Os portos do continente movimentaram 77,8 milhões de toneladas de carga até outubro, menos 4,3% do que no período homólogo do ano passado, revelou esta terça-feira a Autoridade da Mobilidade e dos Transportes.

Porém, no período de referência, o volume de contentores registou um crescimento de 0,4% em número de unidades.

“Aveiro, Figueira da Foz e Faro são os únicos portos a registar um aumento do volume de carga movimentada em outubro, com acréscimo de 335,5 mil toneladas no seu conjunto”, lê-se no documento da Autoridade da Mobilidade e dos Transportes.

Entre estes, o destaque vai para Aveiro, que registou uma subida de 6%, alcançando “o valor mais elevado de sempre nos períodos homólogos”.

Por sua vez, Faro registou uma subida de 73% que poderá ser justificada “pela retoma da sua atividade, na sequência da recente aquisição da Cimpor” à brasileira Intercement pelo grupo turco OYAK.

Até outubro, o volume total de quebras registadas no volume da carga contentorizada foi de 3,85 milhões de toneladas, sendo o Porto de Sines o maior responsável por este valor, uma vez que perdeu 2,43 milhões de toneladas, devido à redução da importação de recursos energéticos.

Lisboa registou um volume de carga perdida de 671 milhões de toneladas, caindo 6,5%, à semelhança de Leixões e Setúbal.

“Entre janeiro e outubro, mais de metade dos mercados existentes registaram quebras no seu volume, num total que excede 5,6 milhões de toneladas. Entre estes destacam-se o mercado do Carvão, Produtos Petrolíferos e Petróleo Bruto no Porto de Sines”, indicou a autoridade.

No segmento dos contentores, o sistema portuário do Continente movimentou cerca de 1,57 milhões de unidades, mais 0,4% do que em igual período de 2017, e 2,51 milhões de TEU (medida padrão para calcular o volume dos contentores), menos 0,5% face ao período homólogo.

No que diz respeito à carga contentorizada, no volume TEU, apenas Sines e Leixões registaram variações homólogas positivas de, respetivamente, 2,2% e 3,7%.

“A este comportamento não é alheio o clima de instabilidade laboral verificada principalmente no porto de Lisboa, mas também em Setúbal e Figueira da Foz, que tem determinado a transferência de tráfego entre os dois referidos grupos de portos. Ainda neste segmento, o Porto de Sines mantém a liderança com uma quota de 58,1%, superior em 1,5 pontos percentuais à máxima homóloga, registada em 2017”, notou a Autoridade da Mobilidade e dos Transportes.

Já nos portos comerciais registou-se um total de 8.732 escalas de navios de diversas tipologias entre janeiro e outubro, o correspondente a um volume global de arqueação bruta de 166,7 milhões.

Nos primeiros dez meses do ano, o fluxo de embarque registou quebras em Sines, protagonizadas pelo mercado de produtos petrolíferos, que regista menos 784,4 milhões de toneladas, ou seja, 31,5% do total da carga embarcada perdida.

No sentido inverso, as operações de embarque registaram variações positivas na carga contentorizada em Sines.

Nas operações de desembarque, registaram-se variações mais expressivas no segmento da carga contentorizada em Leixões, que movimentou mais 241,4 milhões de toneladas do que no período homólogo de 2017.

“Viana do Castelo, Figueira da Foz, Setúbal e Faro são os portos que apresentam um perfil de porto “exportador”, registando um volume de carga embarcada superior ao da carga desembarcada […]. Acresce sublinhar que, no seu conjunto, estes portos detêm uma quota de carga embarcada que se situa na casa dos 14,4%, descendo para 9,8% se considerarmos o total da carga movimentada”, concluiu a entidade.