Líbia

ONU. Cerca de 2.800 pessoas fugiram nos últimos dias de Tripoli e arredores

A ONU alertou esta segunda-feira para a "escalada da violência" que tem vindo a aumentar na capital da Líbia e que está a afetar refugiados e migrantes arbitrariamente detidos em centros de detenção.

Pelo menos 32 pessoas morreram e outras 50 ficaram feridas desde o início da ofensiva do marechal Haftar contra a capital líbia na quinta-feira

STRINGER/EPA

Autor
  • Agência Lusa

Cerca de 2.800 pessoas foram forçadas a sair de Tripoli e arredores, devido ao recrudescer do conflito, com uma ofensiva militar do marechal Khalifa Hafter sobre a capital líbia, anunciou esta segunda-feira  a coordenadora humanitária das Nações Unidas naquele país.

A escalada da violência está a aumentar ainda mais a miséria de refugiados e migrantes arbitrariamente detidos em centros de detenção em áreas de conflito ativo”, indicou a coordenadora da ONU, em comunicado.

Maria Valle Ribeiro, coordenadora humanitária da ONU na Líbia, lembrou a todos os envolvidos as suas obrigações dentro do Direito Internacional dos Direitos Humanos para garantir a segurança de civis e infraestruturas civis, incluindo escolas, hospitais e serviços públicos, e permitir o acesso humanitário livre e contínuo a todas as áreas afetadas.

A missão da ONU na Líbia (Manul) lançou um “apelo urgente” para uma trégua de duas horas nos subúrbios de Trípoli, no sul do país, para permitir a retirada de feridos e civis diante da escalada militar.

Pelo menos 32 pessoas morreram e outras 50 ficaram feridas desde o início da ofensiva do marechal Haftar contra a capital líbia na quinta-feira, revela um novo balanço do Ministério da Saúde do Governo de União Nacional.

Violentos combates nas proximidades de Trípoli opuseram no domingo as forças paramilitares do marechal Haftar, que quer conquistar a capital, e as tropas do Governo de União Nacional (GNA, sigla em inglês), administração líbia que é reconhecida pela comunidade internacional.

Os Estados Unidos pediram, entretanto, “um cessar imediato” da ofensiva do marechal Haftar.

As grandes potências não conseguiram ainda encontrar no âmbito da Organização das Nações Unidas (ONU) uma posição comum sobre a crise na Líbia.

Um país rico em petróleo, a Líbia ficou dilacerada após a queda do Presidente Muammar Kadhafi em 2011, que gerou múltiplos conflitos internos.

Entretanto, a ofensiva lançada na quinta-feira pelas forças do marechal Haftar, homem forte no leste do país que quer tomar Trípoli e estender seu domínio no oeste, marca uma clara degradação entre as duas principais forças que lutam pelo poder no país.

Os combates ocorreram no domingo ao sul de Trípoli, especialmente em Wadi Rabi e no perímetro do aeroporto internacional, uma infraestrutura não utilizada desde a sua destruição pelos combates em 2014.

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