Inicialmente havia a informação de que a Comissão de Gestão iria reagir à incursão de Bruno de Carvalho pelo Multidesportivo de Alvalade até ao piso 3 (e posteriores declarações cá fora aos jornalistas) através de um comunicado. O comunicado, entretanto, passou para uma conferência de imprensa. Às 18h30. Afinal, às 18h. Depois, às 18h40, quando José Peseiro já estava também por ali para fazer a antevisão ao encontro deste sábado com o V. Setúbal. A essa hora, as quatro cadeiras na mesa do auditório Artur Agostinho ficaram preenchidas: Artur Torres Pereira, presidente da Comissão de Gestão do clube; Sousa Cintra, líder interino da SAD; Jaime Marta Soares, número 1 da Mesa da Assembleia Geral; e Henrique Monteiro, coordenador da Comissão de Fiscalização. E foi o primeiro, que até chegou a ser vice de Bruno de Carvalho, a tomar a palavra para ler um comunicado.

“Como é do conhecimento publico, o ex-presidente e os ex-membros do Conselho Diretivo do Sporting foram destituídos pelos sócios em Assembleia Geral a 23 junho por 71,36% dos votos, tendo essa decisão sido imediata e integralmente implementada. O Sporting foi citado para tomar posição em relação a uma providência cautelar apresentada em Tribunal pelo ex-presidente destituído pelos sócios, na qual é pedida a suspensão da deliberação social adotada naquela Assembleia destitutiva. Ao dia de hoje, encontra-se ainda a decorrer o prazo para a dedução de oposição por parte do Sporting, não tendo sido proferida qualquer decisão pelo Tribunal”, começou por referir Torres Pereira, sem nomear uma única vez o nome de Bruno de Carvalho.

“Ao final da manhã de hoje, em simultâneo com a divulgação de várias noticias na comunicação social, afirmando a existência de uma decisão do Tribunal que o reconduziria nas funções de presidente do Sporting o ex-presidente destituído pelos sócios, este compareceu nas instalações do clube alegando ter na sua posse tal decisão judicial. Analisada e conferida a documentação nas instalações do clube, concluiu-se afinal ser tudo mentira porque não existia nem existe qualquer fundamento ou decisão judicial que suspenda a deliberação tomada pelos sócios na Assembleia Geral de 23 junho e que permita ao ex-presidente por eles destituído reassumir as suas antigas funções”, salientou, prosseguindo: “Tendo o ex-presidente destituído pelos sócios recusado retirar-se das instalações do Sporting de forma voluntária, mesmo depois de comprovado que o que trazia era uma mão cheia de nada e a outra cheia de coisa nenhuma, foi pedida a intervenção da PSP, que garantiu a sua saída. Lamentamos e repudiamos profundamente este episódio, que teve lugar na véspera do primeiro jogo em Alvalade da nossa equipa principal, a contar para a atual Primeira Liga, e no decurso de um ato eleitoral vital para o clube”.

“Já estamos infelizmente habituados as atitudes de desprezo e desrespeito por parte do ex-presidente destituído pelos sócios para com os próprios sócios, adeptos, atletas e clube em geral. Todavia, hoje todos os limites foram ultrapassados: num momento crucial da vida do clube, que tenta recompor-se dos desvarios e dos erros do ex-presidente destituído pelos sócios, este demonstrou continuar a ser um foco de confusão, perturbação e desestabilização, colocando como é habito os seus interesses e ambições pessoais à frente dos interesses do Sporting. O ex-presidente destituído pelos sócios veio a Alvalade uma vez mais numa demonstração de irresponsabilidade que nenhum sócio pode apoiar”, acusou Torres Pereira.

“É seguramente por isto que os apoiantes que lhe restam o vão abandonando sucessivamente, um após o outro. Quanto mais o clube precisa de paz, mais o ex-presidente destituído semeia guerras; quanto mais a equipa de futebol necessita de conforto, mais o ex-presidente a tenta desconfortar; quanto mais a Sporting SAD precisa de tranquilidade, mais o ex-presidente destituído a tenta desestabilizar; quanto mais a união da família sportinguista é essencial, mais o ex-presidente destituído instiga a sua desunião”, continuou, na parte mais crítica do comunicado lido pelo líder da Comissão de Gestão do clube.

“Como todos sabem, os atuais órgãos sociais desempenham as suas funções gratuita e empenhadamente, sem qualquer outro objetivo que não a garantia da concretização dos superiores interesses do Sporting. Por isso, queiram ou não queiram, esclarecemos todos os que estão distraídos ou estão de má fé que até ao próximo dia 8 setembro, haja o que houver, o presidente da Assembleia Geral do Sporting é Jaime Marta Soares; o presidente da Comissão de Gestão é Artur Torres Pereira; o presidente da SAD é Sousa Cintra; o presidente da Comissão de Fiscalização é Henrique Monteiro. Deixamos bem claro ser o nosso compromisso de honra para com os sócios e adeptos do clube não permitir nem deixar passar em claro que manobras de diversão ridículas ou exibições de vaidade ou egoísmo de pessoas alguma vez se sobreponham aos princípios fundacionais e valores civilizacionais do Sporting, eles sim que, com esforço, dedicação e devoção, nos levarão à glória”, concluiu.