A nova política de bagagem da transportadora aérea Ryanair — que obriga os passageiros a pagar pela bagagem de mão — pode não ser legal, de acordo com a FACUA, uma organização de defesa consumidor espanhola.

A organização alega que este novo sistema, que entra em vigor a partir de novembro, é apenas uma forma de a companhia aérea ganhar mais dinheiro. Por isso, apresentou uma queixa contra a empresa irlandesa, citando o artigo 97 da Lei da Navegação Aérea espanhola:

A transportadora é obrigada a transportar gratuitamente na cabine, como bagagem de mão, objetos e embalagens que o passageiro carregue consigo.”

O mesmo grupo apontou ainda que as companhias aéreas só podem cobrar pelas bagagens de mão “por razões de segurança, relacionadas com o peso ou tamanho do objeto, de acordo com as características da aeronave”.

A Ryanair já reagiu às acusações do grupo de consumidores espanhol, de que a nova medida serve para recuperar os milhões perdidos nas indemnizações que teve de pagar devido às últimas greves. A transportadora garante que são “alegações falsas”. Estima-se que a empresa terá de pagar uma compensação de 33 milhões de euros aos 120 mil passageiros afetados pela greve dos seus trabalhadores durante o mês de julho.

Na sequência da queixa apresentada pela FACUA, a Agência Espanhola de Segurança e Proteção da Aviação (AESA) está a analisar a nova política de bagagem da Ryanair para verificar se está em conformidade com as leis espanholas e europeias, revelou um porta-voz da AESA esta quinta-feira à Bloomberg.

A companhia low cost anunciou na semana passada que ia passar a cobrar entre seis a dez euros pela bagagem de mão, a partir de novembro, tornando-se a primeira companhia aérea a adotar esta medida. Os passageiros continuam a poder levar uma mala pequena, que poderão colocar debaixo do banco à sua frente. A Ryanair explica que esta medida é uma forma de diminuir os atrasos nos voos que se têm verificado por complicações por causa de excesso de bagagem de mão.

A empresa irlandesa tem estado no centro de várias polémicas desde setembro, quando anunciou que ia cancelar entre 40 a 50 voos por dia, até ao final de outubro: um total de dois mil voos. A companhia aérea justificava esta medida com a necessidade de melhorar a pontualidade. Não tardou até que os trabalhadores revelassem outra versão dos cancelamentos: “Muitos pilotos, fartos das condições precárias e do bullying constante, decidiram sair da companhia aérea”, revelou um deles ao Observador. Desde aí, a companhia enfrentou uma escalada de problemas. De acusações de bullying a emails revelados, em março, toda a polémica ganhou novos contornos: em 30 anos de existência, a companhia enfrentava movimentos grevistas, pela primeira vez.