O restyling do Passat estava previsto para Genebra, mas a Volkswagen decidiu antecipar-se ao certame suíço e acaba de revelar a actualização da 8.ª geração do executivo alemão. As novidades não se ficam pela renovação estética, tocando igualmente as motorizações e o equipamento, de forma a manter o Passat moderno, em conformidade com as exigências do WLTP, e mais sofisticado do ponto de vista das ajudas ao condutor, nomeadamente ao nível da condução semiautónoma.

Face ao modelo que está em comercialização desde 2014, por fora, as maiores mudanças encontram-se à frente. A grelha muda ligeiramente de formato e perde frisos cromados, enquanto os pára-choques são novos e passam a alinhar pelo estilo dos mais recentes lançamentos da marca, acolhendo as luzes de nevoeiro agora numa moldura triangular. Mas a maior lufada de ar fresco encontra-se nos grupos ópticos. Os faróis são mais pequenos e semicirculares e o posicionamento das luzes diurnas mudou, passando as day running ligths a ficar na parte superior. De destacar que passam a ser disponibilizados uns novos faróis LED, denominados IQ Light. Cada um é composto por 44 LED que asseguram a iluminação a curto e longo alcance, sendo que 32 deles podem acender-se ou apagar um a um, de modo a adaptar o feixe de luz às diferentes circunstâncias da condução, como interiores de curvas ou zonas mais escuras, e tudo isto sem encadear veículos em sentido contrário e sem perturbar o automóvel que segue à frente.

Atrás, as alterações estendem-se aos farolins, também em LED, e o nome do modelo passa a ser exibido na tampa da bagageira, logo abaixo do emblema da marca e não na extremidade. Para a carroçaria estão disponíveis três novas cores (azul eléctrico, verde garrafa e dourado pirâmide) e as jantes (17,18 ou 19 polegadas) exibem novos desenhos.

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No interior, salta de imediato à vista a adopção de um novo volante (o mesmo que é usado no T-Cross), mas as novidades não se esgotam aí. O painel de instrumentos digital foi reduzido, em termos de dimensão (11,7 polegadas, antes era de 12,3), mas melhorado na qualidade gráfica, com a marca a assegurar que a resolução aumentou, da mesma forma que o brilho, o contraste e as cores são mais intensos. Mas mantém-se a instrumentação de agulhas físicas. Depois, há três sistemas multimédia, do mais básico Composition Media (ecrã de 6,5”) ao maior Discover Pro (9,2”), sendo que todos eles viram os menus reconfigurados, para uma mais fácil utilização. Além disso, à semelhança do que a Mercedes estreou no Classe A, também a Volkswagen passa a ter o seu MBUX. Ou seja, basta premir um botão no volante e dizer “Olá Volkswagen” para passar a operar funções por reconhecimento de voz (algumas também por gestos).

A conectividade esteve igualmente no foco desta renovação. Todos os ‘novos’ Passat vêm com um cartão SIM, que liga o veículo à Internet, o que abre portas para usar uma série de serviços Volkswagen We, incluindo entregas na mala do carro mediante autorização do proprietário e sem que este esteja presente.

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No capítulo da segurança, os sistemas de auxílio ao condutor também usufruem de melhorias, desde logo porque o Passat passa a integrar uma nova câmara à frente, que o construtor diz ser mais avançada e precisa na leitura que faz do exterior. Mas o IQ Drive, a nova designação da marca para o conjunto de tecnologias que servem de base à condução semiautónoma, tem como principal novidade o Travel Assist, funcionalidade que conjuga o cruise control adaptativo com o sistema de manutenção na faixa de rodagem. Permite, portanto, um nível 2 de condução autónoma mas, ao contrário de grande parte dos modelos que estão no mercado, esta funcionalidade mantém-se activa não por pressão da direcção, mas sim porque o volante possui um sensor que permite ao sistema saber se o condutor tem ou não as mãos no volante. Se isso não acontecer mesmo após o aviso sonoro, passados uns segundos o Passat liga os quatro piscas e trava automaticamente até parar. Outra (boa) notícia é que o cruise control, programável até aos 210 km/h, passa a estar coordenado com o sistema de leitura de sinais de trânsito e com a navegação, adaptando a velocidade aos limites legais e ao percurso que tem pela frente (curvas mais fechadas ou rotundas, por exemplo).

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Quanto a motorizações, há três opções a gasolina: 1.5 TSI de 150 cv e o 2.0 TSI de 190 ou 272 cv, sendo certo que a primeira será lançada no mercado português, por permitir preços competitivos. No diesel, a oferta arranca com o 1.6 TDI de 120 cv, enquanto o 2.0 TDI se apresenta em três níveis de potência (150, 190 e 239 cv). Está claro que todas as unidades são dotadas de filtro de partículas, a que acresce o SCR nos diesel. A caixa de velocidades pode ser manual de seis relações ou automática de dupla embraiagem e sete velocidades, com a DSG de seis a ser exclusiva do Passat GTE. A propósito, a variante híbrida plug-in do Passat continua a recorrer ao mesmo conjunto motopropulsor (1.4 TSI de 156 cv e eléctrico de 116 cv) e a potência combinada mantém-se nos 218 cv. O que muda é a bateria, que troca os anteriores 9,9 kWh e 26 Ah por uns mais interessantes (para efeitos de WLTP) 13,0 kWh e 37 Ah. Esta alteração, em termos práticos, significaria saltar dos anteriores 50 km de autonomia em modo eléctrico, calculados em NEDC, para 70, à luz do mesmo método. Mas como a nova norma WLTP é bem mais exigente, o alcance em modo zero emissões fica-se pelos 55 km. No entanto, como a marca não mexeu no carregador – que continua a ser de 3,6 kW – e a bateria aumentou de capacidade, não há que esperar milagres: a operação de carregamento vai demorar mais tempo. No mínimo, quatro horas.