Estados Unidos da América

Trump culpa Washington pelo cancelamento da sua parada militar

Trump viu a parada militar do 14 de Julho em Paris e quis uma igual. Parada estava prevista para novembro mas foi cancelada. Agora, Trump culpa Washington D.C. pelos custos pedidos.

CHRISTOPHE ARCHAMBAULT / POOL/EPA

A parada militar que Donald Trump tanto queria foi cancelada depois de ter sido noticiado que deveria custar mais de 80 milhões de euros, mais do triplo do valor inicialmente previsto. E o presidente norte-americano culpa os políticos locais de Washington D.C. por alegadamente terem inflacionado os custos para que não fosse viável realizar o evento.

O Pentágono tinha informado, na quinta-feira, que a parada militar, prevista para novembro, só deveria realizar-se em 2019, depois de ter sido noticiado que o evento deveria custar mais de 80 milhões de euros. Em fevereiro, Donald Trump pediu ao Departamento da Defesa para estudar a criação de uma cerimónia na qual todos os americanos pudessem expressar o seu reconhecimento aos militares e o desfile chegou a estar previsto para novembro deste ano. O desejo de Trump surgiu depois de, a 14 de julho, ter assistido, ao lado de Emmanuel Macron, à famosa parada militar do Dia da Bastilha, em Paris. “Foi uma das melhores paradas que já vi”, disse na altura.

Na verdade, Donald Trump já defendia a ideia de uma parada militar em Washington antes da sua eleição e a ideia ganhou ainda mais forma depois de ter estado em Paris no 14 de julho. Trump ponderou, então, a ideia de organizar um desfile semelhante em Washington no 4 de Julho, feriado nacional dos Estados Unidos, mas tal decisão provocou violentas críticas dos seus opositores, que compararam a sua atitude à do dirigente de um regime autocrático.

O evento ficou então apalavrado para novembro, mas sempre baixo de críticas. Agora, depois de anunciados os custos elevados, Trump atira-se às autoridades locais de Washington D.C., acusando-os de terem inflacionado os preços de propósito. “Quando lhes pedimos para nos darem um preço para a parada militar de celebração, quiseram um número tão ridiculamente alto que tive de cancelar”, escreveu no Twitter, anunciando que, sendo assim, iria assistir à parada de Paris a celebrar o fim da Guerra, no próximo dia 11 de novembro.

“Talvez no próximo ano consigamos fazer alguma coisa em Washington D.C. quando os custos descerem”, disse ainda, ironizando que assim (com o dinheiro que não se gasta), as Forças Armadas vão poder “comprar mais caças”.

Cerca de uma hora depois do tweet de Trump, a presidente da câmara de Washington D.C., Muriel E. Bowser reagiu pela mesma via, e com a mesma: “Sim, eu sou Muriel Bowser, presidente da câmara de Washington DC, a autarca que finalmente chamou a estrela da Casa Branca à realidade de que as paradas/eventos na América de Trump custam 21.6 milhões de dólares (triste)”, lê-se no Twitter. O valor de 21.6 milhões, no entanto, diverge dos 80 milhões anunciados pelo Pentágono (custo que tinha sido estimado pelo Departamento da Defesa), o que deixa dúvidas sobre se o valor estimado por Washington foi ou não tido em conta.

Segundo o Washington Post, que cita fontes oficiais, o processo de planeamento da parada foi muito conturbado, tendo havido dificuldades de coordenação entre Washington D.C. e a Casa Branca, que demorava muito a comunicar detalhes do evento.

No comunicado emitido na quinta-feira, o Pentágono não deu qualquer justificação para o cancelamento (ou adiamento) do evento, mas o comunicado surgiu na mesma altura em que dispararam notícias sobre os elevados custos de uma parada militar com aqueles contornos.

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Diana Soller

As eleições intercalares mostram, acima de tudo, que muito pouco mudou desde a vitória de Trump. Continuamos perante a uma América profundamente polarizado, sem qualquer vontade de se reconciliar.

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