Bruno de Carvalho sempre foi alguém que mostrou um certo gosto em “ir a jogo”. Comprou demasiadas guerras mesmo sabendo que muitas vezes não tinha as tropas suficientes que dessem conta do recado para sair vencedor, desafiou aquilo que descrevia como “poderes instalados” com a noção de que os tiros também lhe podiam sair pela culatra. Do geral para o particular, nunca admitiu que o seu estatuto como líder fosse colocado em causa; em vez do diálogo, atacava; sentindo-se atacado, explodia ainda com maior veemência; percebendo que continuava debaixo de fogo, ameaçava com a “bomba nuclear”. O importante era ter a última palavra, como se a última fosse obrigatoriamente a final. No limite, essa atitude, que ficou bem patente em alguns atos no final da maio, poderá valer agora ao antigo presidente a perda de uma palavra efetiva no Sporting durante vários anos.

Olhando para a Assembleia Geral do Sporting e espremendo a decisão que poderá sair em relação ao ex-líder, existe um “quase nada”. E porquê? Porque, mensagens “políticas” à parte, mesmo que os associados votem contra a suspensão de um ano de sócio aplicada pela Comissão de Fiscalização, Bruno de Carvalho continuará suspenso de forma preventiva por causa de um outro processo disciplinar que foi iniciado pelo anterior elenco coordenado por Henrique Monteiro e que passou agora para o Conselho Fiscal e Disciplinar eleito. No entanto, existem muitas outras coisas que podem vir a mudar caso a suspensão seja ratificada; por exemplo, não poderá voltar a ser cabeça de lista de uma candidatura às eleições entre cinco e oito anos.

A forma como a Assembleia Geral foi preparada em termos internos (com algumas discordâncias na organização e na melhor forma para o voto ser exercido que foram resolvidas nos últimos dias), a mobilização que tem vindo a ser feita nos bastidores por quem está a favor e contra o presidente destituído e algumas mensagens trocadas entre associados, a que o Observador foi tendo acesso, que envolveram até ameaças veladas caso se voltasse a repetir o que se passou na última reunião magna mostram que esta é muito mais do que uma reunião magna. Tão depressa pode dar uma nova “hipótese” a Bruno de Carvalho como pode acabar de vez com qualquer perspetiva viável de regresso que possa estar em cima da mesa a breve/médio prazo. Ou seja, seria o fim definitivo de um ciclo. E tudo por razões que nada têm a ver com outras bem mais faladas ainda hoje como a invasão à Academia Sporting em Alcochete, o processo Cashball ou eventuais irregularidades cometidas enquanto estava na liderança.

Afinal, para este processo em específico que motivou a suspensão de sócio por um ano, quase tudo se resume aos oito dias que se seguiram à derrota na final da Taça de Portugal, no final de maio. Oito dias que, por causa de uma decisão divulgada em comunicado e três emails enviados a todos os sócios do clube, podem ditar uma penalização mínima de cinco anos.

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