Os dados mais recentes do Inquérito de Caracterização das Pessoas em Situação de Sem-Abrigo, consultados pela agência Lusa, dão conta de que, a 31 de dezembro de 2024, existiam 14.476 pessoas em situação de sem-abrigo a nível nacional.
As zonas de Lisboa, Alentejo e Norte eram as que concentravam mais sem-abrigo, havendo no caso específico das pessoas sem teto, que são as que vivem nas ruas, um elevado número de situações no Alentejo interior e no Algarve.
O documento indicava, ainda, que os concelhos com mais pessoas em situação de sem-abrigo por mil residentes eram Monforte (87), Mourão (68), Moura (47) e Avis (33).
Por concelho, Lisboa era de longe aquele com mais pessoas em situação de sem-abrigo, 3.122, seguindo-se o concelho de Moura (634), Porto (553), Aveiro (488) e Beja (369).
A associação Estar é uma IPSS que dá resposta a pessoas em situação de sem-abrigo, famílias em carência alimentar, mulheres vítimas de violência doméstica, pessoas em processo de reintegração social e populações migrantes recém-chegadas ao território.