A Arábia Saudita condenou cinco homens à morte e outros três a 24 anos de prisão efetiva pelo homicídio do jornalista saudita Jamal Khashoggi, no ano passado, avança o The Guardian.

Todas as 11 pessoas levadas a julgamento foram consideradas culpadas. O procurador Shalaan al-Shalaan, que não mencionou o nome de nenhum dos condenados, referiu ainda que, apesar de ter sido investigado, Saud al-Qahtani, conselheiro do príncipe saudita Mohammed bin Salman, acabou por não ser acusado e foi libertado. 

Em junho, um relatório independente da ONU escrito por Agnes Callamard, especialista em direitos humanos, conclui que havia “provas credíveis” contra o príncipe saudita Mohammed bin Salman e indícios de que este “crime internacional” tenha tido a colaboração não apenas do príncipe herdeiro mas também de altos oficiais do Estado da Arábia Saudita.

“O jornalista Jamal Khashoggi foi vítima de uma execução deliberada e premeditada, um assassinato extrajudicial pelo qual a Arábia Saudita é responsável, aos olhos da lei internacional dos Direitos Humanos”, disse Agnes Callamard em declarações à imprensa.

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A autora do relatório, que teve acesso a gravações de conversas dentro da embaixada, concluiu que “Khashoggi pode ter recebido um sedativo, sendo depois sufocado com um saco plástico”. Callamard pedia assim uma investigação judicial para se apurar responsabilidades. “Passaram cerca de oito meses após a execução do Sr. Khashoggi e as responsabilidades individuais permanecem obscuras, em segredo. Falta dar início ao respetivo processo”, lê-se no documento.

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A 2 de outubro de 2018, o jornalista saudita, que morava nos Estados Unidos, entrou no consulado da Arábia Saudita em Istambul e não voltou a sair. A investigação permitiu concluir que Khashoggi foi morto por agentes sauditas, que saíram da Turquia e regressaram à Arábia Saudita logo após o homicídio.

O julgamento dos 11 suspeitos começou no início de janeiro, na Arábia Saudita. Após nove sessões, e mais de um ano depois do homicídio de Khashoggi, o veredicto final foi conhecido.