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Está no ar a Operação Stop da Rádio Observador. Eu sou o Miguel Cordeiro. Comigo já está o Alfredo Lavrador, o nosso editor da seção Auto. Alfredo, bem-vindo.
Viva, Miguel. É um prazer.
Vamos falar de automóveis elétricos e da forma como se carregam estes veículos, porque há aqui um tema que está de regresso, as puxadas de eletricidade a partir de casa para carregar veículos elétricos, os que estão estacionados na rua. Por que esta conduta pode ser perigosa? Porque, de facto, nem todos têm garagem, um local para carregar o carro e muitas vezes deparamo-nos com essas puxadas.
Olha, é uma coisa antiga. Todos nós nos lembramos que nos primórdios dos veículos elétricos, não faltavam situações, sobretudo em alguns bairros menos movimentados, em que havia indivíduos que atiravam cabos lá de cima do último andar, quinto, sexto, os prédios também não são muito altos, e aquilo vinha por aí abaixo e depois atravessava o passeio e entrava no carro. O que era uma situação perigosa para os peões, até chata para os próprios automobilistas, porque era fácil encalhar o cabo e estragar a ficha, a tomada de carga do veículo, que torna o veículo elétrico inoperacional. Mas agora sucede que, talvez pela disparada venda de veículos a bateria, que simultaneamente, para além dos veículos de bateria, também tem agora aqueles mata-velhos, vulgo quadriciclos, tanto ligeiros quanto pesados, que também são elétricos, logo também precisam de ser recarregados e ninguém pode levar o carro no elevador para casa ou pelas escadas, ainda menos. E então este tema voltou a ser atual.
Mas, de facto, é uma situação que já foi muito mais habitual, já se viu muito mais, mas continua a acontecer. Percebe-se que a passagem de cabos prédio abaixo, tirar uma série de extensões, e depois ao longo do passeio até ao carro, pode representar, naturalmente, um transtorno para vizinhos, para peões, para todos os que circulam. Mas há alguma ilegalidade nessa forma de atuar por parte dos donos dos veículos elétricos?
Olha, há. Vamos por partes. O regime jurídico da mobilidade elétrica, na realidade, não prevê esta situação. Ou seja, não lhes ocorreu pensar que alguém iria atirar uma extensão lá do quarto andar e ia por ali abaixo, abanando-se graciosamente à frente dos vizinhos, da varanda dos vizinhos, e depois atravessava o passeio rumo ao carro. Mas existem outras leis, como por exemplo, uma que proíbe a ocupação da via pública sem licença por cabos ou o que quer que seja. Nós habituamo-nos a ver naqueles bailaricos e concertos aí das aldeias, em que há pessoas a tocar e há aqueles cabos que passam pelo passeio rumo às colunas e por aí fora, mas esses têm licença e está lá a polícia, tudo está legal. Pagam licença, atenção, também é uma fase importante. Agora, para carregar o carro elétrico, não há autorização, não há licença e logo é uma ilegalidade. Simultaneamente, estender o cabo elétrico nas barbas da janela do vizinho ou da varanda do vizinho, também faz uma situação ilegal, uma vez que para isso o condomínio tem que autorizar. E eu duvido que autorize, não sei por quê. A menos que todos tenham essa necessidade e então aí estão todos na mesma equipe e venham lá as extensões, mas vão esbarrar na Polícia Municipal ou na polícia não municipal, na Polícia de Segurança, e esses sim vão multá-los.
E nesse caso, em que penalidades é que incorrem os proprietários que carregam desta forma os veículos a bateria?
Olha, varia de cidade para cidade. Mas em Lisboa, por exemplo, pode arrancar nos 900 €, depende um pouquinho da boa vontade do agente também e da gravidade da situação, mas entre 900 € e 4.200 € é o que tu quiseres. Se ponho que queiras a mais baixa.
Que soluções é que existem nesta altura para simultaneamente ultrapassar a falta de pontos de carga em alguns locais e garantir que os utilizadores de veículos elétricos conseguem recarregar os veículos de forma mais célere e mais segura, principalmente?
Olha, Miguel, antes de responder essa tua questão, que faz todo sentido, deixa-me introduzir aqui um ponto que me passou há pouco. Ligar um carro elétrico através de uma extensão é um perigo para o carro elétrico e para o bolso do dono do carro elétrico, porque os cabos elétricos têm uma série de sensores nas tomadas, nas fichas. Ou seja, quando tu ligas a uma wall box ou a uma ficha na parede, ou o que quer que seja, um cabo elétrico, a ficha do cabo do carro, daquele cabo específico para recarregar a bateria, tem sensores e deteta incrementos de temperatura. Ou seja, se por acaso a temperatura na tomada a que está ligada a ficha do cabo elétrico aumentar temperatura exageradamente, o sistema do carro interrompe a carga e desliga a ficha, impedindo o carro de arder e a casa também, porque se a temperatura começa a ficar muito elevada na tomada da parede, a que está ligada a extensão O cabo pode começar a arder e depois tudo depende do tipo de parede utilizada e pode arder a casa. Não seria a primeira vez. Logo, é preciso ter muito cuidado, porque a situação efetivamente pode se tornar delicada quando carregas um carro elétrico através de uma extensão ligada à parede. Portanto, todos os sistemas de segurança que existem deixam de ficar funcionais. Respondendo à tua questão, existem algumas soluções. Basicamente, hoje em dia, há uma catrafada de postos de carga em AC, em corrente alternada, que é aquilo que estamos a falar, as correntes das casas. Mas existe uma série de postos em tudo o que é terriola por esse país fora, sobretudo existem mais nas grandes cidades, porque também há mais veículos elétricos aí. Mas existe uma solução muito simples, que não tem nada de milagroso, que foi adotada por uma série de cidades europeias. Refiro-me a transformar cada candeeiro de cidade num posto de carga. Por quê? Porque o candeeiro já é alimentado por corrente trifásica, que é aquilo que é necessário para tu forneceres até 11 ou até 22 quilowatts de potência para recarregar o carro, que é o máximo que existe. Em corrente alterna, claro. Depois, porque o que não falta aí é candeeiros.
Sim, claro.
A adaptação é simples, Miguel. Não há o caso de, por exemplo, é possível que num acesso, numa estradazinha de província iluminada por candeeiros rumo a uma aldeola com 50 pessoas, é possível que não haja potência suficiente nesse ramal. Mas nas cidades há potência suficiente em qualquer ramal para fornecer uns adicionais 22 quilowatts, que é o máximo. E então tu podes transformar cada tantos candeeiros quanto tu quiseres em postos de carga, sem abdicar da luz, sem abdicar do fator candeeiro, e isso permitiria que toda a gente naquela rua recarregasse o automóvel mais rapidamente, ou seja, uma potência superior, e sem risco de puxar fogo à casa e ao carro, que convenhamos, é sempre desagradável.
Bem, por enquanto continuamos a ver algumas puxadas. Tentámos explicar aqui os problemas que existem com essas puxadas e também as multas que podem estar em causa nesta utilização e nesta forma de carregamento. Alfredo, está feito por hoje. Até à próxima semana.
Um abraço, Miguel.
Um abraço.