Ciência

Há 4.500 anos o homem ibérico foi totalmente substituído por migrantes vindos do leste europeu

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A informação foi revelada esta quinta-feira num artigo publicado na revista "Science". O estudo é assinado pelo investigador da Universidade do Minho Pedro Soares.

Um novo estudo, publicado esta quinta-feira na revista “Science” e que conta com a colaboração do investigador da Universidade do Minho Pedro Soares, revela um dado inédito até ao momento: o forte fluxo migratório vindo da Europa do Leste para a Península Ibérica há cerca de 4500 anos, no início da Idade do Bronze, provocou a extinção do homem ibérico. A partir das estepes russas e ucranianas, houve migrações tanto para este – conseguindo chegar até à Índia – e para oeste – tendo alcançado as populações ibéricas. As amostras de ADN recolhidas arqueologicamente permitem constatar que 40% do perfil genético dos ibéricos correspondia ao padrão destes povos do leste europeu. Mais: representavam quase 100% da linhagem masculina.

Ou seja, os migrantes vindos da Europa do leste eram sobretudo do sexo masculino e substituíram quase por completo os homens locais. O artigo é co-assinado pelo investigador do Centro de Biologia Molecular e Ambiental (CBMA) da Universidade do Minho, Pedro Soares, e explica a evolução das populações ibéricas desde que eram “caçadoras-recoletoras” até à atualidade.

“Esta descoberta é muito importante até a nível histórico, porque prova que esta população varreu por completo o continente europeu até se instalar na Península Ibérica substituindo por completo o sexo masculino“, explica Pedro Soares ao Observador.

A revista “Science” publica esta quinta-feira um estudo sobre a história genética das populações da Península Ibérica nos últimos 8000 anos. O artigo é co-assinado pelo investigador do Centro de Biologia Molecular e Ambiental (CBMA) da Universidade do Minho, Pedro Soares, e explica a evolução das populações ibéricas desde que eram “caçadoras-recoletoras” até à atualidade.

Sabíamos que íamos encontrar números importantes sobre a migração desta população vinda do leste da Europa mas nunca esperámos que fossem desta dimensão. Substituindo por completo os homens locais mudaram em cerca de 40% aquilo que é o perfil genético da população ibérica naquela época”, confessa.

Assim, o estudo pode ser ainda relevante para se compreender a real dimensão dos fluxos migratórios desta época na Europa e pode funcionar como um catalizador de novas investigações noutras regiões da Europa. “França tem uma vasta área que pode ser importante de estudar. Não só devido a este estudo mas também porque, precisamente na mesma época, estas populações substituíram quase por completo todas as linhagens nas ilhas inglesas – e não apenas a masculina”, sugere ainda Pedro Soares. Ora França é um território pelo qual as populações das estepes russas e ucranianas tiveram obrigatoriamente de passar, quer para chegarem às ilhas inglesas quer para atingirem a Península Ibérica.

O melhor exemplo destas migrações e da sua instalação na região foi uma descoberta feita em Castillejo de Bonete, no centro de Espanha. Foi encontrado um casal adulto daquela época sepultado. A mulher apresentava uma ancestralidade local e o homem um ADN correspondente ao das populações de leste.

No estudo da “Science”, a Universidade do Minho teve, entre outros aspetos, um papel relevante na análise de ADN antigo de Portugal, numa parceria com a Universidade de Huddersfield (Reino Unido), onde Pedro Soares é professor e orientador da investigadora portuguesa Marina Silva, que também contribuiu para este estudo. Natural de Amares, no distrito de Braga, Pedro Soares está agora a desenvolver o projeto “Origens da cultura campaniforme”, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia.

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