É uma espécie de cruzamento entre o Duende Verde do “Homem-Aranha”, Marty McFly, d’O Regresso ao Futuro”, com o seu skate voador, o Homem-de-Ferro e as suas armaduras de alta tecnologia e o Surfista Prateado. Franky Zapata foi a estrela das comemorações do Dia da Bastilha este domingo em Paris, ao voar com o Flyboard Air, uma prancha voadora da sua autoria, sobre os Campos Elisíos, em Paris.

Mas quem é este homem, campeão mundial de jet ski e fã de super-heróis? “Sempre o disse, mas as pessoas nunca acreditavam em mim na altura: se consegui desenvolver um jet ski, também consigo um skateboard ou um avião”, disse, em agosto do ano passado, em entrevista ao blog da Amazon.

Desde 2012 que se dedica a melhorar o Flyboard Air — começou por testar o equipamento em lagos e agora já consegue atingir os 200 quilómetros por hora. “É impossível usá-lo antes de ter, no mínimo, entre 50 e 100 horas de treino com o Flyboard original [o Eau, usado exclusivamente na água]. Além disso, se quiserem experimentá-lo, têm de ter sete vidas como os gatos”, brinca o francês.

O francês dedica-se desde 2012 aos Flyboard Air, a prancha voadora que pode atingir os 200 quilómetros por hora

“Sempre foi um sonho meu voar como o Homem-de-Ferro”

Fã de banda desenhada e de super-heróis, Franky Zapata, 40 anos, interessou-se desde cedo pela velocidade. “Sempre foi um sonho meu voar como o Homem de Ferro.” E o sonho tornou-se realidade para o miúdo natural de uma pequena terra a 20 quilómetros de Marselha, no sul de França.

Tudo começou aos 17 anos quando descobriu o jet ski. Um ano depois, em 1996, venceu o primeiro título nacional. Desde então e até 2010, foi sete vezes campeão europeu e ganhou dois títulos mundiais. Mas o bichinho criativo mantinha-se. Depois de construir um casco para um jet ski começou a trabalhar num sistema para melhorar a propulsão do aparelho.

“Eu e os meus amigos começámos a fazer medições [à força de propulsão do jet ski] e chegámos a números impressionantes. Disse para mim: ‘Consegues voar com aquela quantidade de força’!” Juntou uma tubeira — uma peça de motor — a uma prancha de wakeboard e foi experimentá-la para um lago.

Assim nascia o Flyboard Eau (que desde então já sofreu muitas modificações).

[Veja o vídeo do Flyboard Eau]

Do Flyboard Eau (água) para o Air (ar)

A primeira prancha criada por Zapata apenas permitia voar a uma altitude de 20 metros. A empresa do francês, criada em 1998, arrecadou quase um milhão de euros no primeiro ano do Flyboard Eau. Mas Zapata queria mais. “Desde que comecei a lucrar, fui investindo o dinheiro em investigação e desenvolvimento para tentar encontrar soluções”. Começou a usar motores a jato. “Mas tivemos problemas com a estabilidade. Tivemos de criar um software específico. Normalmente isto teria demorado um ano. Mas nós conseguimos num mês, porque encontrámos os algoritmos certos em fevereiro de 2016.”

Não foi fácil chegar ao Flyboard Air — Zapata foi mesmo proibido pelas autoridades de o usar durante vários meses por motivos de segurança. Hoje, esta prancha voadora é uma invenção de alta tecnologia que impulsiona o passageiro no ar graças aos motores a jato que funcionam com óleo de parafina. Pode atingir uma altitude de até 3.000 metros e uma velocidade de quase 200 quilómetros por hora. Está equipado com cinco motores que regulam o impulso e a estabilidade, segundo a Amazon.

[Veja a demonstração do Flyboard Air no Dia da Bastilha]

[E junto a uma autoestrada]

O aparelho tem interesse para as forças especiais francesas, para quem a prancha tem “potencial para ser utilizada em operações especiais em áreas urbanas”. Durante uma demonstração das forças especiais, em 2018, o Flyboard Air foi usado por um militar das forças especiais francesas, que sobrevoou o rio Sena.

E há já empresas interessadas no produto, garante o empresário. “O Flyboard é fruto de trabalho de equipa. Sonhámos em pôr as pessoas a voar e, depois de muito esforço, conseguimos.”

Se o Flyboard Eau “está pensado para ser usado por qualquer pessoa”, o Air requer mais cuidados e um treino específico. Se tiver curiosidade, há aulas disponíveis. Ainda assim, garante Zapata, “é um sistema de aviação pessoal que é extremamente seguro, fácil, leve e pode ser manobrado por uma só pessoa”.

O equipamento possui uma alavanca lateral para controlar a elevação e propulsão, mas a habilidade de movimentos fica por conta do balanço corporal do utilizador, tal como com uma Segway. Numa entrevista ao portal The Verge, Zapata afirma: “Nós usamos a mesma tecnologia estabilizadora dos drones. O problema é criar os algoritmos certos”.

Franky Zapata garante que não quer ficar por aqui. Porque, “honestamente,  os carros voadores estão mesmo ao virar da esquina”.