Andaram lado a lado, como parte da estratégia de mostrar quem é “líder da oposição”: enquanto o primeiro-ministro, António Costa, andou na semana passada a fazer um périplo pelo país dedicado à Saúde, visitando sobretudo centros de saúde e inaugurando outros tantos, Assunção Cristas fez o mesmo e andou pelo país a visitar hospitais. O objetivo, conta agora, foi mostrar o lado “C” do Serviço Nacional de Saúde, enquanto Costa andava a mostrar o lado “A”.

“O Governo entretém-se com ações de propaganda, fez um roteiro da saúde que foi uma tentativa falhada de pintar a realidade em tons de rosa e evitou os grandes hospitais que estão a rebentar pelas costuras”, começou por dizer a líder do CDS, acusando inclusive Costa de ter “inaugurado sem pudor um centro de saúde que já estava a funcionar desde o ano passado”. E tudo para “mostrar o seu lado A” do setor da Saúde — um lado que, no entender do CDS, não corresponde à realidade. Foi por isso que os centristas resolveram fazer o seu próprio roteiro pelos hospitais na mesma semana em que o primeiro-ministro fazia o seu. “Enquanto o primeiro-ministro apresentava o seu lado A, nós apresentávamos o lado C: c de Costa, c de cativações, c de caos”, disse aos jornalistas numa conferência de imprensa de balanço das visitas.

No roteiro que fez pelo país, e que inclui o hospital de Leira, o São João no Porto, ou o Garcia de Orta em Almada, Cristas encontrou “profissionais de saúde dedicados, mas exaustos, investimentos adiados, dívidas crescentes, falta de consumíveis básicos, demissões em bloco, cativações para lá do razoável, um caos sem precedentes, austeridade encapotada” e a ideia generalizada de que “2018 foi o pior ano de sempre”.

Acusando o primeiro-ministro de “insensibilidade”, a líder centrista comentou ainda o despacho que será esta segunda-feira publicado em Diário da República e que permite aos hospitais a possibilidade de contratarem profissionais de saúde sem autorização do Governo (Finanças e Saúde) — uma medida que, ainda assim, exclui médicos. “O Governo dá essa autonomia a apenas 11 hospitais, e nós queremos para todos, além de que queremos que inclua também a contratação de médicos, não se percebe a razão para não abranger médicos”, disse.

É nesse sentido do reforço da autonomia hospitalar que o CDS apresenta esta segunda-feira um projeto de resolução que confere uma maior autonomia às administrações hospitalares para fazer face aos problemas de gestão e de suborçamentação que há nos hospitais.

Na proposta, o CDS prevê que, até junho, o Governo faça um levantamento exaustivo junto dos Conselhos de Administração dos hospitais das necessidades inerentes à criação dos Centros de Responsabilidade Integrados (CRI), que faça depois de junho os contratos-programa respetivos, e que até ao fim da legislatura consiga efetivamente constituir os tais CRI para conferir maior autonomia aos hospitais.