“Que não haja dúvidas: ao nível de hoje, é o melhor jogo de futsal do mundo. Vejam a qualidade das equipas, das individualidades, os internacionais, as conquistas nacionais e internacionais. O melhor jogo do mundo. Um privilégio e uma honra disputá-lo”. As palavras podiam ser de qualquer adepto atento de futsal mas são de Joel Rocha, treinador do Benfica, referindo-se ao encontro entre os encarnados e o Sporting. Afinal, o jogo que esta sexta-feira decidia a Supertaça de futsal era entre uma das equipas que esteve na final four da Liga dos Campeões da temporada passada e o vencedor dessa mesma Liga dos Campeões.

Depois de uma época histórica para o futsal português — começou com a memória do Europeu conquistado pela Seleção Nacional, continuou com Benfica e Sporting na final four da Champions e terminou com a inédita vitória dos leões na competição –, encarnados e leões davam o pontapé de saída oficial da temporada 2019/20 em Torres Novas, num Palácio dos Desportos totalmente lotado. O Benfica, que foi campeão nacional, perdeu de uma temporada para a outra o fixo Marc Torlà e o pivot Raúl Campos, reforçando-se com o jovem Célio Coque, resgatado aos leões, e os brasileiros Fernandinho e Fernando Drasler; já o Sporting, que conquistou a Taça de Portugal, ficou sem o guarda-redes André Sousa, que se mudou para os encarnados, e sem Pedro Cary, colmatando as saídas com os alas Pauleta e Taynan.

Na disputa pelo primeiro troféu da temporada, o Sporting quase entrou a ganhar, adiantando-se no marcador logo aos dois minutos: numa reposição de bola na direita, o reforço Taynan surgiu em boa posição e bateu André Sousa para inaugurar o marcador. Pouco depois, a partir de um contra-ataque que até começou com uma boa oportunidade para o Benfica, Rocha recebeu diretamente de Guitta tombado na esquerda e voltou a bater o guarda-redes dos encarnados (4′). Entrada demolidora dos leões, que cavavam desde logo uma vantagem de dois golos antes de estarem cumpridos cinco minutos da primeira parte e pareciam estar melhor no encontro: a equipa de Nuno Dias foi sempre mais perigosa e mais intensa e só permitiu algum desequilíbrio nos instantes finais do primeiro tempo, em que entregou a iniciativa ao adversário e optou por defender o bom resultado até ao intervalo. Fernandinho ficou muito perto de reduzir a desvantagem no último minuto da primeira parte, assim como Rocha falhou por pouco o terceiro golo, mas a partida foi mesmo para o intervalo com o Sporting a ganhar por 0-2.

Na segunda parte, tal como tinha acontecido na primeira, o Sporting entrou a marcar cedo — numa altura em que o Benfica ainda estudava a forma como os leões se iam apresentar depois do intervalo. Logo no minuto inicial do segundo tempo, Merlim rematou na esquerda, a bola bateu em Chaguinha e traiu André Sousa: com 19 minutos para jogar, o Sporting ganhava por três golos de diferença, estava mais confiante na partida e permitia pouco espaço aos encarnados, que tentavam coordenar as transições ofensivas através de Bruno Coelho e colocar em Miguel Ângelo, que logo a seguir ao golo ficou com a responsabilidade de ser o homem mais adiantado do conjunto de Joel Rocha.

Ainda assim, e apesar de nesta altura ser o Benfica a dominar a posse de bola, de forma natural, o Sporting acabou por chegar ao quarto golo: novamente através de um contra-ataque rápido, desta vez conduzido por Merlim, que atraiu André Sousa e assistiu Rocha para o interior da grande área encarnada, onde o pivot brasileiro só precisou de encostar para a baliza deserta. Na sequência do quarto golo, o Benfica entrou num período de indefinição e pouco discernimento que permitiu aos leões voltar a marcar, através de uma saída pouco ponderada do guarda-redes que Cardinal aproveitou sem grande dificuldade. Até ao final da partida, a equipa de Nuno Dias recuou o bloco e passou a jogar apenas em transição, à espera do Benfica, que dominou por completo a posse de bola nos últimos dez minutos e passou a jogar em cinco para quatro — os encarnados chegaram ao golo a cerca de três minutos do fim da partida, por intermédio de Fits, os leões responderam de seguida com um remate do capitão João Matos quase de baliza a baliza, Fernandinho ainda marcou novamente para o Benfica e o resultado final ficou nos 2-6.

O Sporting ganhou o primeiro troféu da época e conquistou a Supertaça de futsal pelo terceiro ano consecutivo e pela nona vez a nível global — distanciando-se do Benfica, que conta oito. O conjunto orientado por Nuno Dias começa a temporada da melhor maneira; já a equipa de Joel Rocha, que na época passada conseguiu reconquistar o título nacional depois de dois anos de domínio leonino, sofreu a primeira derrota oficial do ano.