O juiz Gil Vicente decidiu pronunciar Valdemar Alves, presidente da Câmara de Pedrógão Grande no processo sobre os fogos de 2017 em que morreram 66 pessoas. O advogado dos familiares de duas das vítimas, Ricardo Sá Fernandes, que ainda não fora noticado quando falou ao Observador, vê na decisão uma “questão da mais elementar justiça”, já que “a posição de Valdemar Alves não é diferente dos presidentes das outras câmaras”.

O presidente da Câmara Municipal de Figueiró dos Vinhos, Jorge Abreu , e o seu homólogo na Câmara Municipal de Castanheira de Pera, Fernando Lopes, vão também a tribunal, tal como outras 7 pessoas: a então engenheira florestal no município de Pedrógão Grande Margarida Gonçalves; o comandante dos Bombeiros Voluntários de Pedrógão Grande, Augusto Arnaut; o subdiretor da área comercial da EDP José Geria; o subdiretor da área de manutenção do Centro da mesma empresa, Casimiro Pedro; e três arguidos com cargos na Ascendi Pinhal Interior: José Revés, António Berardinelli e Rogério Mota.

A notícia foi avançada pelo Expresso, e confirmada pela Agência Lusa, adiantando que não vão a julgamento o comandante distrital de operações de socorro de Leiria à data dos factos, Sérgio Gomes, e o segundo comandante distrital, Mário Cerol. Ricardo Sá Fernandes irá analisar as justificações do juiz de instrução para decidir se recorre ou não desta decisão, conforme “concorde ou não com os argumentos apresentados”.

Valdemar Alves tinha sido excluído da acusação do Ministério Público porque argumentara ter delegado responsabilidades noutros responsáveis. Uma justificação rebatida por Sá Fernandes na fase de instrução, e que estaria a criar “um erro e uma injustiça relativa”, por o autarca ser “responsável como os outros presidentes”.

José Graça, vice presidente da Câmara de Pedrogão em 2017, não será julgado, apesar de acusado pelo Ministério Público, “porque não lhe estavam delegados poderes para gestão de combustíveis”, decidiu o juiz no despacho que o Expresso leu. Ricardo Sá Fernandes não pondera recorrer desta decisão.

Contactados pelo Observador, Jorge Abreu e Manuel Magalhães e Silva (advogado de Valdemar Alves) Recusam prestar declarações neste momento. Valdemar Alves, Sérgio Gomes, Fernando Lopes, Mário Cerol e José Graça não responderam aos contactos do Observador.

**Notícia atualizado às 16h44 de 21 de junho de 2019 com a reação de Ricardo Sá Fernandes; e ás 17h33 do mesmo dia com as tentativas de contacto realizadas**