Aníbal Cavaco Silva

Cavaco nomeou diretamente a cunhada em Belém

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Antigo Presidente nomeou cunhada para assessorar a sua mulher em Belém. Margarida Mealha foi escolhida pela "confiança pessoal", mas também pelo "mérito no privado"... ligado ao setor marítimo.

Maria Cavaco Silva, até 2006 teve a sua vida profissional como professora, ee "quis ser acompanhada nas suas actividades por alguém da sua confiança pessoal", responde gabinete do ex-PR

ANTONIO COTRIM/LUSA

Não é só nos governos de Cavaco Silva (entre 1985 e 1995) que se encontram ligações familiares. Nos anos em que esteve na Presidência, a Casa Civil contou sempre com uma colaboração próxima da primeira-dama que era sua própria familiar. Margarida Mealha Santos Silva é cunhada de Maria Cavaco Silva e assessorou-a no Gabinete de Apoio ao Cônjuge criado pelo antecessor em Belém, Jorge Sampaio.

A informação foi confirmada ao Observador pelo gabinete do ex-Presidente Cavaco Silva que garante que aquele gabinete de apoio “nunca teve quaisquer funções ligadas à ação política e constitucional do Presidente da República, apenas e exclusivamente de apoio à atividades essencialmente de cariz social e cultural da sua mulher, em particular a intensa ação desenvolvida junto das associações de apoio aos deficientes”.

Questionado sobre as motivações que levaram Cavaco Silva a nomear um familiar para um cargo na Casa Civil, o mesmo gabinete esclarece que “a Dra. Maria Cavaco Silva, que até 2006 teve a sua vida profissional como professora, quis ser acompanhada nas suas atividades por alguém da sua confiança pessoal“. Além disso, “essa confiança foi reforçada pelo conhecimento do mérito da Margarida Mealha no seu percurso profissional no sector privado, onde tinha um cargo de direção numa empresa ligada ao sector dos transportes marítimos”. Maria Margarida Dias Mealha Santos Silva era, antes de ir para Belém, chefe de serviços da Sadomarítima da Agência de Navegação e Trânsitos, onde foi requisitada.

“A ligação familiar nunca foi escondida”, argumenta ainda o mesmo gabinete que responde num texto de dois parágrafos às oito perguntas enviadas pelo Observador, deixando sem resposta a que dizia respeito ao salário auferido pela assessora de Maria Cavaco Silva durante os tempos em que esteve em funções, por falta de informação concreta. A sua presença ao lado da antiga primeira-dama era constante e muitas vezes referida nas revistas do social como sua “cunhada e braço direito”.

Apesar de o Gabinete do antigo Presidente referir que “Margarida Mealha esteve sempre adstrita ao Gabinete de Apoio ao Cônjuge”, as suas funções foram alteradas. Em 2006, no arranque do primeiro mandato presidencial, foi nomeada adjunta do Gabinete de Apoio ao Cônjuge do Presidente da República. A partir de 2009, passou a estar sozinha, por isso foi exonerada de adjunta e novamente nomeada assessora, desta vez, diretamente da Casa Civil, em janeiro. Foi reconduzida no cargo no segundo mandato de Cavaco Silva, em 2011. No final do mandato, foi agraciada — um reconhceimento habitual dos Presidentes, no fecho do mandato, dos que constituíram o seu gabinete — com o grau de grande-oficial da Ordem do Infante D. Henrique.

Quando foi primeiro-ministro, no segundo Governo, Cavaco Silva já tinha sido notícia por ter nomeado o cunhado, António Vieira Santos Silva (irmão de Maria Cavaco Silva, por parte do pai que enviuvou muito cedo — a mãe da antiga primeira-dama morreu aos 24 anos) como vogal do conselho de administração da Cimpor. O despacho de 7 de julho de 1994 é assinado pelo secretário de Estado Adjunto e das Finanças, António José Fernandes de Sousa, era Eduardo Catroga o responsável máximo nas Finanças. De acordo com o que foi noticiado na imprensa na altura, a nomeação para a empresa pública tinha acontecido “a poucos dias da privatização” da mesma. Na década de 70 (antes do cavaquismo), António Santos Silva, engenheiro mecânico, tinha já administrado várias empresas públicas. Naquela altura era quadro da Petrogal.

Artigo alterado com a retirada da referência à acumulação de funções com docência. Era apenas uma hipótese aberta no despacho, mas Margarida Mealha não acumulava.

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