Rádio Observador

Política

Nicolás Maduro escapa ileso a alegado atentado com drones

1.370

Foram usados drones equipados com explosivos, mas presidente da Venezuela escapou ileso do ataque. Sete militares ficaram feridos. Já há um movimento rebelde venezuelano a reivindicar atentado.

O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, terá sido alvo de um atentado com drones equipados com explosivos na tarde de sábado (noite em Lisboa), quando discursava perante forças militares na Avenida Bolívar, em Caracas. A versão do atentado foi avançada por vários elementos do próprio regime venezuelano, que indicaram que Maduro saiu ileso do sucedido, mas que sete militares ficaram feridos.

Numa primeira reação aos acontecimentos deste sábado, Nicolas Maduro acusou o Presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, de estar por detrás do alegado atentado contra a sua vida em Caracas.

No entanto, começaram a surgir versões que contradizem a narrativa do governo venezuelano, nomeadamente a de que uma explosão acidental num apartamento próximo do local do desfile terá sido aproveitada pelas autoridades para construir um relato de um atentado falhado e assim abrir caminho a repressão contra as forças anti-regime.

Fontes dos bombeiros ouvidas – sob condição de anonimato – pela agência de notícias norte-americana Associated Press contestam a versão oficial do governo venezuelano, afirmando que tudo não terá passado da explosão de uma bilha de gás num apartamento próximo ao local dos factos. Os Estados Unidos são opositores do regime de Nicolas Maduro, tal como era do seu antecessor e mentor, Hugo Chávez.

Jornalistas presentes no local relataram através das redes sociais que a primeira indicação que surgiu após as explosões foi a de que se tratou do rebentamento de uma bilha de gás num apartamento. Daniel Blanco, que trabalha para a Vice mas também para a Amnistia Internacional, tweetou que os Serviços Secretos venezuelanos falam agora em três drones carregados com explosivos, dos quais apenas terá rebentado. E também insiste que “é uma certeza” a explosão da bilha de gás no apartamento.

Também é certo que a polícia venezuelana começou a deter os jornalistas independentes (nomeadamente os que não trabalham para os órgãos estatais) na sequência das explosões, apreendendo câmaras e ficheiros com imagens. O Sindicato dos Trabalhadores da Imprensa da Venezuela indicou mesmo que vários operadores de câmara e jornalistas das televisões VivaPlay e da TV Venezuala (Neidy Freytes, César Diaz e Alfredo Valera) estão dados como desaparecidos. Duas horas depois das explosões, ainda não foram divulgados outros vídeos que filmem algo além do palanque em que Maduro se encontrava.

Enquanto isso, há quem reinvindique o alegado atentado

No Twitter, o movimento rebelde Soldados de Franelas, associado a grupos que contestam o regime como o Anonymous Venezuela, a Resistência Venezuela e o Equilíbrio Nacional pela Venezuela, reivindicou a autoria do alegado atentado. “A operação era fazer dois drones carregados com explosivos C-4 sobrevoarem o local em direção ao palanque presidencial. Atiradores especiais da Guarda de Honra derrubaram os drones antes de eles chegarem ao objetivo. Demonstrámos que são vulneráveis, não se conseguiu hoje mas é uma questão de tempo.”

“É assim que nós gozamos com a ditadura. É boa para matar o povo de fome mas é cobarde na hora H”, acrescentou o movimento através do Twitter.

Já Diosdado Cabello, presidente da Assembleia Constituinte da Venezuela que é composta quase unicamente por apoiantes de Maduro e que alguns países europeus (como Portugal) não reconhecem, atribuiu “à direita” a responsabilidade pelo atentado. “Compatriotas, a direita insiste na violência para tomar de assalto lugares a que não chegou através do voto. O nosso irmão, o presidente Nicolás Maduro, e as altas patentes políticas e militares saíram ilesos do atentado terrorista. Não conseguirão derrubar-nos”, escreveu, na sua conta oficial na rede social Twitter.

[Um vídeo com outro ângulo do momento em que Maduro e os oficiais reagem ao som da explosão:]

O discurso, as explosões e as reações: “Fracassaram, fracassaram novamente”

Quando a explosão aconteceu, Nicolás Maduro discursava num palanque ao ar livre na Avenida Bolívar, em Caracas, durante a celebração do 81º aniversário da Guarda Nacional do país. Ao lado estava a sua mulher, Cilia Flores, e várias altas patentes do exército venezuelano.

Além da rádio, também a televisão estava a transmitir em direto o discurso de Maduro, daí circularem imagens da reação de Maduro e dos soldados da Guarda Nacional venezuelana ao som das explosões. O som da transmissão é cortado e é visível a reação de estupefação de Maduro. De seguida, instala-se o pânico com dezenas de militares que estavam em formatura a fugirem, rompendo fileiras.

O presidente do banco público da Venezuela, Miguel Pérez Abad, corroborou que Nicolás Maduro Moros e as mais relevantes figuras da política e do exército do país saíram ilesos. Já o Ministro das Comunicações do governo venezuelano, Jorge Rodriguez, revelou que se tratou de um atentado à vida do Presidente da Venezuela e que sete militares ficaram feridos.

Todo o trabalho que foi feito na sequência permitiu estabelecer com provas de que se trata de um atentado contra a figura do presidente constitucional da República Bolivariana da Venezuela”, apontou o Ministro das Comunicações, citado pelo El Nacional.

As explosões deram-se já perto da tribuna presidencial. “Fracassaram, fracassaram novamente”, acrescentou Rodriguez.

Última atualização às 02:58 

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: gcorreia@observador.pt
Política

O país onde a política morreu /premium

Rui Ramos

As más finanças, a estagnação económica e o envelhecimento demográfico tiraram oxigénio a tudo o que relacionávamos com direita e esquerda em Portugal. Há apenas governo e oposição.

Filosofia Política

A doença mental chamada Amazónia

Gabriel Mithá Ribeiro

Resta decretar o estado de emergência climática que, na prática, se traduz no combate ao capitalismo em nome do socialismo, mas na condição daquele disponibilizar muitos mil milhões de dólares a este.

PAN

Totalitarismozinho dos anos 40 /premium

José Diogo Quintela

Este discurso da emergência climática dá muito jeito em termos políticos. Em primeiro lugar, tudo o que acontece de mal deve-se ao clima. Logo, a culpa nunca é do Governo, é de toda a humanidade.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)