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Coleção “sem género” da Zippy cria polémica e obriga marca a reagir

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A portuguesa Zippy lançou uma coleção infantil "sem género". A linha "Happy", para crianças dos 3 aos 12 anos, está a ser apontada, na redes sociais, de "ideologia de género". Marca já reagiu.

A portuguesa Zippy lançou uma coleção de roupa de criança "sem género" no início do mês. Veja as reações nas redes sociais

© Zippy

No início do mês de março, a Zippy lançou a primeira coleção “ungendered” (“sem género”) de nome Happy, para “celebrar a individualidade e a liberdade de expressão de cada um”. Dias após o lançamento, a mesma coleção está a ser alvo de sucessivas críticas nas redes sociais, apontada por promover “ideologia de género”. Em resposta, a marca portuguesa apostada em roupa de criança emitiu, esta quarta-feira, um comunicado onde se lê que a coleção Happy “não tem qualquer associação a ideologias ou movimentos, sejam eles quais forem”.

Esta é uma coleção cápsula com peças unissexo, que podem ser usadas tanto por meninos como por meninas, e que materializa o espírito prático e funcional da Zippy. Com esta linha, queremos ajudar os pais na hora de vestir as suas crianças, dando-lhes opções versáteis e que podem ser passadas de irmãos para irmãs, de primas para primos, e vice-versa.

As peças, em tons coloridos alusivos à primavera, foram pensadas para crianças dos 3 aos 14 anos, e vão de vestuário a acessórios e opções de calçado. Nas redes sociais, no Facebook em particular, as reações são muitas e refletem posições diversas. A publicação referente ao lançamento da coleção, datada de 3 de março, reúne mais de 27o comentários, entre os quais:

  • “Adeus Zippy! Nem mais um euro e vou partilhar com família e amigos! Gravíssimo entraram nesta campanha de promoção de ideologia de género“;
  • “Nunca mais Zippy, ADEUS. Não percebem que nós pais não queremos isto para os nossos filhos? V-E-R-G-O-N-H-A”;
  • “Deixem as crianças ser crianças, parem de as usar como instrumentos dessa campanha global hedionda. “Happy”=gay… Boicote à Zippy”;
  • Ia falecendo com os comentários que vieram aqui parar. Ainda por cima vindos de pessoas que de certeza acusam outros de serem snowflakes e flores de estufa noutras situações. És fixe, Zippy”;
  • “Parabéns Zippy! A maldade está nos olhos de quem a vê… Se mostrarmos uma peça de roupa a uma criança, para ela vai ser o que é na realidade, vai ser meramente um casaco, uma blusa… nada mais… Continuem com o excelente trabalho :)”.

HAPPY // Ungendered Collection A capsule collection where colors are the star. Each color represents a personality and each item our capacity to celebrate them, bringing them together.

Posted by Zippy on Sunday, March 3, 2019

As reações à publicação em causa estão a ganhar alguma dimensão e estão agora a ser partilhadas por vários utilizadores nas redes sociais. Na página de Facebook da Zippy, por exemplo, a secção “Críticas” está a ser inundada de “recomendações” positivas e negativas. Na fotogaleria abaixo estão alguns dos comentários nos quais a marca é apontada de promover “ideologia de género”, em que a hashtag #DeixemAsCriançasemPaz é mais do que uma vez usada. Há até quem associe esta coleção sem género à “erotização das crianças”.

Moda infantil sem género: outros casos e polémicas

A coleção lançada este mês de março pela portuguesa Zippy está longe de ser inédita no que diz respeito a moda infantil de género indiferenciado. Em setembro de 2017, a cadeia britânica John Lewis apresentou uma linha de roupa de criança com género neutro. Neste lançamento, a marca sugeriu, subtilmente, que meninos e meninas vestissem as mesmas cores e padrões, tornando-se a primeira, no Reino Unido, a fazê-lo. A referida coleção incluía saias, calças e vestidos, apenas removendo das etiquetas qualquer indicação de que as peças haviam sido desenhadas para meninos ou meninas.

A coleção teve como principal objetivo “não reforçar os estereótipos de género”, mas dividiu opiniões na internet. “Só existem dois sexos, masculino e feminino”, “Um horrível sinal dos tempos” e “Podemos continuar a chamar-lhe John Lewis ou tem de ser Joan Lewis?” foram alguns dos comentários feitos nas redes sociais. No verão do ano passado, foi a vez da americana Tommy Hilfiger. Embora não tenha suscitado o alarido da cadeia britânica, a marca apresentou uma edição unissexo de peças de inspiração desportiva, como blusões de basebol e jardineiras.

Enquanto isso, há marcas que nascem já sob a linha orientadora de abolir a diferenciação de género no vestuário infantil. É o caso de pequenas etiquetas como a Tootsa, a Claude & Co, a Bangbang Copenhagen, a portuguesa Blake e a celinununu, uma linha desenvolvida no final do ano passado pela marca NUNUNU em colaboração com Celine Dion. Mais uma vez, os protagonistas enfrentaram indignação pública, nesse caso, também na sequência do vídeo promocional da linha de roupa.

Historicamente, as diferenças entre vestuário de meninos e meninas é pouco linear. Da dicotomia clássica entre azul e cor-de-rosa, aos próprios elementos do vestuário, a história mostra que as silhuetas das crianças estiveram em constante mutação ao longo da história.

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