Os “coletes amarelos” pretendem voltar a manifestar-se em Paris, mas a polícia francesa já anunciou que após a violência do passado sábado, para este sábado a “tolerância é zero”.

A estratégia, todavia, pode não ser suficiente para conter os manifestantes caso continue a desordem no seio das forças de segurança, segundo declarações de especialistas à Lusa.

Este 19.º sábado de raiva dos “coletes amarelos” será, assim, a prova de fogo para o Governo francês.

Depois dos desacatos do sábado passado nos Campos Elísios, com 80 lojas destruídas e algumas completamente pilhadas, incêndios e barricadas nas ruas, o primeiro-ministro, Édouard Philippe, anunciou a proibição de manifestações na principal avenida da capital francesa, mas também noutras zonas nobres da cidade.

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Já o ministro do Interior, depois de demitir vários altos postos da polícia, afirmou que a ação policial será pautada pela “tolerância zero”.

No entanto, para especialistas das forças da ordem em França, esta mudança de perfis e de estratégia pode não chegar.

“O sistema da manutenção da ordem em França está em crise há alguns anos. Houve uma mudança de estratégia da polícia que começou ainda antes dos ‘coletes amarelos’ e que passou a ser muito mais ofensiva. Até aí, tínhamos táticas especializadas para lutar contra a delinquência, mas usadas apenas nos bairros à volta de Paris”, disse Vincent Denis, professor de História Moderna na Universidade Paris 1 – Panthéon-Sorbonne e especialista na história da polícia, em declarações à agência Lusa.

“A desorganização da polícia no sábado passado e durante as últimas semanas é gritante”, afirmou Alain Bauer, professor de criminologia no Conservatoire National des Arts et Métiers e antigo conselheiro do Presidente Nicolas Sarkozy para a segurança, à agência Lusa.

Para Bauer, quanto mais tempo de manifestações, mais o movimento dos “coletes amarelos” se radicaliza, o que deve levar a uma “resposta autoritária” por parte das forças da ordem.

O especialista em segurança considera ainda que a manifestação do passado sábado foi marcada pelo fim do Grande Debate, resposta de Emmanuel Macron às exigências do movimento dos “coletes amarelos” e que abriu o debate em França sobre mudanças para o futuro.

No entanto, alerta, o protesto de hoje será algo “diferente”.

Para além da mudança na estratégia e atitude da polícia, as autoridades francesas mobilizaram militares da operação antiterrorista “Sentinela” para defender os edifícios públicos como ministérios, libertando assim agentes para o reforço da segurança noutros sítios. A utilização de ‘drones’ (aparelhos aéreos não tripulados] durante as manifestações está também a ser estudada.