Benedict Wong é um dos convidados especiais da sexta edição da Comic Con Portugal, que está a decorrer no Passeio Marítimo de Algés. O ator britânico de ascendência asiática já participou num dos episódios da série “Black Mirror” e fez parte do elenco de filmes como o “Perdidos em Marte”, protagonizado por Matt Damon. Contudo, o papel que lhe deu maior fama é o de Wong, o ajudante do super-herói feiticeiro Dr. Estranho, interpretado por Benedict Cumberbatch nos filmes dos Vingadores. Sim, tem o mesmo nome que a sua personagem. E sobre isso confessa entre risos, numa curtíssima entrevista ao Observador: “Foi uma justiça poética”.

O ator está pela primeira vez em Portugal este sábado e domingo para conhecer fãs portugueses da saga dos filmes de super-heróis da Marvel que tem batido recordes de audiências em todo o mundo. Sobre o próximo filme da saga Dr. Estranho — “Doutor Estranho: No Multiverso da Loucura” — apenas confirma que vai ser o primeiro de “terror” do universo de cinema da Marvel. Contudo, e evitando possíveis spoilers, afirma que não sabe o que vai acontecer: “Sou o último a saber”, diz entre risos. Além disso, fala do conflito entre a Disney, que é dona da Marvel, e a Sony, que tem os direitos para cinema do Homem-Aranha (o super-herói preferido de Benedict). Leia a curta entrevista.

Benedict Wong, ator de filmes da Marvel, como Dr. Estranho e os Vingadores em entrevista ao Observador na Comic Con Portugal (ANDRÉ DIAS NOBRE / OBSERVADOR)

Os filmes já não são apenas um sucesso para os filhos, são também para os pais que querem ir ver com os filhos os filmes da Marvel.
Sim, e isso é ótimo

Sobre o próximo filme do Dr. Estranho, já o estão a preparar? O que nos pode contar?
Estou a aguardar tanto como os fãs. A beleza da Marvel é que é tudo um grande segredo, mas, do que sei, o Scott Derrickson [realizador do primeiro filme do Dr. Estranho] volta. Como o próprio disse, vai regressar ao género de terror, que o tornou conhecido. Vai ser o primeiro filme do MCU [Marvel Cinematic Universe] de terror. Vamos ver o que acontece. Sou o último a saber (risos)

Qual é o seu vingador preferido?
O Homem-Aranha. Sou um enorme fã.

A situação entre a Sony e a Disney a propósito do Homem-Aranha [neste momento, o acordo para mais filmes da Marvel está suspenso], como é que vai acabar?
Espero que se resolva para o bem das pessoas, que é o que querem. É como se, de certa forma, fossem adultos que concordaram mutuamente em ter um filho. De certa forma, é como se tivessem dado à luz a esta produção do Homem-Aranha. O MCU ajudou a encontrar o Tom Holland. Com o consentimento, a Sony fez um filme ótimo, que foi o “Regresso a Casa”, não acha?

Já falou com o Tom Holland sobre isto?
Ainda não.

Como é que conseguiu o papel para fazer parte do MCU?
Já era fã. Tenho muita sorte. Parece que quero fazer um papel e, depois, acontece. Especialmente neste caso. Como estava a dizer na conferência, colecionava coisas do Homem-Aranha. A minha carreira como ator tem estado a crescer e o MCU deixou-me interpretar uma personagem chamada Wong. É como se fosse o destino. Mais do que coincidência.

Wong tem o mesmo nome de “Wong”, a personagem que interpreta no universo de cinema da Marvel (ANDRÉ DIAS NOBRE / OBSERVADOR)

Ter o mesmo nome ajudou de alguma forma a conseguir o papel?
Soube do casting pelo meu amigo Chiwetel Ejiofor [“12 Anos Escravo”, “Perdido em Marte” e “Dr. Estranho”]. Íamos fazer o “Perdido em Marte” juntos e perguntou-me: “O que é que vais fazer a seguir?”. E disse-me que ia fazer o Dr. Strange e havia a persongem, o Wong. Pensei logo: tenho de conseguir isto. Não para mim, mas para os meus antepassados (risos). Foi uma justiça poética. É mesmo bom quando algumas coisas se alinham dessa forma.

Há alguma dica que possa dar aos fãs que queiram também fazer parte do MCU?
Trabalho arduamente e quero contar boas histórias. Concentrem-se nisso. É bom fazer-se parte de uma indústria ótima. Encontrem o vosso caminho.

Interpreta também uma personagem em “Black Mirror”, como foi fazer parte da série?
Adoro, foi o episódio das abelhas [“Hated in the Nation”]. Acho que o Charlie Brooker e a Annabel são fantásticos no que criaram. Era uma série ótima no Channel 4 e depois passaram para o Netflix e toda a gente começou a ver. Cada episódio é como se criasse uma conversa de jantar sempre bastante interessante. As pessoas olham para cada um e discutem, como a ideia de as pessoas darem classificações umas às outras, que já existe com o Uber e outras coisas.

Como é a primeira vez em Portugal e costuma fazer parte da Comic Con principal, a de San Diego, qual a principal diferença com Lisboa?
É uma cidade mesmo bonita, mas as diferenças com San Diego é que a cidade inteira mascara-se em cosplay. Aqui, é diferente. Ainda não vi muito. Acho que as Comic Con estão muito na berra. É uma época entusiasmante em que todos os setores do entretenimento estão juntos, a música, os filmes, os videojogos, a banda desenhadas. Tudo.