A endogamia no Governo tem marcado a atualidade das últimas semanas e já serviu de bala na ocasional troca de disparos entre Cavaco Silva e Marcelo Rebelo de Sousa. O Presidente da República, em reação aos sucessivos casos de relações familiares no Executivo de António Costa, chutou a responsabilidade das nomeações para o seu antecessor. A resposta chegou esta tarde pela voz do próprio Cavaco Silva, argumentando que a atual composição do Governo “não tem comparação” com aquela a que deu posse. No fim, adiantou que enquanto foi primeiro-ministro nunca houve uma relação familiar nos seus executivos. “Por curiosidade, fui verificar a composição dos meus três governos durante os dez anos em que fui primeiro-ministro e não detetei lá – espero não me ter enganado – nenhuma ligação familiar”, disse.

O Observador fez o mesmo exercício e encontrou pelo menos três: a mulher de Marques Mendes foi nomeada adjunta do gabinete do ministro Álvaro Amaro quando o agora comentador era Ministro Adjunto; Durão Barroso era Secretário de Estados dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação quando o seu tio Diamantino Durão assumiu o Ministério da Educação; e Leonor Beleza, então Ministra da Saúde, além de ter feito parte do mesmo Governo que o seu irmão, Miguel Beleza, delegou competências na sua mãe, Maria dos Prazeres Lançarote Couceiro da Costa.

O que está em causa?

O ex-Presidente da República Aníbal Cavaco Silva esteve esta tarde na Universidade da Beira Interior (UBI), na Covilhã, para falar da construção europeia e do futuro do Euro. À saída, tinha alguns jornalistas à espera. Mais do que o interesse que o evento podia eventualmente suscitar, a comunicação social procurava uma reação às acusações lançadas na terça-feira por Marcelo Rebelo de Sousa.

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