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O final de “Guerra dos Tronos” é melhor ou pior que o fim de outras grandes séries?

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Chegou ao fim aquela que terá sido, provavelmente, a maior série de todos os tempos, pelo menos em termos de números. Mas onde fica este fim quando comparado com outras produções de referência?

Autor
  • André Almeida Santos
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[ATENÇÃO: este texto tem SPOILERS sobre a oitava temporada da Guerra dos Tronos. Se não quer saber mais, não leia]

Um final é sempre um final, uma despedida que pode ser só isso ou um ponto final que nos diz tudo o que tínhamos a saber sobre a série que acabámos de ver. Será que “Guerra dos Tronos” conseguiu fazer isso? Agora que terminou, relembramos alguns finais marcantes da televisão nas últimas décadas, no dia em que nos apercebemos que ontem não foi o episódio final de “Guerra dos Tronos”: isso começou no primeiro desta oitava temporada.

Guerra dos Tronos

2011-2019

Episódios que ensinaram meio mundo a calibrar a imagem da sua televisão, pessoas chateadas porque afinal foi uma má ideia chamarem Daenerys aos seus filhos ou a petição para refazer a última temporada de “Guerra dos Tronos”. Houve de tudo ao longo dos últimos seis episódios de “Guerra dos Tronos” que, agora vistos, parecem menos “episódios” e mais um longo filme de sete horas e picos. A questão fica: “Guerra dos Tronos” está entre os melhores finais de sempre? Não. Mas isso está longe de ser algo mau, a série é simplesmente vítima da sua escala. Ao longo das últimas semanas, “Guerra dos Tronos” não foi mais do que um aglomerado de momentos em que se terminam histórias, dá-se o reconforto do final, embora os fãs fossem insistindo em dez mil teorias para o final da história de algumas personagens que já tinham visto o seu ciclo fechado. Por isso, o último episódio é impactante pela ideia de fim, menos pela forma que o faz: o grande impacto deu-se na semana passada, não por causa de Daenerys, mas pela rapidez da destruição. Foi uma sugestão de que não iria haver finais felizes, de que o último episódio seria um fechar de portas contínuo, com uma ou outra surpresa, mas sem o dom de um grande final.

Battlestar Galactica

2004-2009

O remake de Ronald D. Morre da série de ficção científica da década de 1970 vive na memória como um exemplo de como fazer estas coisas. “Battlestar Galactica” é mais do que um bom remake, é um reimaginar enérgico de um universo que parecia acabado. Fosse feita dez anos depois e com o dinheiro de “Guerra dos Tronos”, hoje estaríamos a falar de “Battlestar Galactica”. É uma série à frente do seu tempo? Não, foi um produto de um tempo em que fantasia não era moda no pequeno ecrã. O final, goste-se ou não, foi uma solução ingénua, mas funcional, para muitas das questões de “Battlestar Galactica”. Afinal, o que o espectador via não era o futuro, mas a história dos colonizadores da terra, há muitos, muitos anos.

Breaking Bad

2008-2013

A história de Walter White prolongou-se por mais tempo do que seria esperado. Não é uma crítica, mas um elogio, por um gesto milagroso, Vince Gilligan conseguiu intensificar as manobras de sobrevivência de Walter White ao longo de cinco temporadas, intensificando aquilo que seria inevitável. A morte do protagonista no último episódio, embora expectável, ainda impressiona por causa disso, o espectador recebeu o que estava à espera, como estava à espera, o que não se esperava é que o laço afetivo com a personagem fosse tão especial. Foi como ver um amigo partir.

Mad Men

2007-2015

Na última cena de “Mad Men”, Matthew Weiner deixou o espectador num abismo, um cruzamento emotivo entre a ficção e a realidade, deixando a sensação de que Don Draper foi o criador do anúncio que transformou para sempre a Coca-Cola. A escolha desse final é também a prova inabalável da maravilhosa transformação de “Mad Men” nas duas últimas temporadas, quando deixa de ser uma série sobre o mundo da publicidade, a década de 1960, e mergulha no abismo de um homem.

Seinfeld

1989-1998

As personagens de “Seinfeld” fazem algo moralmente deplorável e inicia-se um julgamento contra todas elas. Um final que tem tanto de facilitismo, como de ótimo prolongamento cheio de razões para as personagens continuarem a existir no futuro: não em sequelas e, sim, no imaginário do público. Marcou pela criatividade com que uma série se revê e constrói o arco final para as suas personagens.

The Sopranos

1999-2007

Antes da “era de ouro da televisão” existiu esta era de ouro da televisão, “The Sopranos”, “O Sexo e a Cidade” e “Sete Palmos de Terra” foram uma porta de entrada para muito para o universo da HBO, o corpo de que “não é televisão, é HBO” começava-se a criar. Poder-se-ia escolher o final de qualquer uma daquelas três séries para estar aqui representado, mas o de “The Sopranos” é especial. David Chase decidiu terminar a série com um momento aleatório, que de repente é interrompido. Ao som dos Journey.

A Roda da Sorte

1990-1994

Não é uma série de televisão. Não é um programa estrangeiro. E quem viu lembra-se do que Herman José fez no último episódio de “A Roda da Sorte”. Sim, uma coisa destas seria impossível de acontecer no dias que correm. Mas também seria assim tão possível em 1994? Isto é, entrar com uma caçadeira no estúdio e destruir o cenário? Claro que não, mas Herman José fê-lo. Não é um grande momento da televisão nacional. É dos momentos mais incríveis da história do entretenimento.

Veep

2012-2019

Enquanto “Guerra dos Tronos” aconteceu, acabava outra das grandes séries desta década, também da HBO. “Veep” poderia ter acabado na sua quinta temporada, as duas seguintes foram uma espécie de encore para prolongar a história das personagens para chegarem ao épico final da semana passada: Selina Meyer (o melhor papel da carreira de Julia Louis-Dreyfus) é finalmente eleita presidente dos Estados Unidos. Um detalhe que é deixado para o encore do encore, porque o que sempre importou foi como “Veep”, e a equipa por detrás da série, leu tão bem a política do presente. Lembra-se da história da semana passada de que os norte-americanos achavam que os números árabes deveriam deixar de estar nas escolas? “Veep” fez isso umas semanas antes.

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