A maior das surpresas chegou esta semana, em vésperas do grande dia da coroação. O rei da Tailândia casou-se com a vice-chefe da sua segurança pessoal, com a antiga assistente de bordo a tornar-se agora rainha. Entretanto, as atenções da multidão voltam-se este sábado para uma cerimónia que não se realizava no país há quase 70 anos. Uma maré de gente tentou garantir um lugar à porta do Palácio Real, em Banguecoque, esperando a chegada do novo rei, Maha Vajiralongkorn, também conhecido como Rama X

A coroação surge depois de um longo período de luto pela morte do anterior monarca, que se despediu do trono aos 88 anos. Vajiralongkorn sucede a Bhumibol Adulyadej, o rei histórico que morreu em outubro de 2016. Quando ao novo soberano, tem 66 anos, vai no quarto casamento e terá a difícil missão de atingir pelo menos os mesmos níveis de popularidade do seu pai.

Uma fotografia tirada à emissão da Thai TV, que teve acesso às movimentações no interior do Palácio Real © Thai TV Pool /AFP/Getty Images

Mas são os números que mais têm merecido relevo nos últimos dias. Afinal, falamos de uma cerimónia de coroação que dura três dias e que terá envolvido a astronómica soma de 28 milhões de euros. O novo rei, um dos mais ricos do mundo, circulou pela capital tailandesa numa liteira real depois de ser presenteado com uma coroa em ouro de 7.3 quilos, seguindo os passos que foram ensaiados no passado domingo. Era suposto calçar uma espécie de babouchas pontiagudas e, por fim, receber aquele que se assemelha a um guarda-chuva dourado, neste caso sagrado, naturalmente. É a peça mais relevante de todo este processo e deverá permanecer a partir de agora sobre a figura do monarca.

Pela cidade, toda uma uma exibição colorida de trajes tradicionais, de gorros vermelhos também pontiagudos a elmos dourados em forma de sino, e ainda tambores, com as as autoridades a usarem o tom amarelo nas semanas que antecederam a coroação, já que esta é considerada a cor do rei.

Apesar da monarquia no país encontrar a sua origem no século XIII, muitos dos ritos associados a este tipo de cerimónia remontam ao reinado de Rama I, fundador da dinastia Chakra, a da presente era, encetada em 1782. É deste período que data o recurso a todos estes objetos com uma valor particular. Refira-se ainda que o monarca deve ser purificado com água sagrada recolhida de cada uma das 76 províncias da Tailândia, o primeiro passo dos rituais.

Vestida de cor de rosa, Suthida Tidjai, a nova mulher de Rama X, também marcou presença na cerimónia oficial que decorreu no Palácio Real.