Exploração Espacial

Primeira cientista-astronauta portuguesa procura apoios para continuar a estudar o espaço

2.719

Em dezembro, Ana Pires tornou-se a primeira mulher portuguesa a receber o diploma de cientista-astronauta da NASA. Ainda este mês espera reunir-se com Rui Moura, o primeiro português a fazer o mesmo.

Um novo curso, também com o apoio da NASA, sobre geologia lunar, no Arizona, tem uma propina de quase 2.500 euros (D.R.)

Autor
  • Maria Martinho

Tem 38 anos, é natural de Espinho e em criança foi fascinada por carros e automação, muito motivada por um tio mecânico. Ana Pires chegou mesmo a ponderar enveredar pela metalurgia, mas, quando a irmã lhe falou no curso de Engenharia Geotécnica e Geoambiente do Instituto Politécnico do Porto, identificou-se imediatamente com a área.

Depois de se debruçar sobre as rochas, os minerais ou a evolução da linha de costa, Ana apaixonou-se também pela robótica e pelos sistemas autónomos, frequentando atualmente o mestrado em Engenharia e Eletrotécnica e de Computadores – Ramo de Sistemas Autónomos do Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP). Além disso, é investigadora no Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência.

O curso já feito teve formação teóricas, mas também aulas práticas (D.R.)

Em 2016 viu o professor, geólogo e piloto Rui Moura a ser selecionado para frequentar o curso do projeto POSSUM – Polar Suborbital Science in the Upper Mesosphere, um programa comercial orientado para o estudo da mesosfera e desenvolvido com o apoio da Agência Espacial Norte-Americana (NASA).

Rui tornou-se, assim, o português mais bem preparado para uma viagem espacial, o que suscitou em Ana um enorme interesse. Tanto que a fez concorrer ao mesmo programa internacional, dois anos depois, sendo uma das 12 escolhidas para ingressar nesse mesmo curso, em setembro. Com o apoio das instituições académicas a que está ligada, o ISEP, o Inesc-Tec e o Instituto Politécnico do Porto, conseguiu pagar as propinas, no valor de cinco mil dólares, e partiu à aventura. Na bagagem levava dois objetivos claro: “Desafiar-me a mim própria e abrir as portas da industria espacial à minha instituição”.

Ana Pires espera reunir-se com Rui Moura ainda este mês para “juntarem esforços e massa crítica”. A ideia é ganhar mais protagonismo junto da NASA e colocar Portugal no mapa espacial (D.R.)

A formação que prepara os candidatos para voos espaciais suborbitais durou um mês e meio e incluiu aulas teóricas remotas e aulas práticas na Embry-Riddle Aeronautical University, na Flórida. Por lá, a cientista-astronauta teve, por exemplo, a oportunidade de fazer uma simulação de uma missão vestida a preceito.

Um fato espacial demora meia hora a vestir, oferece pouca mobilidade e é necessário controlar sempre a sua pressão”, começa por contar.

Testaram-se limites e avaliaram-se sintomas da falta de oxigénio. “Houve pessoas que vomitaram, outras desmaiaram, eu fiquei com a face muito vermelha e quente, mas nunca perdi a consciência. Foi duro fisicamente”, confessa. Esta não foi a única experiencia que ali viveu. Também participou em voos acrobáticos para sentir as forças G, ou seja, “aquilo que os astronautas sentem quando estão a partir para o espaço”, e “em sessões em câmaras hiperbáricas para observar o impacto da hipóxia [escassez de oxigénio].”

Movida pela constante curiosidade e o fascínio pelo desconhecido, a investigadora portuguesa sabe que ainda há muito para fazer, explorar e descobrir. “Este é apenas o primeiro passo para continuar a formação especializada nesta área, mas não pretendo ficar por aqui. Quero continuar a trabalhar, com a cabeça na lua e os pés bem assentes na terra.” Reúne mensalmente com a equipa dos Estados Unidos para conseguir perceber de que forma é que pode contribuir com os seus conhecimentos neste programa
de investigação e qual o melhor caminho a seguir.

Em maio de 2019, irá participar num novo curso com o apoio da agência espacial sobre geologia lunar, no Arizona, para o qual precisa de apoios que financiem uma propina de 2.800 dólares (quase 2.500 euros). Ainda este mês espera reunir-se com Rui Moura para “juntarem esforços e massa crítica”, procurando ganhar mais protagonismo junto da NASA e colocar Portugal no mapa espacial.

Agora que entramos em 2019...

...é bom ter presente o importante que este ano pode ser. E quando vivemos tempos novos e confusos sentimos mais a importância de uma informação que marca a diferença – uma diferença que o Observador tem vindo a fazer há quase cinco anos. Maio de 2014 foi ainda ontem, mas já parece imenso tempo, como todos os dias nos fazem sentir todos os que já são parte da nossa imensa comunidade de leitores. Não fazemos jornalismo para sermos apenas mais um órgão de informação. Não valeria a pena. Fazemos para informar com sentido crítico, relatar mas também explicar, ser útil mas também ser incómodo, ser os primeiros a noticiar mas sobretudo ser os mais exigentes a escrutinar todos os poderes, sem excepção e sem medo. Este jornalismo só é sustentável se contarmos com o apoio dos nossos leitores, pois tem um preço, que é também o preço da liberdade – a sua liberdade de se informar de forma plural e de poder pensar pela sua cabeça.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)