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"Parecia eufórico como alguém que ganhou na lotaria". Charles Spencer descreve reação de Carlos no dia da morte de Diana

No novo livro "O Canto do Cisne", o irmão de Diana descreve a reação de Carlos III à morte da princesa como a de alguém que "ganhou na lotaria" e estava "livre para se casar com a mulher que amava".

Charles And Diana Unhappy
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Tim Graham Photo Library via Get

Tim Graham Photo Library via Get

Quando na passada quarta-feira o Palácio de Buckingham decidiu, num gesto extremamente raro, responder a uma afirmação do novo livro de Charles Spencer, o público ainda não conhecia os detalhes do que o irmão de Diana pretendia contar ao mundo. O Canto do Cisne será lançado só na próxima semana, mas esta quinta-feira o Daily Mail começou a publicação de vários trechos — e a primeira parte revela mais pormenores das interações entre o então príncipe de Gales e o antigo cunhado nos dias que antecederam o funeral da princesa, em que Spencer chega a comparar a reação de Carlos a de alguém que “ganhou na lotaria”.

Charles Spencer começa por revelar detalhes sobre a primeira chamada com Carlos depois da morte de Diana. “Ao contrário das outras pessoas que telefonavam — atónitas, mal conseguindo expressar as suas condolências e a oferecer ajuda —, soava eufórico, como alguém que tivesse ganho a lotaria“, descreve.

“Contou-me que tinha comunicado a morte da mãe a William e Harry logo de manhã, naquela manhã, nos seus quartos em Balmoral. Tudo soava estranhamente objetivo e desprovido de emoção, dada a dimensão da tragédia”, recorda ainda Charles Spencer, que considera que a morte da irmã foi vista pelo ex-marido como algo que “o poderia deixar livre para se casar com a mulher que amava, em vez de chorar a perda daquela que não amava. Pode ser difícil sentir muita compaixão por um ex-cônjuge — ou por aqueles que se preocupam profundamente com ele — após um divórcio conturbado.”

“Vamos esquecê-la muito depressa”

Contudo, a frase que terá provocado a reação do Palácio de Buckingham vem de outro trecho do livro, quando Spencer fala sobre os preparativos para o funeral de Diana. Já era conhecida a oposição do irmão da princesa quanto à presença de William e Harry, que tinham 15 e 12 anos na altura, no cortejo fúnebre. E terá sido este o motivo para Carlos se ter enfurecido com o ex-cunhado.

Spencer foi avisado pelo chefe de gabinete do lorde camareiro, responsável pela organização do funeral, de que “os dois jovens príncipes” iriam caminhar atrás do caixão da princesa. “‘Bem, isso não vai acontecer’, disse eu, num tom direto e objetivo. Era uma sugestão que me parecia absolutamente bárbara e totalmente fora de questão”, descreve Spencer. “Eu sabia que Diana nunca teria querido que os seus meninos passassem por uma provação pública daquela natureza”, assegura ainda o irmão da princesa.

“Poucos minutos depois, a minha linha direta voltou a tocar. Era o príncipe Carlos, com um tom visivelmente menos animado do que quando tínhamos conversado pela última vez, na manhã da morte de Diana”, assinala Spencer, que descreve o diálogo que terá tido com o ex-cunhado:

Carlos — “Mas soube que disse não querer que William e Harry andem atrás do caixão de Diana.”
Charles Spencer — “Bem, é claro que não, senhor. A Diana nunca teria querido isso.”
Carlos — “Mas eu fiz isso no funeral de Lorde Mountbatten!”
Charles Spencer — Mas o senhor tinha 30 anos, senhor, e não era a sua mãe.

Ele explodiu. ‘Esse é o problema da sua família. Eles não têm a maldita noção do dever!’, começou, antes de cair numa fúria generalizada.”

De acordo com Spencer, terá sido neste momento que “o príncipe Carlos continuou a sua onda de raiva, sem que eu o interrompesse. Então, parou.” O irmão da princesa afirma que foi quando Carlos “despejou ao telefone o que sempre interpretei como o seu desprezo reprimido por Diana e a sua indignação pelo facto de o mundo ter ficado tão abalado com a sua morte: ‘Pode ter a certeza’, disse ele num tom ríspido, ‘vamos esquecê-la muito depressa!‘.” A reação de Spencer terá sido: “Não acredito que acabaste de dizer isso”, para depois desligar a chamada.

A frase gerou a reação do Palácio de Buckingham, que na passada quarta-feira afirmou que, apesar de não comentar passagens de livros, Carlos III “está ciente de que a dor da perda de um irmão pode obscurecer a razão, afetar o discernimento e distorcer as memórias de formas que os outros não reconhecem, mesmo muitos anos após tal perda”. A resposta trouxe lembranças sobre a forma como Isabel II reagiu à famosa alegação de racismo feita por Harry e Meghan numa entrevista à Oprah, quando a monarca disse que “algumas memórias podem variar”.

(L to R) The Duke of Edinburgh, Prince W

O príncipe Filipe, William, Charles Spencer, Harry e o agora Rei Carlos III no cortejo fúnebre da princesa Diana em 1997

AFP via Getty Images

O funeral de Diana aconteceu sete dias depois da sua morte, e de facto William e Harry caminharam atrás do caixão, na companhia do pai, Carlos, do tio, Charles Spencer, e do avô, o príncipe Filipe. De acordo com o irmão de Diana, o tema terá sido de “muita discussão” nos bastidores. “O príncipe Carlos insistia que o queria fazer. É difícil perceber o motivo, tendo em conta os sentimentos dele em relação a Diana. Além disso, não se espera que um ex-cônjuge assuma o papel de principal enlutado no funeral do seu antigo companheiro. Mas ele estava irredutível.”

Aliás, Spencer alega que só participou no cortejo fúnebre pela insistência de Carlos em integrar aquela comitiva. “O receio era que, se o príncipe Carlos caminhasse sozinho, os membros do público pudessem gritar ofensas contra ele. O comité percebeu que, se conseguissem convencer William e Harry a participar também, isso certamente evitaria que fossem proferidos insultos.” A presença do marido da Rainha foi a última a ser incluída no cortejo, de acordo com Spencer, um pedido dos dois netos. “Os príncipes William e Harry decidiram que querem caminhar atrás do caixão da mãe”, terá informado o Coronel Ross, que completou: “desde que o avô deles, o príncipe Filipe, caminhe ao lado deles.” O irmão de Diana diz que concordou, mas com a ressalva de que não tivessem sido “obrigados”, ao que foi informado que “não era esse o caso”.

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