O presidente executivo do CaixaBank, dono do BPI, afastou esta sexta-feira a necessidade de ser feita qualquer provisão para imparidades por causa da exposição em 1.700 milhões de euros dos dois bancos à dívida italiana.

“Não há nenhuma necessidade de fazer provisões” e “isso não é uma preocupação”, assegurou Gonzalo Gortázar na conferência de imprensa em que apresentou os resultados dos primeiros nove meses do ano do grupo CaixaBank.

Na terça-feira, Bruxelas “chumbou” o orçamento italiano, provocando de imediato críticas por parte do Governo de Roma. A Itália elaborou objetivos para 2019 que preveem um défice de 2,4% do Produto Interno Bruto (PIB), uma dívida de 130% e um crescimento de 1,5%.

São números que preocupam a Comissão Europeia, que considera que as estimativas sobre o crescimento são demasiado otimistas, havendo o risco de aumento do défice e da dívida.

As discussões entre Itália e as autoridades europeias têm agitado os mercados internacionais e Roma tem três semanas para apresentar um orçamento revisto. Segundo número avançados por Gonzalo Gortázar, o CaixaBank e o BPI têm cerca 1.700 milhões de euros em dívida italiana.

O grupo espanhol anunciou esta sexta-feira que obteve lucros de 1.768 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, um aumento de 18,8% em relação ao mesmo período de 2017, com o BPI a contribuir com 168 milhões de euros para estes resultados.

Na informação que transmitiu esta sexta-feira ao mercado, o acionista maioritário do BPI explica que conseguiu estes resultados devido, principalmente, à melhoria das receitas básicas do negócio bancário, à maior contribuição do BPI, à redução das dotações e à contenção dos custos.

Na terça-feira em Lisboa, o BPI revelou que, nos primeiros nove meses de 2018, tinha obtido um lucro consolidado de 529,1 milhões de euros, face aos 22,6 milhões de euros que obteve no período homólogo.