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O fim de uma era: suspensão de Bruno de Carvalho mantém-se com 68,5% (e expulsão continua em cima da mesa)

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Fim de linha para Bruno de Carvalho (pelo menos como dirigente nos próximos cinco anos e meio): recurso da suspensão de sócio foi chumbado e ainda há um processo disciplinar que pode levar à expulsão.

Bruno de Carvalho não foi à Assembleia Geral, explicou o porquê da decisão e fez um mea culpa assumindo alguns erros

RODRIGO ANTUNES/LUSA

O fim da era Bruno de Carvalho começou a 23 de junho no Altice Arena e conheceu este sábado aquele que pode ter sido o último capítulo pelo menos nos próximos anos: o recurso da suspensão por um ano de sócio aplicada pela Comissão de Fiscalização foi chumbado pelos sócios em Assembleia Geral, a rondar os 68,5%, o que significa em paralelo que, na melhor das hipóteses, e caso a segunda participação disciplinar em curso não adense o cenário, fará com que o antigo presidente destituído apenas possa ser cabeça de lista numa eleição para o Conselho Diretivo daqui a cerca de cinco anos e meio, em 2024. Ou seja, caso não existam eleições antecipadas no clube verde e branco, apenas estaria habilitado a avançar em 2026.

Os resultados foram anunciados oficialmente pouco antes da 1h da manhã mas os números divulgados no Pavilhão já apontavam para cerca de 68,5% de votos a favor da suspensão do antigo presidente leonino contra pouco mais de 30% contra essa decisão. Todos os outros vices e vogais vão também cumprir a suspensão de dez meses com que tinham sancionados, ao passo que Elsa Tiago Judas e Trindade Barros veem confirmada a pena máxima de expulsão de sócios.

“À Assembleia Geral compete deliberar. Os recorrentes, a quem foram concedidos 15 minutos para usarem da palavra, fizeram isso, o escrutínio decorreu de uma forma tranquila e foi isso que aconteceu, a Assembleia funcionou e deliberou. O que havia para fazer na Assembleia foi feito e a demora teve a ver com o longo período do escrutínio, temos de encontrar daqui para a frente outros meios mais próprios. Todas as sanções, de suspensão ou expulsão, tiveram votações em que o recurso não teve sucesso, mesmo que com valores relativamente diferentes. Estiveram presentes ligeiramente abaixo de quatro mil sócios mas a informação será mais tarde detalhada. A Assembleia Geral correu bem, agora há sempre paixão, emoção e algumas manifestações um pouco mais exuberantes, mas correu bem”, comentou no final Rogério Alves, presidente da Mesa.

As votações finais sobre as suspensões dos antigos membros do Conselho Diretivo foram os seguintes:

  • Alexandre Godinho: 67,06% a favor, 31,97% contra
  • Bruno de Carvalho: 68,55% a favor, 30,88% contra
  • Carlos Vieira: 64,03% a favor, 35,28% contra
  • José Quintela: 63,09% a favor, 36,7% contra
  • Luís Gestas: 64,58% a favor, 34,58% contra
  • Rui Caeiro: 65,27% a favor, 34,09% contra

As votações finais sobre as expulsões de Elsa Tiago Judas e Trindade Barros foram as seguintes:

  • Elsa Tiago Judas: 70,03% a favor, 29,15% contra
  • Trindade Barros: 68% a favor, 30,96% contra

Apesar do discurso diferente daquele que manteve ao longo de vários meses, fazendo um mea culpa sobre os excessos ao longo dos mais de cinco anos na presidência sem deixar de referir tudo aquilo que conseguiu construir no clube – e com a frase forte de que o Sporting está melhor em 2018 do que em 2013, o que motivou muitos aplausos –, percebeu-se sobretudo que a Assembleia, até pela própria forma de funcionamento, acabou por transformar-se mais numa espécie de referendo a toda a instabilidade institucional em Alvalade nos últimos meses do que propriamente num recurso com direito de defesa. Aliás, uma das notas que foi saindo das fontes contactadas pelo Observador é que eram raríssimos os sócios que entravam sem terem já uma intenção de voto decidida; a diferença era que uns ficavam para assistir às intervenções e outros preferiam sair logo da sala. Por isso, as palavras de Bruno de Carvalho falharam. E, agora, quase podem ficar como uma carta de despedida.

No entanto, decorre ainda um outro processo disciplinar que poderá agravar ainda mais aquela que, nesta altura, já foi a segunda pena mais pesada de todos – a expulsão de sócio do Sporting. A pasta passou agora das mãos da Comissão de Fiscalização para o Conselho Fiscal e Disciplinar liderado por Joaquim Baltazar Pinto mas as acusações em causa são bem mais gravosas do que aquelas que mereceram a suspensão de um ano, nomeadamente o que se passou no decorrer da Assembleia Geral de 23 de junho e a alegada tentativa por parte do ex-líder e do vogal Alexandre Godinho, a 17 de agosto, de terem acesso às contas bancárias do clube alegando uma providência cautelar que o manteria ainda como presidente em exercício. A própria Comissão de Fiscalização, na véspera das eleições de 8 de setembro, emitiu um último comunicado onde fez o resumo do trabalho que foi desenvolvendo desde que foi nomeada por Marta Soares e recomendou essa expulsão de Bruno de Carvalho.

Na Assembleia Geral que se realizou durante a tarde/noite no Pavilhão João Rocha, tudo correu com grande tranquilidade e num ambiente, ainda que com algumas “bocas” mais acaloradas entre associados em determinados momentos, bem mais tranquilo do que na reunião magna realizada há duas semanas. E tudo dentro dos prazos inicialmente ponderados: o período para que os oito visados pudessem usar da palavra terminou perto das 17 horas; o momento para que outros associados interessados fossem ao palco falar acabou pouco depois das 19h30. Pelo meio, muitos sócios foram votando e saindo.

Os insultos a Vítor Ferreira, antigo vice no primeiro mandato de Bruno de Carvalho, quando se deslocou às mesas de voto, tendo depois sido retirado por um segurança e alegadamente agredido já numa zona exterior ao recinto; os ânimos mais exaltados em torno de Carlos Severino, ex-candidato à presidência do Sporting, que levaram a que pedisse ajuda das autoridades para se sentir em segurança; e uma discussão mais acalorada de Sérgio Abrantes Mendes, antigo presidente da Mesa e também candidato à presidência, depois de ouvir também algumas “bocas” quando saía do Pavilhão foram alguns dos momentos de maior agitação ao longo do dia mas houve também queixas pela recusa de requerimentos logo no início da Assembleia Geral e por uma mensagem que passou no cubo do recinto que dizia “Se já exerceu o seu direito de voto, dirija-se à saída. Obrigado”.

A nível de intervenções, Alexandre Godinho teve um representante; Bruno de Carvalho escreveu um discurso que foi lido pela irmã, Alexandra, antes de ser publicado na íntegra no Facebook; Carlos Vieira, José Quintela, Luís Gestas, Rui Caeiro e Trindade Barros subiram ao palanque; e Elsa Judas enviou uma mensagem à Mesa. Depois, também Rui de Carvalho, pai do presidente destituído, e muitos apoiantes pediram a palavra, sendo que também a irmã voltou a usufruir desta vez de três minutos para falar. Como seria de esperar, e tal como já tinha ocorrido no Altice Arena, havia uma forte representatividade de associados a favor do antigo líder na sala, percetível pelos aplausos nas intervenções, mas todos tinham total consciência do desequilíbrio que se ia acentuando na votação face a uma maioria que votava e saía em ato contínuo que era contra Bruno de Carvalho.

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