A Apple registou uma patente para veículos autónomos, com um curioso conjunto de características. Não tem ainda a ver com a tecnologia que abre a possibilidade de prescindir do condutor, o que os especialistas continuam a afirmar que irá acontecer em breve, mas sim com a partilha de energia por parte de veículos autónomos e obviamente eléctricos.

A nova patente da Apple foi registada a 23 de Outubro, no US Patent and Trademark Office, com a designação “peloton” – termo que se aplica a um conjunto de ciclistas a circular muito próximos uns dos outros, para partilhar vantagens aerodinâmicas, poupando as pernas – aqui a remeter para um uso mais eficiente da energia, nos veículos eléctricos. De acordo com a Apple, o Peloton pode ser usado para apenas dois veículos, mas tudo indica que está previsto para muito mais do que isso.

O raciocínio por detrás da ideia da Apple tem por base uma característica de se deslocar em pelotão, em que é o carro que vai à frente que faz mais esforço e gasta mais energia, ao contrário dos veículos que o seguem. A solução da tecnológica visa ultrapassar esta limitação, pois de contrário ninguém quererá liderar o pelotão, e não há pelotão só com carros na retaguarda.

Para tornar isso possível e evitar constantes trocas de líder do pelotão, usufruindo todos os intervenientes das vantagens de circular desta forma, a Apple concebeu um braço robot que liga o veículo da frente ao que circula atrás. É esta ligação que torna mais fácil, e até segura, a possibilidade de dois ou mais veículos rodarem muito próximos um do outro.

Mas o sistema da Apple vai mais longe. Uma vez que os veículos já vão conectados entre si, fisicamente, a empresa tecnológica americana aproveitou para ligar igualmente as baterias, concebendo uma forma de partilhar a energia, para que o carro da frente consuma exactamente a mesma quantidade de energia do último veículo da fila, tenha esta dois ou 10 elementos.

Em relação à possibilidade de a Apple vir, um dia, a apresentar o seu próprio veículo eléctrico, a situação foi posta de lado há muito, assim que o especialista em telefones e iPad se apercebeu da curta margem de lucro que os veículos de quatro rodas proporcionam, especialmente quando comparados com os iPhone.

Mas a condução autónoma abriu uma nova área de negócios, com a Apple a continuar convencida que consegue colocar no mercado um sistema autónomo, para ser fornecido chave na mão, aos construtores que o queiram utilizar nos seus veículos, por acreditarem que é melhor e/ou mais barato do que o seu. Isto se o tiverem conseguido desenvolver. A previsão para a chegada ao mercado da condução autónoma da Apple, segundo o analista Ming-Chi Kuo, aponta para 2023. Em relação à patente, pode ver tudo aqui.