A Iveco, construtor de veículos pesados controlado pela família Agnelli, tal como a FCA, lançou o seu novo tractor de semi-reboque S-Way, destinado a substituir o Stralis. O novo modelo vai recorrer ao tradicional motor turbodiesel, com versões de 480 cv e 570 cv, ou a versões a gás natural liquefeito, com potências de 400 cv e 460 cv, substancialmente mais amigas do ambiente. A novidade é que a Iveco aposta em ser a primeira marca a oferecer, na Europa, um camião de 36 toneladas alimentado exclusivamente a energia eléctrica, armazenada numa bateria.

O protótipo Nikola TRE já existia, sendo um projecto previsto para a Europa por esta marca jovem mas cheia de potencial, que todos respeitam como um dos players mais avançados em camiões eléctricos, sejam eles alimentados por bateria ou fuel cell. O acordo com a Nikola permitiu à Iveco voltar a surpreender o mercado, pois os italianos pretendiam ter exactamente o que os americanos prometem, ou seja, um camião eléctrico capaz de bater uma versão diesel em todos os aspectos, dos custos de utilização à autonomia, passando pela rapidez de recarga.

O camião eléctrico da Iveco não vai ser um, mas sim dois, ambos construídos sobre a mesma base e com o mesmo aspecto. Contudo, são diferentes em termos mecânicos e destinam-se a clientes distintos. De um lado, uma versão eléctrica alimentada por uma bateria com 750 kWh de capacidade e capaz de percorrer 483 km entre recargas, para em alternativa surgir um outro tipo de camião eléctrico, mas este alimentado pela electricidade que gera a bordo, com recurso a fuel cells, ou seja, as células de combustível a hidrogénio. Estes estão equipados com depósitos de hidrogénio, cuja capacidade varia entre 60 e 80 kg, o que garante ao camião uma autonomia muito superior e compatível com uma versão diesel, com a vantagem de consumir o mesmo tempo para as operações de recarga, o que ainda não é possível num modelo alimentado por bateria.

De acordo com a Nikola, os dois veículos pesados, caracterizados ambos como heavy duty, respondem a clientes com necessidades diferentes. A versão alimentada por bateria, que deverá ser a mais acessível, visa os camiões com necessidade de percorrer distâncias menores, destinando-se preferencialmente a distribuição. A opção fuel cell vai permitir ter um camião de 36 toneladas tão pesado quanto um diesel, facilmente mais potente e com maior autonomia, sendo ainda mais barato de operar.

O novo veículo pesado será mostrado na sua versão definitiva em 2020, para chegar ao mercado em 2021 na versão a bateria e em 2023 equipado com a fuel cell, altura em que esta tecnologia deverá já ser consideravelmente mais barata. Veja aqui a apresentação do protótipo: