Man Booker Prize

Anna Burns é a primeira escritora da Irlanda do Norte a vencer o Man Booker Prize

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"Milkman", de Anna Burns, é o romance vencedor do Man Booker Prize 2018. A escritora de 56 anos é a primeira da Irlanda do Norte a receber o prémio, que não era atribuído a uma mulher desde 2013.

Anna Burns, visivelmente emocionada, conseguiu apenas fazer alguns agradecimentos antes de sair apressadamente do palco

Getty Images

Anna Burns, autora de Milkman (romance editado pela Faber & Faber), é a vencedora deste ano do Man Booker Prize. Burns, de 56 anos é a primeira escritora da Irlanda do Norte a vencer o prémio literário, um dos mais importantes de língua inglesa, que celebra este ano o seu 50º aniversário. A irlandesa é também a primeira mulher a vencê-lo desde a neo-zelandesa Eleanor Catton, premiada em 2013 pelo romance The Luminaries.

O anúncio foi feito esta terça-feira pelo presidente do júri de 2018, o escritor e filósofo Kwame Anthony Appiah, durante a cerimónia no Guildhal, em Londres, e entregue como habitualmente pela Duquesa de Cornwall, Camilla Parker Bowles. No evento estiveram presentes cerca de 100 convidados, segundo a BBC, incluindo o Prémio Nobel da Literatura Kazuo Ishiguro.

Milkman, o terceiro romance da escritora irlandesa, passa-se durante a época dos troubles, dos conflitos entre as duas Irlandas e foi baseado nas próprias memórias e experiências da autora, nascida em Belfast. A história é contada da perspetiva de uma adolescente de 18 anos que é perseguida por um homem mais velho, the milkman (“o leiteiro”), que faz parte de uma organização paramilitar. Para o júri, trata-se de uma obra “incrivelmente original”. “Nunca lemos nada do género”, admitiu Appiah, citado pelo The Guardian. “A voz totalmente característica de Anna Burns desafia o pensamento e forma convencionais com a uma prosa surpreendente e imersiva. É uma história de brutalidade, de assédio sexual e resistência, à qual se junta um humor mordaz.”

Uma vez que as personagens não têm nomes próprios, o presidente do júri admitiu que ler Milkman pode ser “desafiante”, tal como o é subir ao topo de uma montanha. “Vale mesmo a pena porque a vista lá de cima é maravilhosa”, disse, brincando que passa o tempo livre a ler artigos científicos da Revista de Filosofia e que por isso, do seu ponto de vista, o romance de Anna Burns não era assim tão difícil. “Se persistirem, a recompensa é enorme por causa do fluxo de linguagem e do facto de esta nem sempre ser familiar.” Kwame Anthony Appiah considerou ainda que “não é uma leitura leve”, mas que acredita que o livro vai resistir à passagem do tempo.

Esta visão é partilhada pelos outros membros do painel de jurados deste ano.Leo Robson, num vídeo partilhado nas redes sociais pelo Man Booker Prize, descreveu Milkman como destemido e inventivo, com os seus colegas a destacarem a grande qualidade da obra de Burns, que foi capaz de sobreviver às inúmeras leituras que tiveram de fazer.

Além de Milkman, eram também finalistas os seguintes romances: Washington Black, da canadiana Esi Edugyan (Serpent’s Tail); Everything Under, da britânica Daisy Johnson (Jonathan Cape), que muitos apontavam como uma das favoritas e que, caso vencess, e se tornaria na escritora mais nova a receber o Man Booker com apenas 27 anos; The Mars Room, da norte-americana Rachel Kushner (Jonathan Cape); The Overstory, do norte-americano Richard Powers (William Heinemann) e The Long Take, do escocês Robin Robertson (Picador).

Durante o seu discurso no Guildhal, o presidente do júri fez questão de elogiar todos os finalistas, que descreveu como capazes de “nos levar para lá da nossa zona de conforto, de tal forma que somos capazes de já não conseguir regressar”. “Estes livros falam muito do nosso tempo, mas acreditamos que são capazes de perdurar”, disse ainda.

Na altura do anúncio da shortlist, no final de setembro, o júri descreveu os seis finalistas deste ano como “muito inovadores, brilhantes, desafiantes e muito difíceis em certos momentos, mas de uma forma que nos faz sentir bem”. “Todos quebram barreiras, todos nos fazem pensar acerca de coisas sobre as quais talvez nunca tenhamos pensado antes”, afirmou a jurada Jacqueline Rose. “Falam de coisas sobre as quais apenas podemos falar agora. O tema recorrente é diferentes tipos de trauma, quer seja em relação ao ambiente ou em relação à mente”, disse por sua vez Leanne Shapton, também membro do júri de 2018, composto ainda por Val McDermid e Leo Robson, além do presidente Kwame Anthony Appiah.

No ano passado, o Booker Prize foi atribuído a George Saunders pelo seu romance de estreia, Lincoln in the Bard (editado em Portugal pela Relógio d’Água). Saunders foi o segundo norte-americano a vender o galardão depois de Paul Betty, na sequência da alteração das regras que permitiu a abertura do prémio a escritores obras tenham sido escritas originalmente em inglês e publicadas por uma editora registada no Reino Unido, independentemente da nacionalidade. Isto levou a que alguns criticassem a falta de diversidade geográfica dos vencedores do Man Booker que, este ano, foi finalmente quebrada.

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