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Toda a gente tem um colega assim. Está sempre com um ar bastante ocupado, dá muitas ideias que nunca concretiza, esperando que outros o façam por ele e, claro, está sempre a jeito para meter conversa com o chefe. Um estudo britânico que analisou mais de 200 trabalhadores dispersos por 28 equipas de vários setores de atividade considera que estes funcionários, os pseudo-dedicados como lhes chamou (pseudo-engaged no inglês), trazem mais desvantagens do que benefícios às empresas já que pouco ou nada contribuem para o trabalho de equipa e acabam por fazer baixar a produtividade global.

À primeira vista, nas 28 empresas analisadas, os investigadores da Hult International Business School, uma faculdade de gestão, começaram por encontrar equipas altamente dedicadas, segundo a perceção das próprias chefias. Mas assim que aproximavam a lupa, percebiam que a produtividade da equipa não era das melhores. Isto acontecia uma vez em cada cinco equipas analisadas, o que deixava o enigma no ar. Como é que trabalhadores altamente dedicados podem estar a produzir tão pouco?

À medida que os investigadores aprofundavam a sua análise, o véu de mistério levantava-se: nesses grupos encontravam-se sempre os colaboradores pseudo-dedicados, fortes em passar a imagem de quem trabalha muito, e ainda mais fortes em conseguir fazer absolutamente nada. Os resultados eram óbvios: a sua falta de empenho reduzia a produtividade global da equipa.

O que fazem os pseudo-dedicados?

Segundo o estudo, divulgado pela BBC e pelo Daily Mail, estes trabalhadores conseguem manter um ar sempre ocupado e disponível, embora na prática não estejam a ser produtivos. Fazem questão de estar presentes em reuniões para dar as suas opiniões, mas pouco ou nada contribuem para a sua execução. Por outro lado, põe todo o seu esforço em manter as aparências junto do chefe, dizendo sempre o que ele quer ouvir durante as discussões.

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Apesar de em nada contribuírem para a produtividade da empresa, são estes trabalhadores que acabam por ser mais facilmente promovidos pelas chefias, concluem os autores do estudo.

São compensados pelo seu comportamento disfuncional”, sublinhou Amy Armstrong, que liderou a equipa de investigadores.

A pesquisa revelou que os pseudo-dedicados têm maior probabilidades de ser promovidos, recebem salários mais altos e também são premiados com bónus com maior frequência. Acabam por dedicar mais tempo e esforço à sua ascenção na carreira em detrimento da produtividade coletiva.

“É um clima maquiavélico”, acusa Amy Armstrong, dizendo que este tipo de comportamento egoísta prejudica o trabalho em equipa e, por outro lado, os trabalhadores que realmente contribuem para a produtividade da empresa acabam por ter menos reconhceimento do que aqueles que se auto-promovem.