O Grand Slam de Paris, uma das provas mais mediáticas do judo internacional, tem dado grandes alegrias às cores nacionais nos últimos anos e assim continua: depois de um primeiro dia com resultados mais modestos entre os representantes portugueses, a luso-brasileira Bárbara Timo conquistou este domingo a medalha de bronze na categoria de -70kg.

Apesar de ocupar apenas o 117.º lugar do ranking mundial, tendo pontos pela presença nos 16 avos de final do recente Grand Prix de Telavive, Timo, atual campeã nacional de -70kg, conseguiu uma grande prestação na capital francesa, que começou com um triunfo por ippon em pouco mais de dois minutos frente a Baasanjargal Bayarbat, da Mongólia. Uma espécie de aquecimento para o duelo que teria pela frente de seguida, com a brasileira Maria Portela, oitava melhor do mundo (e ex-líder), com quem se cruzara várias vezes no passado – e a resposta foi fortíssima, vencendo por três castigos à adversária em 2.08 minutos.

De seguida, a judoca do Benfica teve pela frente a francesa Fanny Estelle Posvite, 36.ª do ranking mundial, ganhando no golden point 14 segundos depois do início desse tempo extra por wazari. No combate decisivo de apuramento para as meias-finais, Timo venceu a canadiana Kelita Kupancic, 13.ª do mundo, por ippon após dois wazari em cerca de três minutos e meio.

A luso-brasileira sofreu apenas um desaire nesse combate de acesso à final, perdendo com a japonesa Yoko Ono (12.ª do ranking e terceira melhor nipónica de uma categoria que é liderada nesta altura pela compatriota Chizuru Arai) por ippon depois de dois wazari, depois de ter marcado logo aos 42 segundos um wazari. Na atribuição da medalha de prata, a judoca venceu a marroquina Assmaa Niang, nona do mundo, por ippon nos derradeiros momentos do combate.

Com esta medalha, Portugal passa a somar 13 pódios no Grand Slam da capital francesa: três de ouro (Pedro Soares em 1998, Telma Monteiro em 2012 e 2015), duas de prata (Pedro Soares em 1996 e Telma Monteiro em 2007) e oito de bronze (Sandra Godinho em 1993, Nuno Delgado em 2002, João Pina em 2004, Telma Monteiro em 2008 e 2011, Célio Dias em 2015, Jorge Fonseca em 2017 e agora Bárbara Timo em 2019).

Antes deste bronze em Paris, Timo tinha conseguido no ano passado o terceiro lugar no Grand Slam de Ecaterimburgo. Entre os melhores resultados para da atleta de 27 anos, nota ainda para as medalhas de ouro no Grand Prix de Zagreb (2017) e no Grand Prix de Tashkent (2013), além dos bronzes no Grand Slam de Abu Dhabi (2016) e no Grand Prix de Almaty (2013).

Bárbara Timo chegou no ano passado a Portugal com Rochele Nunes para representar o Benfica. ” Acho que toda a mudança vem para a evolução pessoal. Estou muito feliz em fazer parte desse grande clube, além de ficar ao lado de quem sou fã, que é a Telma Monteiro. Eu sempre assisti às lutas dela. Realmente ela é minha ídola. Acho que vem uma temporada de muitos títulos para o Benfica”, comentou ao Globoesporte. Em novembro, sagrou-se campeã nacional na categoria de -70kg. “Foi muito importante para mim porque garanti a vaga na Seleção portuguesa. É o reflexo do trabalho feito desde que vim para o Benfica. O clube acolheu-me de uma forma muito boa. Estou muito feliz aqui e o reflexo disso foi a forma como lutei na competição”, disse, em declarações ao site do clube, antes de voltar a elogiar Telma Monteiro: “Quando penso que estou cansada ou o foco não está lá, eu olho para ela e vejo toda a sua inteligência, a motivação, o carácter e a força que passa. Ela nem precisa de falar; só a atitude e a força da mulher que ela é fazem com que eu diga para mim mesma que quero ser só um pouco como ela”.