O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, terá sido alvo de um atentado com drones equipados com explosivos na tarde de sábado (noite em Lisboa), quando discursava perante forças militares na Avenida Bolívar, em Caracas. A versão do atentado foi avançada por vários elementos do próprio regime venezuelano, que indicaram que Maduro saiu ileso do sucedido, mas que sete militares ficaram feridos.

Numa primeira reação aos acontecimentos deste sábado, Nicolas Maduro acusou o Presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, de estar por detrás do alegado atentado contra a sua vida em Caracas.

No entanto, começaram a surgir versões que contradizem a narrativa do governo venezuelano, nomeadamente a de que uma explosão acidental num apartamento próximo do local do desfile terá sido aproveitada pelas autoridades para construir um relato de um atentado falhado e assim abrir caminho a repressão contra as forças anti-regime.

Fontes dos bombeiros ouvidas – sob condição de anonimato – pela agência de notícias norte-americana Associated Press contestam a versão oficial do governo venezuelano, afirmando que tudo não terá passado da explosão de uma bilha de gás num apartamento próximo ao local dos factos. Os Estados Unidos são opositores do regime de Nicolas Maduro, tal como era do seu antecessor e mentor, Hugo Chávez.

Jornalistas presentes no local relataram através das redes sociais que a primeira indicação que surgiu após as explosões foi a de que se tratou do rebentamento de uma bilha de gás num apartamento. Daniel Blanco, que trabalha para a Vice mas também para a Amnistia Internacional, tweetou que os Serviços Secretos venezuelanos falam agora em três drones carregados com explosivos, dos quais apenas terá rebentado. E também insiste que “é uma certeza” a explosão da bilha de gás no apartamento.

https://twitter.com/DanielBlancoPz/status/1025910422778650624

Também é certo que a polícia venezuelana começou a deter os jornalistas independentes (nomeadamente os que não trabalham para os órgãos estatais) na sequência das explosões, apreendendo câmaras e ficheiros com imagens. O Sindicato dos Trabalhadores da Imprensa da Venezuela indicou mesmo que vários operadores de câmara e jornalistas das televisões VivaPlay e da TV Venezuala (Neidy Freytes, César Diaz e Alfredo Valera) estão dados como desaparecidos. Duas horas depois das explosões, ainda não foram divulgados outros vídeos que filmem algo além do palanque em que Maduro se encontrava.

Enquanto isso, há quem reinvindique o alegado atentado

No Twitter, o movimento rebelde Soldados de Franelas, associado a grupos que contestam o regime como o Anonymous Venezuela, a Resistência Venezuela e o Equilíbrio Nacional pela Venezuela, reivindicou a autoria do alegado atentado. “A operação era fazer dois drones carregados com explosivos C-4 sobrevoarem o local em direção ao palanque presidencial. Atiradores especiais da Guarda de Honra derrubaram os drones antes de eles chegarem ao objetivo. Demonstrámos que são vulneráveis, não se conseguiu hoje mas é uma questão de tempo.”

“É assim que nós gozamos com a ditadura. É boa para matar o povo de fome mas é cobarde na hora H”, acrescentou o movimento através do Twitter.

Já Diosdado Cabello, presidente da Assembleia Constituinte da Venezuela que é composta quase unicamente por apoiantes de Maduro e que alguns países europeus (como Portugal) não reconhecem, atribuiu “à direita” a responsabilidade pelo atentado. “Compatriotas, a direita insiste na violência para tomar de assalto lugares a que não chegou através do voto. O nosso irmão, o presidente Nicolás Maduro, e as altas patentes políticas e militares saíram ilesos do atentado terrorista. Não conseguirão derrubar-nos”, escreveu, na sua conta oficial na rede social Twitter.

[Um vídeo com outro ângulo do momento em que Maduro e os oficiais reagem ao som da explosão:]

O discurso, as explosões e as reações: “Fracassaram, fracassaram novamente”

Quando a explosão aconteceu, Nicolás Maduro discursava num palanque ao ar livre na Avenida Bolívar, em Caracas, durante a celebração do 81º aniversário da Guarda Nacional do país. Ao lado estava a sua mulher, Cilia Flores, e várias altas patentes do exército venezuelano.

Além da rádio, também a televisão estava a transmitir em direto o discurso de Maduro, daí circularem imagens da reação de Maduro e dos soldados da Guarda Nacional venezuelana ao som das explosões. O som da transmissão é cortado e é visível a reação de estupefação de Maduro. De seguida, instala-se o pânico com dezenas de militares que estavam em formatura a fugirem, rompendo fileiras.

O presidente do banco público da Venezuela, Miguel Pérez Abad, corroborou que Nicolás Maduro Moros e as mais relevantes figuras da política e do exército do país saíram ilesos. Já o Ministro das Comunicações do governo venezuelano, Jorge Rodriguez, revelou que se tratou de um atentado à vida do Presidente da Venezuela e que sete militares ficaram feridos.

“Todo o trabalho que foi feito na sequência permitiu estabelecer com provas de que se trata de um atentado contra a figura do presidente constitucional da República Bolivariana da Venezuela”, apontou o Ministro das Comunicações, citado pelo El Nacional.

As explosões deram-se já perto da tribuna presidencial. “Fracassaram, fracassaram novamente”, acrescentou Rodriguez.

Última atualização às 02:58